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Crítica: De Pernas pro Ar 3

É, no fim, uma pena que uma série que brinca com sexo, tesão e erotismo o tempo todo, terminar de um modo tão – na falta de uma palavra melhor – broxante.
De Pernas pro Ar 3

Todo brasileiro está familiarizado com as comédias produzidas pelo braço cinematográfico da poderosa Rede Globo de televisão. Geralmente são filmes que seguem uma mesma receita: um ou mais grandes nomes do humor nacional como protagonista(s), uma história boba com piadas fáceis e simpáticas para toda família e uma lição de moral no final. Os exemplos são muitos. Até que a Sorte nos Separe (com Leandro Hassum, 2012), Os Homens são de Marte e é pra Lá que Eu Vou (com Paulo Gustavo, 2014) e o próprio De Pernas Pro Ar (Com Ingrid Guimarães, 2010) são alguns, mas certamente outros mais passaram pela sua cabeça enquanto estão lendo isso. Estas comédias, mesmo muito criticadas pela crítica, graças ao apelo ao público consumidor de TV costumam fazer algum sucesso e ganham continuações que também seguem uma receita: tudo igual ao anterior, mas com mais verba, fazendo com que os personagens viagem para alguma cidade famosa no mundo – Las Vegas no caso de “Até que a sorte...” (em 2013), Nova York no caso de “Os Homens são de Marte” (em 2018), do segundo De pernas Pro Ar (2012) e assim vai. Pois esta fórmula se repete ainda uma terceira vez no novo De Pernas Pro Ar 3, ainda com o elenco original, trocando a badalada Nova York pela bela Paris, mas desta vez sofrendo com uma condução bem meia-boca mesmo para as produções do gênero.

Aqui vemos Ingrid Guimarães retornando como Alice, uma mulher viciada em trabalho, dona de um império de produtos eróticos voltados para público feminino, que ainda continua com problemas para conciliar sua vida profissional e sua família (como já havia sido explorado no filme anterior). Além da trama repetida, somam-se questões relacionadas à dificuldade de Alice em lidar com o próprio envelhecimento, uma rival mais jovem no mundo dos negócios (Leona, interpretada pela desconhecida Samya Pascotto, que é de um carisma puro) e uma trama paralela envolvendo o crescimento do filho mais velho (que vem a namorar justamente com Leona, claro).

A trama batida é algo que é esperado quando assistimos a uma produção como essa, mas o problema neste terceiro capítulo da saga de Alice é que a franquia abandona muitos de seus aspectos que foram responsáveis por seu sucesso e peca, dentre outros pecados, simplesmente por não ter graça. De Pernas Para o Ar sempre se destacou neste mar de comédias globais por sua originalidade e ousadia, brincando com sexo e erotismo na tela grande, fazendo do constrangimento natural que existe na maior parte das pessoas ao falar sobre o tema uma arma ao seu favor – assim como o timing cômico e emocional de Ingrid Guimarães. Timing, inclusive, é a maior carência do longa. É gritante a diferença na qualidade da direção do responsável pelos dois capítulos anteriores, Roberto Santucci (mago deste tipo de filme também creditado por títulos como O Candidato Honesto, Loucas Pra Casar e Os Farofeiros dentre vários outros) e da nova diretora, Julia Rezende (dos dois “Meu Passado me Condena” com Fábio Porchat). Júlia Rezende não sabe conduzir os momentos de comédia nem fazer transições aceitáveis entre uma cena e outra ou ainda usar uma trilha sonora para encher a história que vemos na tela.

Boa parte das cenas são vazias, as transições entre uma sequência e outra são cortes secos e desconexos, muitas vezes fazendo parecer uma série de esquetes isoladas que não parecem conversar umas com as outras e há uma trilha de programa de auditório constrangedora para embalar todas as piadas – como aquela musiquinha antiga das esquetes de Os Trapalhões, faltando apenas a risada gravada ao fundo – que claramente não funcionam. Mesmo que se proponha, mais uma vez, a discutir o papel da mulher na família e no trabalho, sua maneira de lidar com sigo mesma num mundo em constante mudança e com um elenco ainda interessante, nem todo o carisma do mundo salva De Pernas Para o Ar 3 de parecer um filme que não precisava ser feito e acaba por nivelar por baixo – junto com outra obras pouco inspiradas da Globo – uma franquia que conseguia se destacar pela qualidade acima da média. É, no fim, uma pena que uma série que brinca com sexo, tesão e erotismo o tempo todo, terminar de um modo tão – na falta de uma palavra melhor – broxante.



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