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Crítica: A Lenda de Golem

Lenda de Golem não é nenhuma obra-prima, mas é um retrato muito fiel e interessante da sociedade da época do século XVII e seu contexto, marcado pela crença na magia, no machismo, no estranho poder das mulheres, nas doenças e, por tudo isso, pode agradar bastante os fãs do gênero de terror.
A Lenda de Golem

Dos diretores Doron e Yoav Paz, A Lenda de Golem é mais um dos filmes de terror de 2019, ambientado na Lituânia do século XVII. Ele conta a história de Hanna (Hani Furstenberg) e Benjamin (Ishai Golan), um casal que vivia em uma pacata vila judaica atormentado pela morte de seu filho, Joseph, e a posterior incapacidade de gerar um outro bebê.

O fato do enredo se dar em épocas passadas, por si só é bastante interessante e combina muito com o contexto de terror que é proposto, e é talvez o maior motivo de o filme agradar. A ambientação é feita de forma muito realista, mostrando sempre o machismo inerente àquela época e como era a vida na Europa. O cenário é maravilhoso e o figurino perfeito, isso sem falar na caracterização dos personagens, que são judeus, com seus peiot (os cachos de cabelo laterais) que lhe são tão característicos.

Tudo começa quando uma peste assola a região onde a história acontece e Vladimir (Aleksey Tritenko), líder de uma comunidade vizinha à de Hanna e Benjamin, aparece com a filha doente no colo, acusando os moradores da vila de bruxaria e exigindo que a curassem, caso contrário, ele destruiria a todos.

E essa questão da magia é muito interessante de se mostrar e não poderia ser feito de forma tão crível se o enredo não se passasse em épocas mais remotas, quando as pessoas realmente acreditavam que algumas mulheres eram bruxas e tinham um poder sobrenatural, principalmente quando eram curandeiras ou usavam “poções” para conseguir o que queriam. Tudo isso é mostrado na personagem de Brynie Furstenberg, Perla.

Mas é nesse contexto que Hanna propõe a criação de um Golem (uma entidade mística muito poderosa sobre a qual ela já tinha lido e estudado) para afastar os invasores e proteger a vila, mas o rabino, líder da comunidade, a questiona sobre seu conhecimento sobre tal entidade e se nega terminantemente a fazer o que ela propunha.

E eis aqui uma ponta que os diretores Paz deixam solta: o fato de uma mulher que vivia numa aldeia isolada no interior da Lituânia em pleno século XVII saber ler quando nem mesmo a maioria dos homens sabia. Mas tudo bem, isso não atrapalha a história.

Hanna, entçao, se nega a obedecer ao rabino e traz à vida o Golem, na forma de um garotinho que teria a mesma idade de seu próprio filho caso ele ainda estivesse vivo. No papel, está Konstantin Anikienko, numa atuação simplesmente incrível, a melhor de todos os atores mirins recentes em filmes de terror. Ele é mal, mas ao mesmo tempo cativante, sério, mas fofo.

Enfim, A Lenda de Golem não é nenhuma obra-prima, mas é um retrato muito fiel e interessante da sociedade da época do século XVII e seu contexto, marcado pela crença na magia, no machismo, no estranho poder das mulheres, nas doenças e, por tudo isso, pode agradar bastante os fãs do gênero de terror.



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