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Crítica #2: X-Men - Fênix Negra

É uma despedida um tanto opaca e indiferente para uma série que sempre tratou de seres que são, por definição, especiais.
X-Men - Fênix Negra

Em março deste ano o mundo do entretenimento testemunhou a aquisição de grande parte da gigante 21th Century Fox pela mais gigante ainda Disney (pela modesta quantia de $71 bilhões). Essa compra tem uma série de implicações dentro da indústria do cinema, mas seu efeito mais especulado diz respeito às propriedades intelectuais da Marvel Comics que estavam sob tutela da Fox e voltaram para as asas da mamãe Marvel – que também é da Disney. De todas as franquias que eram do estúdio comprado, a mais famosa, lucrativa, importante e longeva de todas é, sem dúvidas, a dos X-men. Qual será o futuro dos mutantes dentro do universo de filmes da Marvel nós ainda não sabemos, mas a despedida deles deste relacionamento – abusivo - de muitos altos e baixos com a Fox nós vemos agora no novo X-men: Fênix Negra (2019), dirigido Simon Kinberg (que foi produtor de absolutamente todos os filmes da série desde “X-men – O Filme” em 2000).

Fênix Negra (apenas “Dark Phoenix”, no original) existe desde o início com a ingrata marca de ser o novo capítulo de uma franquia que já acabou. Inicialmente previsto para estrear no final de 2018, o longa foi adiado pela primeira vez para fevereiro deste ano e depois novamente para então chegar aos cinemas em junho de 2019. Embora membros da produção aleguem que os adiamentos tenham sido por conta de correções na pós-produção ou conflitos com outros lançamentos, há quem acredite que estas mudanças sejam reflexos da interferência da Marvel, já discutindo o que será feito no futuro com aqueles personagens. O problema é que todas estas movimentações foram exaustivamente noticiadas, e a expectativa para o novo filme dos X-Men foi enfraquecendo - e muito! - com o passar dos meses. Se o capítulo anterior (“X-Men: Apocalipse”, de Bryan Singer, 2016) já não havia sido um grande sucesso junto aos fãs – o que abala a vontade de assistir à seqüência por si só – pior fica quando se tem certeza de que, seja lá qual for a história que resolvam contar, não haverá uma continuidade.

A percepção, então, acaba sendo de que Fênix Negra é um filme para “cumprir tabela”, algo que tem a obrigação de ser feito para se honrar um contrato, mas nada mais do que isso. Os produtores juram que isso não é verdade e o diretor Simon Kinberg declarou diversas vezes que sempre imaginou o arco de Jean Grey (Sophie Turner) se tornando a Fênix como o encerramento do que foi iniciado em “X-Men: Primeira Classe” (2011) e consolidado no seguinte “Dias de Um Futuro Esquecido” (2014). Kimberg chegou a dizer, inclusive, que queria dar o tratamento correto à famosa saga da Força Fênix nos quadrinhos depois dos equívocos de “X-Men: O Confronto Final” (2006) – e quando assistimos ao filme é possível, sim, acreditar nas palavras do diretor.

O novo longa dos mutantes é um filme até correto. Os efeitos especiais são ótimos e as atuações são boas – principalmente a Jean de Sophie Turner que está muito poderosa em todos os sentidos que esta palavra pode ter. Dado o esmero com o produto que vemos em tela, não é justo acusá-los de fazer algo por obrigação quando o – grande – problema ali é outro: Fênix Negra é uma obra genérica, esquecível. Em muitos aspectos, é um filme que nós já vimos muitas vezes (mesmo dentro da franquia dos “filhos do átomo”, basta rever o já citado “O Confronto Final”). Há algumas cenas de ação que são legais, mas tudo nele é previsível e terrivelmente comum – o que numa era pós Vingadores: Ultimato (2019), é um pecado mortal. Mais problemático ainda são os vilões que acompanham a personagem de Jessica Chastain – que tanto faz, como tanto fez – que são capangas tão clichês que acabam reforçando o sentimento de falta de personalidade que paira o tempo todo durante a projeção.

É uma pena que a franquia dos X-Men como conhecemos se despeça de maneira tão insossa – o primeiro filme ainda é uma das produções mais importantes da história do cinema, e se você hoje tem 5 filmes de super-heróis por ano para ver, agradeça a eles e ao diretor Bryan Singer que disse que isso podia dar lucro lá em 1999. X-Men: Fênix Negra, portanto, não é um filme ruim, tampouco decepcionante - já que, lamentavelmente, muito pouco se esperava dele -, mas é uma despedida um tanto opaca e indiferente para uma série que sempre tratou de seres que são, por definição, especiais.



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