Loucos por Filmes

Loucos por Filmes

Destaques

Últimas

Navegue aqui

Crítica: Era uma Vez um Deadpool

O longa consegue diminuir a faixa etária, mas perde equilíbrio e não sabe exatamente qual público deve atingir, se parece com um adulto boca suja tentando segurar os palavrões na frente de uma criança de 6 anos, mas que na verdade está tentando conversar com uma de dez.
Era uma vez um Deadpool

Quando aquela pequena cena de Deadpool pulando de uma ponte e cortando cabeças de bandidos vazou na internet, não demorou muito tempo para que os fãs do personagem cobrassem dos estúdios Fox uma adaptação que fosse naqueles moldes. Ryan Reynolds, que vive o Mercenário tagarela nas telas de cinema, foi um dos fãs que brigaram pela maioridade do longa, tornando-se inclusive um dos produtores do longa, visando ter maior controle criativo, tudo isso para impedir que Deadpool fosse lançado com uma classificação para menores de 12 anos, o famoso PG-13. Bom, Deadpool 2 chegou aos cinemas em maio, Reynolds continua vivendo o anti-herói, mas agora em dezembro o filme foi relançado em sua versão menos violenta visando atingir um público mais jovem.

Em Era Uma Vez Um Deadpool, a trama do segunda longa do mercenário segue intacta, mas agora recebe inserções de Fred Savage (A Princesa Prometida e Anos Incríveis), que fora sequestrado por Deadpool para ouvi-lo contar os três atos de seu filme e recriar A Princesa Prometida (1987), um clássico da Sessão da Tarde dono de uma das melhores frases do cinema, que se você não viu, você não tem coração.

Como o longa é exatamente o mesmo lançado em maio, o trabalho é praticamente de edição, e é basicamente o que diferencia essa versão da original, a equipe precisa se desdobrar para retirar alguns enquadramentos, inserir novos, limpar um pouco as cenas, ou seja, tirar a violência gráfica responsável por uma boa dose da diversão do filme. A legenda também sofre algumas alterações mudando alguns termos, algumas frases do personagem parecem ter sido regravadas, mas o enredo é o mesmo.

O trabalho é até funcional, mas vemos que Deadpool é um personagem que necessita da violência e dos palavrões como forma de narrativa, as cenas editadas para serem mais sutis retiram o absurdo presente no cerne da personagem. A cena em que Wade revive dentro da prisão é dilacerada para um único enquadramento meio desfocado do personagem sem vida, quando na versão original a graça está em como ele morreu e não em como ele reviveu.

Outro ponto negativo da versão está na cena de Kolossus e um dos vilões que é confusa e não demonstra solução, as coisas acontecem por acontecer, e terminam pois precisam terminar. Se a presença deste vilão é quase descartável no original, aqui se torna ainda mais avulsa à trama.

O longa consegue diminuir a faixa etária, mas perde equilíbrio e não sabe exatamente qual público deve atingir, se parece com um adulto boca suja tentando segurar os palavrões na frente de uma criança de 6 anos, mas que na verdade está tentando conversar com uma de dez.

Se você já assistiu Deadpool 2, Era Uma Vez Um Deadpool não é para você a menos que queira rever o Mercenário Tagarela em tela grande. Se você não viu a versão original, será divertido e você pode até levar algum priminho menor de 18 anos, mas sem dúvidas a versão estendida e para maiores do longa é melhor.


Deixe sua opinião:)