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Crítica: Encontros

Um paralelismo angustiante é a marca do filme de Cédric Klapisch
Encontrons

Sentir-se sozinho numa cidade grande como Paris em plena era digital quando tudo está conectado já é mais do que normal. A facilidade (pode-se dizer até mesmo a comodidade) de flertar pelas várias opções de aplicativos de relacionamento que existem tira muito do desafio da conquista, deixando-a vazia e sem graça. Com tantas pessoas “à disposição”, acabamos ficando “cegos”, já que, às vezes, seu par ideal pode estar muito mais perto do que você imagina. Esse é o caso de Mélanie (Ana Girardot) e Rémy (François Civil) em ‘Encontros’, do diretor Cédric Klapisch.

Moradores do mesmo bairro e frequentadores dos mesmos lugares – o metrô, o mercadinho e até a calçada – os dois nunca se esbarram. Acompanhamos duas histórias paralelas que parecem correr na mesma direção sem jamais se cruzarem e é por isso que o longa acaba se tornando bastante angustiante. “Ei!, olha para o lado, pelo amor de Deus!” é o que dá vontade de gritar durante todo o tempo e, se você observar bem, até no pôster do filme, Mélanie e Rémy não se olham, estão de costas um para o outro.

Com todo esse desencontro, não é de admirar que eles recorram aos aplicativos de relacionamento – ela por puro desespero, ele como última opção. Mas mesmo que esse recurso dê certo para uma parte considerável da sociedade atual, não é o que Klapisch quer nos mostrar com sua trama.

Rémy é bastante tímido e detesta exposição, por isso fica incomodado em criar uma conta no Facebook. Já Mélanie perde rapidamente o interesse em todos os seus crushes e matches sem conseguir se envolver com nenhum. Está aí a grande crítica (não muito original) de ‘Encontros’ – sociedade impaciente, sociedade imediatista, sociedade líquida. “As redes sociais são a pior coisa que aconteceu às relações sociais” – diz a psicóloga de Mélanie.

Mas tudo acaba voltando mesmo para os ângulos retos de todo o filme, não somente da filmagem, que é simples, sem nenhuma estripulia de efeito, mas da história mesmo. Não há curvas, não há desvios nem atalhos, seguimos sempre em linha reta (até os túmulos do cemitério são retos e simétricos), devagar, quase parando, como que experimentando a tédio que é a vida dos protagonistas, em completa dissonância com o mundo rápido e agitado de hoje.

Encontros’ é um filme “cabeça” bastante realista, bem como costumam ser os filmes franceses, com toda a sua complexidade (quer coisa mais complicada que as relações humanas?). Nada de excepcional, mas interessante, apesar do tema “batido”. É muito provável que o espectador vá se identificar na história e, quem sabe, tomar como exemplo a cena final.


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