Loucos por Filmes

Loucos por Filmes

Destaques

Últimas

Navegue aqui

Crítica: Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro

“Histórias Assustadoras para contar no Escuro” é perfeitamente definido pelo seu título. Uma reunião de cenas realmente capazes de causar bons sustos, num nível divertido e atrativo para os mais velhos, permitindo, entretanto, que crianças amantes de horror possam assistir ao filme nos cinemas sem sofrer maiores traumas.
Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro

As lendas urbanas sempre foram parte importantíssima do folclore norte-americano. Dentre todas as histórias conhecidas que costumavam ser contadas para assustar crianças, as principais delas na cultura estadunidense foram há décadas reunidas na famosa série de livros “Scary Stories to Tell in the Dark”, uma trilogia de coletâneas de contos, organizada por Alvin Schwartz, responsável por tirar o sono de milhares de crianças desde então.

Tendo como base os livros de horror infantil, assim como a inspiração em lendas urbanas contadas boca a boca, Guillermo Del Toro reúne seus roteiristas parceiros - responsáveis pela belíssima Caçadores de Trolls, da Netflix – e coloca um satisfatório presente nas mãos do diretor André Øvredal (A Autópsia), que consegue transpor todo o clima dos contos para as telonas, adaptando-os para um modelo perfeitamente funcional aos adolescentes da década atual.

O enredo de “Histórias Assustadoras para contar no Escuro” traz uma premissa criada por Del Toro que busca uma base passível de interligar diferentes ambientes e situações para que as histórias dos contos originais sejam apresentadas. A premissa criada pelo roteirista e produtor nos apresenta a cidade de Mill Valley, no ano de 1968, onde três jovens adolescentes se atrevem a bisbilhotar o casarão abandonado de uma antiga família que guarda uma história sombria curiosa. Ao encontrarem um livro supostamente escrito com sangue pela filha perturbada da família, eles descobrem que podem ter acabado de liberar uma maldição pela cidade, capaz de fazer histórias de horror se tornarem realidade.

O elenco infantil cumpre bem seu papel, sem grandes destaques, mas com indícios de uma sábia direção sobre os mesmos. Zoe Margaret Colletti (Vida Selvagem) nos cativa com sua protagonista forte a seu modo, embora alguns clichês da personagem órfã-excluída-sonhadora estejam bem latentes em suas cenas durante grande parte do longa.

Contudo, é exatamente em certos clichês que o filme prende a atenção, criando ambientações, trilhas sonoras e sequências de cenas que já vimos diversas vezes em filmes de horror, sobretudo em produções das décadas de 80 e 90. A nostalgia está presente do início ao fim, tanto para os fãs do livro, quanto para os que nunca ouviram falar da história e apenas curtem bons longas de horror. É gerando expectativas, prolongando desfechos previsíveis, e reproduzindo ações e reações já batidas que o filme consegue gerar tensões agonizantes no melhor estilo “oldschool”.

Embora Del Toro não assuma a direção, é possível enxergar alguns toques do mesmo enquanto produtor em algumas nuances da estética, sobretudo nas caracterizações das criaturas. Os monstros apresentados são bem construídos através de efeitos práticos e maquiagens excessivas, tal qual criaturas clássicas de sua filmografia. A cena que adapta o conto popular “The Dream”, apresentando a criatura chamada de Mulher Pálida, apresenta um clima e uma estética que se assemelham em alguns pontos à perseguição do Homem Pálido de O Labirinto do Fauno.

Com monstros convincentes e um elenco à la Stranger Things, conectados por uma trama adolescente capaz de agradar adultos e crianças, “Histórias Assustadoras para contar no Escuro” é perfeitamente definido pelo seu título. Uma reunião de cenas realmente capazes de causar bons sustos, num nível divertido e atrativo para os mais velhos, permitindo, entretanto, que crianças amantes de horror possam assistir ao filme nos cinemas sem sofrer maiores traumas.

Um horror para curtir com a família, com um toque de ode aos anos 80, uma pitada forte de nacionalismo estadunidense, e uma porta aberta para uma possível franquia a ser continuada nos próximos anos.




Deixe sua opinião:)

Mostrar comentários 💬