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Crítica: John Wick 3 - Parabellum

Ao brincar consigo mesmo, fazer piadas com cachorros, matar das formas mais loucas possíveis e até mostrar um pouco do passado misterioso do protagonista, esta terceira parte ganha pontos na honestidade da proposta tudo o que perderia em falta de verossimilhança interna ou externa – e faz tudo isso com um senso estético apurado e lindo,
 John Wick 3 - Parabellum

Sem medo de errar, podemos dizer que os filmes do matador e “pai de pet” John Wick é a franquia de ação mais estilosa do cinema hoje. O que começou sem muita pretensão lá em 2014 com De volta ao Jogo (título nacional com a velha mania de explicar a trama, mas que no original era simplesmente “John Wick”) se tornou um inesperado sucesso absoluto de boca-a-boca (o longa custou 20 milhões e arrecadou mais de 130 ao redor do globo) que praticamente exigia continuações devido à repercussão. O astro Keanu Reeves e o diretor Chad Stahelski trataram de atender aos clamores do público e nos entregaram mais dois capítulos onde não economizaram nas luzes neon e muito menos na qualidade da pancadaria cada vez mais exponencial.

O mérito do primeiro filme era a qualidade das coreografias de luta. Não só Keanu Reeves é de fato um mestre em artes marciais na vida real (coisa que ele levou muito a sério após Matrix, de 1999) como Chad Stahelski possui uma carreira longa como diretor de dublês (tendo na carreira ícones da trocação de socos como Os Mercenários, Rambo IV e Matrix Revolutions), sendo também ele mesmo um mestre em Kickboxing. Ou seja: quem manda no filme entende de porrada e é fácil dizer que esta qualidade se mantém neste novo John Wick: Capítulo 3 – Parabellum, porém sofrendo um pouco com a própria dimensão que alcançou.

Parabellum (parte de um lema latino que significa “prepare-se para a guerra”) começa exatamente do ponto em que seu antecessor, John Wick: Um novo Dia para Matar (2017), termina. Após quebrar uma regra fundamental dentro da sociedade secreta mundial de assassinos do qual faz parte, Wick (Keanu Reeves) é banido – ou como dizem estilosamente no filme: excomunicado – e tem sua cabeça posta a prêmio, passando a ser caçado por seus colegas assassinos. Dentro desta premissa, os primeiros 30 minutos da produção quase não têm falas. São minutos de ação ininterrupta vendo John Wick fugindo de assassinos (que dentro do mundo da série parecem ser praticamente todas as pessoas que existem) e matando pessoas. Wick mata com livros, com espadas, facas, armas, com cintos e com cavalos – sim, cavalos! E tudo isso é bastante divertido.

Embora o primeiro filme desse várias pistas sobre o universo da sociedade de matadores, seus códigos, leis e crenças, tudo era só um pano de fundo legal para mais um – bom – filme de vingança com um homem com habilidades completamente fora do aceitável matando gente – pouco tempo antes, a franquia Busca Implacável, com Liam Neeson, teve o mesmo efeito. Mas a partir de seu segundo capítulo, Chad Stahelski mergulhou fundo na mitologia dos assassinos, algo como praticamente uma religião, num sistema muito parecido com as sociedades secretas de vampiros em filmes como Blade ou Anjos da Noite – onde existe uma sociedade secreta de predadores que podem sem qualquer um bem de baixo de nossos narizes – e abraçou de vez a canastrice que sempre foi sua vocação.

Keanu Reeves não é um ator lá muito versátil, e neste terceiro longa faz de sua falta de expressão um excelente alívio cômico que zomba de si mesmo o tempo todo. A escalada na mitologia tomou proporções tão grandes que John Wick quase parece um filme de fantasia, onde Nova York é uma cidade toda em contrastes de neon, os mendigos são uma fraternidade secreta de informantes, as pessoas degolam umas às outras num metrô lotado e NINGUÉM REPARA e viajamos o mundo até as raízes praticamente místicas daqueles que antes eram só matadores a serviço de mafiosos.

A ação do filme é divertida e propositalmente engraçada muitas vezes. Não tem medo de soar brega quando conduz uma batalha a um museu de – veja só – facas, que por acaso estava ali naquele prédio que foi invadido aleatoriamente – e te faz aceitar suas loucuras entregando uma ação crua e competente, muitas vezes sem trilha sonora alguma, usando só altíssimos efeitos de socos, chutes e tudo mais que vier para elevar a sensação de proximidade do espectador nas lutas. Há, no final, uma boa reviravolta e um gancho para um possível capítulo 4. O excesso de fantasia deixa aquele universo bem menos crível, e o flerte com o ridículo é mais perigoso aqui do que nos anteriores – mas o filme sabe disso.

O que ocorre, de fato, com John Wick: Capítulo 3 – Parabellum, é que ele sabe exatamente o que o fã da franquia quer ver, e eu sempre tendo a dar muito valor àquelas produções que cumprem o que prometem. Ao brincar consigo mesmo, fazer piadas com cachorros, matar das formas mais loucas possíveis e até mostrar um pouco do passado misterioso do protagonista, esta terceira parte ganha pontos na honestidade da proposta tudo o que perderia em falta de verossimilhança interna ou externa – e faz tudo isso com um senso estético apurado e lindo, nos dando cenários de cair o queixo, mas completamente não funcionais se existissem de verdade. Que venha o capítulo 4, porque agora é - ainda mais! – pessoal.



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