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Crítica #2: Sobibor

Konstantin Khabenskiy (conhecido dos fãs da série Trotsky da Netflix) é bom ator e diretor, e presta um serviço à memória do Holocausto necessário em tempos confusos – o que faz com que e o tema de seu filme, infelizmente, nunca canse de ser relembrado.
Sobibor

O conceito do que eram os “Campos de Concentração” durante o período da Alemanha Nazista já é conhecido no imaginário popular. Graças a inúmeros livros, filmes, documentários e mesmo do estudo da história propriamente dita, sabemos o que foram estes ambientes onde judeus eram submetidos a trabalhos forçados, experiências insanas e exterminados pela política eugenista de Adolf Hitler. Todavia, faz parte deste imaginário acreditar que estes campos eram simplesmente abatedouros de seres humanos onde os judeus entravam aos milhares e eram assassinados quase que imediatamente, o que não representa necessariamente a verdade. Muitos prisioneiros passavam anos nos campos, migravam de um campo para outro e até tentavam fugir. Em toda história documentada do período, há apenas um caso de sucesso de fuga de um campo de concentração, em que os prisioneiros pegaram em armas, mataram seus algozes nazistas e lideraram uma fuga em massa salvando centenas de vidas. É esta história, injustamente pouco conhecida, que ganha notoriedade na produção russa Sobibor (2018) de Konstantin Khabenskiy.

O título do longa remete ao campo de Sobibor, outrora localizado no sudeste da Polônia, que funcionou de 1942 até outubro de 1943 quando uma rebelião bem sucedida deu fim a suas atividades – após a rebelião, no intuito de esconder as evidências das atrocidades cometidas no local, as autoridades nazistas destruíram o complexo e plantaram árvores no lugar. Além de uma clara preocupação com a fidelidade histórica dos ocorridos – com os personagens falando em suas línguas nativas de acordo com suas nacionalidades inclusive – o maior mérito de Sobibor enquanto filme é a sua perspectiva. Estamos relativamente acostumados com muitos jeitos de tratar o drama e os horrores do Holocausto no cinema em obras de excelência como A Lista de Schindler (Steven Spielberg, 1993), A Vida é Bela (Roberto Benigni, 1997) ou O Menino do Pijama Listrado, por exemplo. Mas o diretor – e também protagonista - Konstantin Khabenskiy escolhe mostrar o cotidiano dos campos de concentração de uma maneira muito próxima, preocupado com as relações que eram construídas naquele tipo de lugar, com a revolta, a desesperança e a conformidade com a dureza dos próprios destinos em conflito o tempo todo nos personagens. A decisão logo se mostra sábia, e é um jeito competente de construir a tensão que prepara o terreno para a já esperada rebelião ao final. Sobibor sofre do mesmo mal que Operação Valquíria (Bryan Singer, 2008) neste ponto: nós sabemos o final. A maneira de remediar esta falta de expectativa é nos dando a conhecer bons personagens para que possamos torcer por seus sucessos ou desejar seus fracassos ao longo da trama Khabenskiy consegue isso.

A abordagem, portanto, funciona e nos aproxima do que teria sido a sobrevivência naqueles campos, entre condições terríveis, assassinatos e abusos de oficiais sádicos das forças alemães, porém, é justamente este aspecto que não faz de Sobibor um filme perfeito. A opção pela narrativa mais voltada para o cotidiano e a atmosfera do período acaba deixando o filme um pouco arrastado demais – saber o desfecho também não ajuda, pois tudo que queremos ver é a rebelião, não ouvir sobre a esposa morta de alguém. Há alguns defeitos de ordem mais prática. O ator americano Christopger Lambert (o eterno Highlander) faz uma ponta como um oficial alemão sádico no filme e mais atrapalha do que ajuda. Lambert não é muito conhecido por ter uma atuação espetacular, um excesso closes em seu rosto envelhecido e uma dublagem terrível para que seu personagem fale alemão completam uma soma que faz de suas cenas as piores do filme.

Mesmo assim, Sobibor tem muitas qualidades. É lento demais para conseguir se tornar popular, mas sua riqueza de detalhes ao mostrar a vida nos campos de concentração e as realidades do tipo de gente que ia parar lá fazem dele uma produção importante – algo a se passar na escola para ilustrar o Holocausto de modo a chocar e ensinar em boas medidas. Konstantin Khabenskiy (conhecido dos fãs da série Trotsky da Netflix) é bom ator e diretor, e presta um serviço à memória do Holocausto necessário em tempos confusos – o que faz com que e o tema de seu filme, infelizmente, nunca canse de ser relembrado.



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