Loucos por Filmes

Loucos por Filmes

Destaques

Últimas

Navegue aqui

Crítica: Abigail e a Cidade Perdida

Talvez a maior dificuldade de Abigail - E a Cidade Proibida, seja manter o público imerso dentro de sua história pouco original, embora necessária.
Abigail e a Cidade Perdida

Talvez a maior dificuldade de Abigail - E a Cidade Proibida, seja manter o público imerso dentro de sua história pouco original, embora necessária.

Filha de um cientista desaparecido, Abigail mora em uma cidade que fora isolada do restante do mundo por causa de uma epidemia, o surto é responsável pelo desaparecimento de diversas pessoas da cidade, incluindo seu próprio pai. Abigail nunca desistiu de encontrar seu progenitor e luta contra autoridades para descobrir seu paradeiro.

No quesito ambientação, o longa de Aleksandr Boguslavskiy é muito competente. Fazendo uma a analogia clara ao nazismo e a segregação ocorrida durante a Segunda Guerra Mundial, as ruas da Cidade Perdida são muito semelhantes aos bairros judeus da Berlim de 1940, deixando clara as intenções as quais o longa tenta alcançar. Ao lado dos bons efeitos especiais se tornam a melhor coisa de Abigail - E a Cidade Proibida.

A direção de arte é na medida do possível razoável, os objetos de cena possuem um aspecto antiquado, velhos, como tecnologias de um tempo muito distante ou de uma cidade que se isolou do mundo. Tudo é de metal mas parece sem acabamento, é rústico e sujo. As incoerências entretanto, se iniciam em todo o restante do trabalho, a começar pelo cabelo da protagonista que é no mínimo "diferente", já os figurinos que a princípio parecem bons deixam a desejar nos detalhes, parecem todos muito limpinhos para quem vive à margem das leis impostas pelo governo local, neste aspecto a obra se assemelha mais a um episódio de série ou novela do que propriamente um longa metragem de grande orçamento, ainda na questão de figurinos, a obra deixa a desejar na hora de criar um contraste maior entre "mocinhos" e "bandidos", apenas um elemento é o que diferencia o time Bom do time Mau.

A direção de fotografia compõe bem as escolhas de luzes e cumpre a função de dar contraste entre as magias, porém não ajuda na hora de diferenciar heróis e vilões. Mesmo o filme sendo escuro (talvez por conta da projeção), ainda é possível identificar os personagens, embora a direção de arte pudesse colaborar para isso. O desenho de luz consegue gerar impacto em algumas cenas, em especial uma em que Abigail acende um sinalizador no alto de um prédio.

Quase todo o elenco é composto de atores e atrizes russos, o que não seria um problema e na versão dublada em português não será perceptível, entretanto parece que todos os atores foram dublados em inglês mesmo eles falando o idioma Norte Americano durante todo o filme, as dublagem ficam perceptíveis; o lip sync funciona, mas as vozes parecem não serem daquelas pessoas, isso explica a completa ausência de sotaques na versão "original" do filme, além de contribuir para atuações que não encontram o tom certo, tem hora que em tela a personagem está mais calma, porém sua voz nervosa, outros em que a voz está calma, mas a atriz está nervosa, fica difícil avaliar a atuação do casting, fisicamente alguns deles até parecem bem e Eddie Marsan parece o destaque positivo.

O roteiro é bem intencionado, mira um público alvo infantil e mostra que não devemos segregar pessoas por suas diferenças, ajuda a mostrar como o governo pode nos fazer mal, mensagens importantes e que devem ser levadas a todos os públicos, mas a confusão da história contada tira o espectador de dentro da obra. É muito fácil se perder na história que vai mostrar diversas incoerências e que vai aos poucos se tornando confusa ao tentar se explicar, no terceiro ato você só está assistindo o filme esperando ele terminar, ele volta no tempo, entra nas memórias da protagonista, depois sai, entra novamente, vai se tornando cansativo e entediante. O casal formado durante a obra é qualquer coisa, você não consegue acompanhar um crescimento na relação deles e no fim estão juntos porque alguém escreveu no roteiro que teria de ser assim.

Nos aspectos ligados a pós-produção, Abigail - E a Cidade Perdida tem efeitos especiais que são surpreendentes, alguns até grandiosos, como um dirigível, outros mais simples, porém funcionais, como os poderes mágicos do povo da cidade perdida. Todavia, a montagem e edição são cansativas, deixando o filme confuso e fazendo-o parecer mais longo do que ele é. Abigail - E a cidade proibida é um filme visualmente atrativo e capaz de impressionar nos efeitos especiais, mas o roteiro desajeitado e a montagem bagunçada tiram o impacto da obra, ao menos os bons trechos e referências sobre enfrentar governos opressores são satisfatórios.



Deixe sua opinião:)

Mostrar comentários 💬