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Crítica #2 | MIB: Homens de Preto - Internacional

MIB- Internacional é um filme simpático, facilmente compreensível e divertido, mas é esquecível e dispendioso na mesma proporção.
MIB: Homens de Preto - Internacional

A franquia Homens de Preto lida com um universo visual bastante amplo e fantástico, com vasta mitologia biológica e sociológica. Apesar disso, por mais divertidos e benfeitos que sejam, os três filmes originais da cinessérie comandados por Barry Sonnenfeld apresentam tantas semelhanças estruturais, tonais e temáticas entre si, que a tarefa de distinguir um capítulo do outro se torna consideravelmente complicada.

MIB: Homens de Preto - Internacional (MIB - International, 2019), a sequência/reboot da trilogia original, não quebra este paradigma. Mesmo que Sonnenfeld tenha cedido seu comando para o versátil F. Gary Gray (de Uma Saída de Mestre, passando Straight Outta Compton até Velozes e Furiosos 8), o saldo é o mesmo: uma diversão bastante simpática, alicerçada na química invejável da dupla central e chamativa em virtude do exotismo de seus espécimes alienígenas.

Desta vez, J (Will Smith) e K (Tommy Lee Jones) abrem espaço para a jovem Molly (Tessa Thompson), que passou por uma experiência com aliens na infância e, desde então, tornou-se obcecada pelo assunto. Após descobrir a sede da MIB em Nova York, ela ganha a confiança de O (uma andrógena Emma Thompson) e passa a atuar como agente em experiência. Sua primeira missão ocorre na sede de Londres, onde terá a ajuda de T (Liam Neeson), o chefe local, e H (Chris Hemsworth), o agente mais incontrolavelmente mulherengo e festivo. Quando um traidor começa a vazar informações, Molly, agora batizada de M, terá de solucionar sua primeira missão e impedir que uma arma poderosíssima caia em mãos erradas.

Como já é possível notar, o roteiro de Art Marcum e Matt Holloway aposta na premissa bastante simples ao questionar a lealdade da suposta organização confiável da história. Entretanto, ainda que amarre relativamente bem algumas das propostas da narrativa (levando, inclusive, o diretor a executar uma rima visual bastante surpreendente), o texto não deixa de ser óbvio na construção desta intriga, cuja resolução pode ser antevista pelo espectador momentos antes de ser exibida. Porém, os roteiristas ganham pontos por entregar as principais decisões da trama e tratar como central o arco dramático de Molly, a principal personagem feminina da produção. A personalidade forte e decidida, aliada à curiosidade técnica que nutre pelos Homens de Preto, a tornam uma figura quase antagônica ao futuro Agente J, introduzido a nós por Will Smith há 22 anos.

Contudo, o principal triunfo do longa-metragem de Gray reside na interação saborosa entre Chris Hemsworth e Tessa Thompson. Também estrelas de Thor: Ragnarok (2017), Thompson e Hemsworth são uma graça, juntos ou separados. Ela, em particular, injeta convicção e inexperiência à M, merecendo ainda mais aplausos por não recair nem à masculinização ou a uma feminilidade afetada. Já o intérprete de Thor é hábil ao conferir uma aura sagaz e juvenil à H, não obstante, relembrando-nos de seu trabalho mais célebre.

Destacando-se por algumas decisões artísticas do diretor e dos montadores Zene Baker, Christian Wagner e Matt Willard (como os confrontos físicos simultâneos vivenciados pelos dois protagonistas), MIB - Internacional é um filme simpático, facilmente compreensível e divertido, mas é esquecível e dispendioso na mesma proporção.



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