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Crítica: A Sereia - Lago dos Mortos

Em suma, em A Sereia: Lago dos Mortos é o que se pode chamar de uma enganação cinematográfica muito bem arquitetada em um gênero já acostumado em trazer pérolas contínuas de ruindade
A Sereia - Lago dos Mortos

Entre as diferentes camadas constantes do ser humano, a intensa busca pela beleza sempre será um fator determinante nas relações individuais. Seguindo este ponto, a criação da figura mitológica da Sereia é uma metáfora muito bem construída da fragilidade humana com o enaltecimento de somente do belo, ao invés de adentrar além do superficial corporal que assim terá consequências mais voláteis posteriormente dessa temporariedade fugaz da visão. Assim sendo, estando sendo utilizada desde a literatura grega com o clássico Odisseia de Homero até uma visão mais mastigável no memorável longa de animação da Disney, A Pequena Sereia (1989), há uma ideia que o uso desta criatura meio humana, meio peixe poderá criar bons resultados criativos, levando ao que é um exemplo bem oposto dessa possível realização em A Sereia: Lago dos Mortos (Rusalka: Ozero myortvykh, 2018).

No longa russo do diretor Svyatoslav Podgaevskiy, conhecido pelo trabalho em A Noiva (2017), acompanha-se a história do casal Marina (Viktoriya Agalakova) e Roma (Efim Petrunin) que está prestes a se casar. Porém, quando uma sereia má (Sofia Shidlovskaya) se apaixona por Roma pretendendo levá-lo para seu reino morto, Marina precisará livrar seu noivo deste destino insólito. Tendo inspiração em elementos do fraco A Dama da Água (2006) e do divertidíssimo A Morte do Demônio (1981), em uma primeira análise bem fria, A Sereia é um longa que em seu marketing vende uma narrativa bastante soturna e assustadora, o que é um erro de acreditar depois de assistir os cansativos 90 minutos de duração. Isso deve-se por uma criação nutrida de um investimento técnico gigantesco que se esquece do catalisador de qualquer produção cinematográfica: o roteiro.

A escrita conjunta de Podgaevskiy, Natalya Dubovaya e Ivan Kapitonov esbanja um desleixo imenso da estrutura narrativo em níveis preocupantes de coincidências forçadas (Roma é um nadador profissional, seu amigo Ilya também), desenvolvimento de personagens quase nulo (a origem da criatura é pífia) e previsibilidade constante com decisões totalmente questionáveis (ida e vinda de personagem importante, reações muito rápidas e esquecíveis, a incrível dedução da irmã de Roma, Olga). Há nessa imensa preguiça textual, uma pressa de prezar pela apresentação do terror e suspense, que infelizmente estão em uma profunda demasia de terem alguma existência em jump scares super cronometrados e um uso de câmera rápida fraco e repetitivo, e elementos românticos do casal entre os próprios e com a criatura (?), tornando uma confusão em não saber a hora de organizar qual tom narrativo será utilizado.

Em contraponto, o uso de uma fotografia, de Anton Zenkovich, com cores azuladas, verde esmeralda e amarelo dão um toque mais profissional à produção, com efeitos visuais bons e uma fotografia, no mínimo, interessante da casa com o lago. Na questão de atuação, é possível notar um esforço imenso do elenco com os diálogos ruins para representar e as situações que envolvem a água como principal componente cênico, isto é, quando a parte mais intensificadora é proposta. Entretanto, quando individualmente o roteiro não proporciona condições de boas performances, gerando um efeito de apenas operacionalidade mínima com o que está sendo proposto.

Em suma, em A Sereia: Lago dos Mortos é o que se pode chamar de uma enganação cinematográfica muito bem arquitetada em um gênero já acostumado em trazer pérolas contínuas de ruindade. Uma experiência insossa, sonolenta e que, no melhor sentido da palavra, de afogar em altos níveis de submersão qualquer divertimento esperado.


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