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Crítica: Hellboy

Hellboy é um filme cheio de inconsistências e furos, com uma ou outra cena engraçada; se você espera o mesmo clima dos seus antecessores, talvez não seja o que procura, mas o público mais disposto a gostar de obras como Esquadrão Suicida ou do gênero Terrir deve se divertir.
 Hellboy

Adaptação dos quadrinhos homônimos de Mike Mignola, Hellboy já recebeu outra versão cinematográfica pelas mãos do vencedor do Oscar de Melhor Diretor Guillermo Del Toro, a adaptação obteve muitos elogios do público e da crítica, porém, mesmo com o carimbo de um prêmio da academia de artes e ciências cinematográficas no currículo, isso não foi o suficiente para Del Toro voltar à direção do herói, invés dele a nova versão conta com Neil Marshall (Juízo Final) a frente das câmeras.

A trama do filme é tão confusa que fica até custoso de se explicar em poucas palavras. Hellboy (David Harbour) é um detetive paranormal vindo do inferno e depois da feiticeira Rainha de Sangue (Milla Jovovich) ressurgir ele precisa intervir para evitar que ela espalhe uma praga (que nunca fica clara a consequência, ou que praga é essa) pelo mundo.

É importante avisar que o filme é uma bagunça total, desde a montagem, roteiro e até a direção sofrem para contar uma história e dar coesão ao material exibido. O texto a princípio parece caminhar para um humor sutil sobre as peculiaridades do protagonista, mas ao avançar dos minutos vai apostando em piadas mais semelhantes às de Deadpool, algo que já vimos dando errado antes.

O roteiro se assemelha muito mais a um episódio piloto de seriado do que um longa metragem. A obra vai acumulando informações, tentando acrescentar a mitologia do material fonte para enriquecer o universo ao qual a aventura se passa, porém nunca dá tempo o suficiente para que o espectador consiga absorver o que está sendo entregue a ele. Ora temos gigantes, outrora temos amigos que se perdem e sem motivo aparente dizem uma frase que será o mote de toda a outra. Depois aparecem pessoas aleatórias que vão ajudar o herói, e essas pessoas têm um background com o protagonista, mas isso só será revelado depois. Falta desenvolvimento, tudo se parece com uma grande apresentação que só será resolvida no restante da temporada, o problema é que Hellboy é um filme, não uma série da HBO que terá outros 12 episódios para se desenvolver.

David Harbour é conhecido pelo bom trabalho no seriado Stranger Things, e ele merecia um filme melhor que esse para brilhar. Mesmo diante de um roteiro inconsistente, com diálogos sofríveis e com uma direção que não sabe exatamente para onde vai levar o longa, o ator consegue demonstrar carisma suficiente para manter o público entretido, Harbour parece ser uma boa escolha para interpretar o personagem, mas fez falta a ele um trabalho melhor de produção.

Também estão no elenco, Ian McShane (American Gods e John Wick) que na medida do possível está bem; o ator parece interpretar exatamente o mesmo personagem de seus trabalhos mais recentes, no entanto tenta entregar um pai que se importa com o filho; Daniel Dae Kim (Lost), que entrega um personagem sisudo e mais ranzinza que o próprio Hellboy - mas o roteiro unidimensional não o ajuda no trabalho; Sasha Lane (O Mau Exemplo de Cameron Post), a jovem tem uma personagem interessante em mãos, tem um pouco mais de destaque, porém os diálogos da jovem são qualquer coisa entre “ruins” e “genéricos”; Lane é uma boa atriz, mas precisava de muito mais para entregar uma interpretação melhor.

Por fim o elenco recebe a ilustre presença de Milla Jovovich (Resident Evil), a atriz parece ter tomado a decisão consciente de que o longa seria fraco e utilizou a galhofa como saída, é a única explicação plausível para a versão da Rainha de Sangue mostrada nesse longa. Você se lembra da Magia interpretada por Cara Delevingne em Esquadrão Suicida? Então, as duas atuações são de níveis bem semelhantes.

A montagem do filme é atropelada, uma cena não se conecta com a outra, o senso de espaço é confuso em alguns momentos, não existem respiros na narrativa, uma decisão que pode até parecer correta pelo tom emergencial que a obra adota ao dar pouco tempo para combater a vilã, porém torna o ritmo maçante, e não consegue transitar bem entre o humor e o terror propostos pela obra.

Neil Marshall opta por levar um tipo de “Terrir”, aquele gênero que mistura comédia e terror, mas o filme não é tão engraçado assim, e também não consegue passar o básico do horror, medo. Mas é preciso dizer que ele consegue fazer uma comédia visual interessante com corpos mutilados e uma cena muito boa envolvendo um beijo para selar um acordo, a direção parece ter sido feita por um fã, muito empolgado de levar às telas o material que tanto gosta nas páginas de quadrinhos, faltou um distanciamento para observar as falhas.

Hellboy é um filme cheio de inconsistências e furos, com uma ou outra cena engraçada; se você espera o mesmo clima dos seus antecessores, talvez não seja o que procura, mas o público mais disposto a gostar de obras como Esquadrão Suicida ou do gênero Terrir deve se divertir.



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