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Crítica: O Peso do Passado

. A história segue o conhecido estilo “vingança com as próprias mãos” e acompanha a trajetória de Erin num misto de plots que se alternam quanto a cronologia, causando intencionalmente uma confusão no espectador, que só é esclarecida ao final.
O Peso do Passado

O Peso do Passado, Destroyer no original, não é um filme inovador, ousado, nem mesmo original. Para os fãs de uma trama noir bem construída, o novo longa estrelado por Nicole Kidman entrega um produto satisfatório, que não surpreende, mas entretém. A questão é que por mais que a obra como um todo não seja de evidente destaque, o longa merece ser assistido pelo simples motivo de permitir a Kidman um dos papéis mais diferentes de sua carreira – ainda que “diferente” não seja, necessariamente, o mesmo que “melhor”.

A atriz encarna o papel de Erin Bell, uma detetive alcoólatra, frustrada e durona que há décadas se infiltrou numa gangue em uma de suas missões junto a um parceiro, o que acabou resultando numa tragédia que deu início a todo o seu futuro depressivo. Para viver a personagem, a equipe de figurino e maquiagem despiu de Kidman toda sua beleza hollywoodiana, apostando numa transformação que a aproxima do “ser humano deteriorado” – aposta essa que já rendeu o Oscar a muitos nomes no passado. Embora em poucos momentos a textura um tanto emborrachada do rosto envelhecido da personagem incomode, o visual da atriz, no geral, impressiona, já que apenas sua aparência, seu traje e suas expressões contam uma história em completo silêncio.

O filme acompanha duas linhas temporais distintas: a do presente, onde a trama acontece, e a do passado, na época em que Erin se infiltrou na gangue. É gratificante enxergar o empenho da equipe ao diferenciar a caracterização dos atores para trazer a noção de envelhecimento e juventude em cada um dos casos. Nicole consegue aparentar 20 anos em certas cenas, e quase 60 em outras, sem que tudo pareça forçado. É claro que isso também é mérito da atuação da atriz, que entrega um papel maduro e visivelmente consciente de seu local no enredo e na cena. Não se pode dizer que o desempenho da atriz é espetacular, mas ela naturalmente mergulha no clima do filme e se comunica com o todo de forma satisfatória.

O restante do elenco apresenta nomes queridos pelo público, mas que não ganham tanto espaço para acrescentar algo a história. Fica o destaque para o ator Sebastian Stan, que vive o parceiro amoroso de Erin, e entrega um papel carismático que sustenta uma química inquestionável entre o casal.

No mais, o enredo do filme não surpreende tanto. A história segue o conhecido estilo “vingança com as próprias mãos” e acompanha a trajetória de Erin num misto de plots que se alternam quanto a cronologia, causando intencionalmente uma confusão no espectador, que só é esclarecida ao final. O roteiro é fechado e coerente, mas extremamente arrastado e repetitivo em seu segundo ato.

As escolhas da diretora Karyn Kusama, contudo, constroem um ambiente sufocante e pesado que nos leva às sensações de angústia e sofrimento presentes no semblante enrugado de Kidman. A montagem é inteligente e conta com tomadas belíssimas, tanto em paisagens grandiosas, quanto em cenas fechadas.

No mais, “O Peso do Passado” cumpre seu propósito, embora vá entrar para a lista de “filmes bons, mas esquecíveis de 2019” - ainda que talvez dê as caras em algumas categorias do próximo Oscar.


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