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Crítica: Eu Sou Mais Eu

Não há como negar que o longa conseguiu seu objetivo: um filme nível “Sessão da Tarde” que irá atrair milhares de adolescentes e preencher os adultos com uma cômica nostalgia.
Eu Sou Mais Eu

Não é de hoje que a diva do público adolescente, Kéfera, transcendeu as barreiras do Youtube para o cinema. Desde sua aparição em O Amor de Catarina, em 2016, a atriz protagonizou longas que levaram toda uma geração de jovens ao cinema, como É Fada! e Gosto Se Discute – ambos, contudo, duramente criticados pela imprensa. A Youtuber já falava desde 2014 de seu sonho de trabalhar com atuação, idealizando um projeto de se lançar nos cinemas e na tevê aberta. E, embora cada vez mais trabalhos se abram para a ídola do público juvenil, seu talento e técnicas de atuação parecem cada vez menos promissores.

É exagerado dizer que a atriz apresenta uma atuação ruim, mas nem de longe é o que se espera de alguém que já atua como protagonista de um longa pela terceira vez no cinema nacional. Ao incorporar a cantora pop Camilla Mendes, Kéfera acaba recaindo no ato mais recorrente desde o início de sua carreira: interpreta ela mesma. A figura narcisista e arrogante da personagem não entrega nada novo, e mesmo quando a reviravolta do enredo a transforma “nela mesma do passado”, a atriz acaba recorrendo a exageros caricatos e artificiais.

O roteiro fraco e clichê tampouco ajuda na construção da personagem. A história segue o conhecido modelo de “ensinamento de vida através de uma viagem para o passado”, quando a pop star Camilla é levada magicamente de volta para 2004. Entrando em desespero ao se dar conta de que não possui mais sua vida repleta de glamour, ela conta com a ajuda de seu amigo Cabeça (João Cortês) para enfrentar os antigos colegas da escola, o bullying, e a dificuldade de se readaptar a uma época completamente diferente. Assim, o enredo segue a trajetória da dupla em busca de quebrar o encantamento e mandar Camilla de volta para o futuro.

Não é preciso dizer que a fórmula da viagem no tempo é repetitiva, com um final previsível e enfadonho. A questão é que nem mesmo a tentativa do roteiro de tratar temas sérios, como o bullying, é bem-sucedida. Novamente, o longa se entrega a estereótipos, se rendendo a patricinhas malvadas, amigos idiotas e famílias sem participação na vida dos filhos.

Contudo, há um grande trunfo escondido em meio a fraqueza do roteiro, e este é o conjunto de piadas e paradoxos que nos remetem ao Brasil de 2004. Os smartphones, as músicas, as roupas, tudo nos remete a um sentimento nostálgico, e diversos momentos nos levam a dar boas risadas, fazendo com que nos aproximemos da protagonista através da comédia.

Além disso, embora a atuação de Kéfera não surpreenda, seu parceiro de cena, João Cortês, garante bons momentos em cena, proporcionando um clima descontraído nos momentos certos, assim como sensibilidade em cenas mais sérias. Pode-se dizer que a boa utilização do personagem de Cortês, junto às piadas bem feitas em relação a temporalidade, por muitas vezes ofuscam os pontos negativos do filme.

Pedro Amorim acerta em alguns pontos de direção, e erra em outros. Há um excesso de cenas em câmera lenta que por diversas vezes quebram o ritmo das cenas, mas na maior parte do tempo os quadros compostos soam em harmonia com a trama.

Por fim, não há como negar que o longa conseguiu seu objetivo: um filme nível “Sessão da Tarde” que irá atrair milhares de adolescentes e preencher os adultos com uma cômica nostalgia.

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