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Crítica: Lembro Mais dos Corvos

Com movimentos de câmera simples, Gustavo Vinagre faz com que o documentário se torne uma conversa entre amigos (Julia e o espectador), tamanha é a intimidade que das histórias e a intimidade que Julia vai desenvolvendo depois de um tímido começo até que ela cresce no espaço.
Lembro Mais dos Corvos

A simplicidade de “Lembro Mais dos Corvos” penetrada pela intensidade da protagonista Julia Katharine é (para mim) a marca principal do primeiro documentário em longa-metragem de Gustavo Vinagre. Vencedor de prêmios na 21ª Mostra de Cinema de Tiradentes, Cinema Du Réel e no festival IndieLisboa, o filme equilibra as histórias de sua personagem com o cuidado de não cair no exagero.

“Lembro Mais dos Corvos” é uma ode à sua protagonista, que durante uma noite de insônia, relembra da vida e casos cruéis que lhe aconteceram, mas sem se colocar como vítima das situações pelas quais passou: como o relacionamento com o tio-avô de 55 anos quando tinha apenas 8 ou o excesso de culpa que sente imposto pela mãe por “destruir a família” ao se tornar uma mulher transexual.

Julia fala de pedofilia, agressão, preconceito, mas em nenhum momento o filme tem a intenção de explorar as suas misérias. Muito pelo contrário. É a mulher falando por si em um movimento que se torna uma afirmação de quem é hoje e a constrói em sua singularidade, o que é a chave de “Lembro Mais dos Corvos”.

E mais ainda, o documentário mostra como o cinema foi uma verdadeira válvula de escape para Julia, a impedindo de cair em depressão. Um respiro em uma vida que por vezes a fez se sentir presa. A inspiração foi tanta que ela se decidiu se tornar cineasta e pretende dirigir somente comédias românticas “para compensar todo o romance que não tive em minha vida”.

Com movimentos de câmera simples, Gustavo Vinagre faz com que o documentário se torne uma conversa entre amigos (Julia e o espectador), tamanha é a intimidade que das histórias e a intimidade que Julia vai desenvolvendo depois de um tímido começo até que ela cresce no espaço.

Logo no começo do filme, ao falar do relacionamento com o tio-avô, Julia diz que a relação acabou porque ela “cresceu demais para ele”. A mulher transexual que conhecemos nos primeiros minutos do filme também cresce a cada história até tornar-se a Julia que temos a impressão de conhecer inteiramente ao final e que se apropria do espaço da câmera de uma forma inteiramente sua.

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