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Crítica: Meu Amigo Enzo

O filme foge de um ou dois dos lugares-comuns do gênero, mas também cai em muitos deles, e, ao final, acaba sendo uma boa história comovente sobre perseverança, amor e companheirismo – nada além disso, mas também nada menos do que isso.
Meu Amigo Enzo

Houve um tempo em que as obras que chamamos “filmes de cachorro”, era uma das ramificações de “filmes com animais”. Havia macacos, pássaros, porcos, gatos e até cetáceos (orcas e golfinhos). Muitos e muitos destes eram com cães e a grande maioria deles seguia o mesmo padrão: comédias espertinhas com bichos faceiros que foram um sucesso por anos na Sessão da Tarde. Porém, desde o sucesso Marley & Eu (do diretor David Frankel, 2008), vimos uma nova onda surgir com nossos amigos caninos, e filmes engraçadinhos que apostaram no carisma animal, deram lugar a filmes cuja única função era nos fazer chorar – e muito! – usando de muleta o companheirismo característico dos cãezinhos e seus donos. Sempre ao Seu Lado (com Richard Gere, 2009), Quatro vidas de Um Cachorro (2017) e Juntos Para Sempre (2019) são alguns bons exemplos além do citado anteriormente e agora, na mão do diretor Simon Curtis, chega aos cinemas Meu Amigo Enzo, novamente nos dando um cachorro bem-cuidado, uma história triste e muito companheirismo .

Assim como alguns muitos de seus predecessores, Meu Amigo Enzo é a adaptação de um livro, com o qual compartilha seu – absolutamente superior - título original “A Arte de Correr na Chuva” (The Art of Racing in the Rain, em inglês). A trama é narrada sob a perspectiva do cão Enzo (na voz de Kevin Costner), que comenta cada passo da vida de seu dono, o piloto de corridas Danny (Milo Ventimiglia, de Rocky Balboa) e todas dificuldades que ele encontra ao longo de sua vida. Muitos são os que questionam o teor apelativo deste tipo de filme – e eu sou um deles – que jogam com a relação do público com estes animais simplesmente para nos levar aos prantos quando, ao final, costumam dar uma morte triste e sentimental ao protagonista de quatro patas e a audiência – com dor de cabeça de tanto chorar – saí da sessão convencida de que viu um grande filme. Eu cheguei ao cinema com este preconceito e posso dizer que a direção de Simon Curtis quebra essa expectativa já na primeira cena. Ciente de que seu público vai ao filme esperando ver algo que já viu, Curtis assume a obviedade logo nos primeiros 5 minutos e nos dá a benvinda sensação de “se o objetivo não é matar o cachorro, o que será que esse filme vai fazer?”. Ponto para eles.

A produção é bem feita sem grandes exageros, o Enzo de Kevin Costner tenta ser engraçado o filme inteiro e poucas vezes funciona, ao passo que Amanda Seyfried (de Mamma Mia!) e Milo Ventimiglia, por suas vezes, estão muito bens em seus papéis – ambos os personagens começam muito comuns e clichê, mas a medida que a história se desenrola, grandes mudanças ocorrem em suas vidas e ambos entregam performances à altura do drama que é necessário ser passado ao espectador. Uma curiosidade interessante é que o título original se refere ao talento de Danny para correr em pistas molhadas – e também à moral de saber continuar em meio às adversidades -, talento este que o personagem compartilha com o piloto brasileiro Ayrton Senna. Não são poucas as vezes em que Senna é citado e até mostrado no longa, sendo o grande ídolo do protagonista e a origem de uma das falas mais bonitas do filme.

Mesmo sabendo que usar cães é sim um golpe baixo, a emoção – e o choro inevitável – existe verdadeiramente dentro do poder de identificação que a história de Meu Amigo Enzo possui junto ao público. O filme foge de um ou dois dos lugares-comuns do gênero, mas também cai em muitos deles, e, ao final, acaba sendo uma boa história comovente sobre perseverança, amor e companheirismo – nada além disso, mas também nada menos do que isso. Tem seu valor.


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