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Crítica: Turma da Mônica - Laços

Turma da Mônica: Laços é um filme muito competente e bonito – eu diria até amável – e traz lições muito bem postas sobre amizade e afeto, que são a essência da turminha que conhecemos.
Turma da Mônica - Laços




A Turma da Mônica é um patrimônio imaterial do povo brasileiro tanto quanto o samba ou o futebol. Como tal, recebe de nós um carinho muito grande e, por isso, mexer com a turminha do Bairro do Limoeiro requer uma boa dose de cuidado e coragem – pois qualquer coisa menos do que “ótimo” será devidamente rechaçada. Lá em 2013 os autores Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi demonstraram ter este peito ao lançar a HQ “Laços”, que mostrava a turminha num traço totalmente novo, num enredo de aventura e amizade bem mais adulto e emocional, tendo ainda pitadas de suspense e até terror no meio. O resultado foi primoroso e pôde, finalmente, abrir caminho para que agora, em 2019, possamos ver pela primeira vez encarnações reais de Cebolinha (Kevin Vechiatto), Mônica (Giulia Benitte), Magali (Laura Rauseo), Cascão (Gabriel Moreira) e companhia no novo filme do diretor Daniel Rezende (de Bingo: O Rei das Manhãs, 2017) “Turma da Mônica: Laços” (2019).

Daniel Rezende possui uma bagagem bem interessante no currículo. Indicado ao Oscar de melhor edição por Cidade de Deus em 2002, editou outros sucessos como os dois Tropa de Elite de José Padilha, Robocop (o remake de Padilha de 2014) e muitos outros – a lista é longa. Seu trabalho como diretor, porém, ainda está começando e seu único longa-metragem anterior a Laços foi o ótimo Bingo: O Rei das Manhãs (2017), onde Rezende apresentou as mesmas qualidades e os mesmos defeitos que vemos novamente agora no filme da turminha.

Enquanto editor de grandes produções, Daniel Rezende entende – e muito – de atmosfera. A representação do Bairro do Limoeiro e a caracterização de todos os personagens estão absolutamente perfeitas dentro da proposta estética da HQ original, e a trilha sonora repleta de notas sensíveis e alegres se junta com a fotografia lindíssima toda em tons quentes para dar a sensação de aconchego ao espectador – quase como um abraço – e fazer com que todos os quadros do filme tenham um aspecto acolhedor e emocional. Funciona! O resultado é que por mais que seja a primeira vez que vemos nossos amados personagens daquele jeito, tudo é absolutamente familiar e o diretor consegue capturar lá dentro de nós todo o carinho que nós temos pela Mônica e seus amigos. Há um esmero evidente na produção que deixa tudo com cara de “filmão” mesmo, sem aquela semelhança com uma estética televisiva – e novelesca – que muitas produções por aqui.

Outro acerto foi seguir o roteiro da HQ – que foi adaptado para o cinema pelos próprios criadores – e fazer de Laços uma história simples, focada sobretudo na amizade das crianças – e nesse sentido há na obra um pouco de produções clássicas como Goonies (1985) e Conta Comigo (1986), reproduzindo o melhor que há nelas de um jeito bem nosso. Mas, assim como falhava em Bingo, Rezende ainda derrapa na direção de atores e isso fica claro em muitos momentos. Dirigir crianças já não é muito fácil – os protagonistas têm entre 9 e 11 anos – e complica um pouco quando se exige que elas transmitam emoções muito complexas diante das câmeras.

É necessário destacar que as crianças que fazem o Cascão e Magali estão ótimos – principalmente o Cascão de Gabriel Moreira, responsável por quase todas as tiradas cômicas do longa – enquanto Cebolinha e Mônica, com mais tempo de tela, deixam mais a desejar – principalmente o Cebolinha, personagem central da trama. Diante da dificuldade de atuação das crianças, caberia ao diretor ter escolhas criativas para passar a emoção requerida nas cenas mais dramáticas, mas ao invés disso, Rezende mantém a câmera parada em close no rosto das crianças até que elas chorem - em vários momentos – o que gera cenas longas e constrangedoras que só evidenciam a dificuldade de atuação dos atores-mirins.

Mesmo sendo este um problema grande demais para ser ignorado, Turma da Mônica: Laços é um filme muito competente e bonito – eu diria até amável – e traz lições muito bem postas sobre amizade e afeto, que são a essência da turminha que conhecemos. Não posso esquecer de mencionar as centenas de referências ao universo dos gibis, com muitos personagens aparecendo em carne e osso, sendo citados ou surgindo como easter-eggs sutis no cenário o tempo todo. É quase um filme da Marvel – com direito a uma cena em que Maurício de Souza aparece fazendo as vezes do saudoso Stan Lee e conversando com suas criações. A HQ Laços possui duas continuações nos quadrinhos (“Lições” e “Lembranças”) e esperamos que este filme possa agradar ao público tanto quanto a mim, para que venham logo suas sequências e nós tenhamos o nosso próprio MCU brazuca: Mônica Cinematic Universe.




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