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Crítica: O Manicômio

Se A Bruxa de Blair foi considerada uma quebra de paradigma dentro do gênero do terror, O Manicômio é um desserviço ao estilo found footage.
O Manicômio

O Manicômio é o primeiro longa metragem de terror de 2019, dirigido por Michael David Pate e roteiro co escrito com Ecki Ziedrich que, no Brasil, por questões mercadológicas da distribuidora, será lançado apenas com cópias dubladas. Estrelado por Sonja Gerhardt, Tim Oliver Schultz, Lisa-Marie Koroll e Emilio Sakraya, o filme alemão conta a história de um grupo de youtubers que invade ilegalmente o notório manicômio abandonado Heilstätten, perto de Berlim, para um desafio de 24 horas, com a esperança de viralizar um vídeo. Equipados com visão noturna e câmeras térmicas, os viciados em adrenalina planejam filmar um vídeo viral nas instalações, que dizem conter entidades paranormais. O manicômio abandonado é famoso pelo tratamento desumano aplicado aos tuberculosos durante o Terceiro Reinch e à medida que anoitece, as salas silenciosas e decadentes se transformam em algo sinistro e perigoso e eles descobrem que não estão sozinhos e não são bem vindos. A história basicamente gira em torno de uma determinada paciente que passou a assombrar o lugar.

A narrativa do longa supostamente pretende se encaixar no gênero de terror, mas provoca mais risadas e irritação em quem assiste do que verdadeiramente medo. Assistir se torna uma jornada dolorosa que só desce ladeira abaixo no assunto criatividade. Algumas referências a casos específicos de assassinatos com algumas montagens são utilizados para ilustrar a história e de vez em quando alguma atividade paranormal acontece. O grupo de protagonistas possuem uma química fraca entre si e o máximo que arrancam do espectador mais esforçado são algumas risadas em uns poucos diálogos.

A produção trabalha com a ideia de montagem de A Bruxa de Blair (1999), filmando sob a perspectiva de qual personagem está segurando a câmera no momento que as coisas acontecem, em conjunto com alguns ângulos das filmadoras que eles (personagens) instalaram no local. Entretanto, com um roteiro que se perde do início ao fim da história, nada funciona dentro do que o longa se propõe, e é cansativo ver os esforços para tentar fazer a trama parecer séria.

No que tange à construção do horror, o elemento com alguma qualidade é a direção de arte, único departamento que não trabalhou totalmente em vão. A equipe realiza um bom trabalho de acordo com o que é oferecido pelo roteiro e convence na construção dos cenários das instalações caindo aos pedaços e equipamentos antigos, apesar do sangue pouco crível em alguns momentos. De fato, o ambiente medonho e escuro é bem construído e favorável a criar uma atmosfera de terror, no entanto, o diretor opta mesmo pelos jump scares excessivos associados à trilha de áudio que sobe ao extremo para fazer alguém pular da cadeira ou acordar (já que a possibilidade de estar dormindo é viável). Mesmo assim, após 20 minutos de filme, nada mais nos assusta e os personagens perdem por total o pouco carisma que tinham e o elenco parece perdido sem saber o que fazer.

A ameaça não é interessante, o texto é preguiçoso, os diálogos sofríveis e expositivos ao extremo e o roteiro não se esforça para disfarçar os clichês e basicamente junta todos em um só local. As criaturas abomináveis surgindo do nada, uma mitologia pífia ou tampouco corpos mutilados por poderes ocultos não dão conta de espantar a sensação de estarmos diante de um fracasso generalizado. Existem sustos aqui e ali, mas nada que estimule algo além de meros reflexos sensoriais e por muitas vezes as cenas chegam a beirar o ridículo, dado o comportamento inconstante e histérico dos personagens e a fixação dos mesmos por filmarem tudo.

A direção cinematográfica é exagerada e exaustiva e nada acrescenta de novo dando apenas a sensação de uma mistura sem nexo nenhum de elementos diegéticos e não diegéticos. A sensação que acompanha a maior parte do filme é a de desinteresse e como se não bastasse se torna ainda pior nos últimos minutos, tornando a conclusão tão sem graça quanto todo o restante da trama, na tentativa de deixar um gancho para uma possível e desnecessária sequência.

Era uma ideia boa, mas tratada com tanta superficialidade e humor, que acabou se perdendo dentro do contexto. A certeza é que vai ser muito difícil alguma produção desbancar O Manicômio da lista de piores filmes de 2019. Se A Bruxa de Blair foi considerado uma quebra de paradigma dentro do gênero do terror, O Manicômio é um desserviço ao estilo found footage.

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