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Na Netflix: The Dirt – Confissões do Mötley Crüe

Diante de uma história difícil de ser contada nos dias atuais, Jeff Tremaine busca no bom humor o caminho para a história dos membros desajustados da banda deixando muito longe de ser genérica e faz questão de levar o estilo atropelado do quarteto para as telas da Netflix.
The Dirt – Confissões do Mötley Crüe

Adaptado do livro homônimo escrito por Tommy Lee (baterista do grupo) baseado nos relatos de seus ex-companheiros de banda, o longa The Dirt consegue mesclar os clichês de filmes sobre grupos musicais, e ainda dar a roupagem de longa metragem besteirol, suavizando a série de absurdos cometidos pelos integrantes do Mötley Crüe.

O quarteto de Glam Metal e Hard Rock sendo um dos mais bem sucedidos e dos mais populares dos anos 1980, era marcado pelo estilo pirotécnico e extravagante que sempre foram parte essencial para o grupo e ajudou a alcançar fãs por todos os lugares que passavam.

A grande incógnita sobre a cinebiografia do Mötley Crüe seria sobre como contar uma história cheia de abusos de álcool, drogas, sexo e violência para os dias atuais, boa parte das atitudes dos integrantes já eram reprovadas na época e hoje em dia são impensáveis. Jeff Tremaine (Produtor dos longas de Jackass), encontra a resposta tratando a história do grupo como a de um filme besteirol, a abordagem é funcional pois combina com o estilo do quarteto e é assim que se capta a essência de uma banda e transforma em filme.

O filme em si é uma bagunça total, o roteiro segue aquela velha narrativa de ascensão, queda e redenção comum em obras do gênero, mas a bagunça está na distinção entre os diversos segmentos e formatos narrativos adotados pelo longa. O primeiro ato parece apressado, as soluções são simples, cada obstáculo que surge é resolvido imediatamente com uma cena de um ou dois minutos. O guitarrista da banda é ruim, eis que instantaneamente surge Mick Mars (Iwan Rheon) com seu amplificador e tudo está resolvido. O ritmo da banda não combina com a voz Vince Neil (Daniel Webber), então é só diminuir a oitava e pronto. Os quatro se reúnem envolta de uma mesa para discutir o nome da banda, após duas pequenas sugestões de nomes, Mars escreve em um papel a alcunha que colaboraria com o sucesso do grupo.

Apesar do desequilíbrio do texto, ele ainda reserva boas sacadas que colaboram positivamente para a obra. Como todos sabem, cinebiografias escondem alguns momentos, exalta outros e modifica bastante os acontecimentos, aqui não é diferente, entretanto de maneira jocosa os próprios personagens avisam que não estão fieis aos fatos, ou mesmo quando a quebra da quarta parede serve para alguém contar uma das lendas sobre o quarteto.

As atuações do elenco de The Dirt são caricatas como todo o longa e isso contribui para o humor da obra, com exceção de Nikki Sixx (Douglas Booth) que parece estar fora de ritmo, todos os outros são capazes de demonstrar as diferentes personalidades e origem dos membros desajustados do Mötley Crüe.

Ao contrário de Bohemian Rhapsody que empolga apenas por suas músicas incríveis, aqui vemos um filme que entretém e diverte apesar da boa trilha sonora, as canções estão presentes, pois fazem parte da história, não são alicerces para sustentar uma narrativa fraca.

Diante de uma história difícil de ser contada nos dias atuais, Jeff Tremaine busca no bom humor o caminho para a história dos membros desajustados da banda deixando muito longe de ser genérica e faz questão de levar o estilo atropelado do quarteto para as telas da Netflix.

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