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Crítica: Conquistar, Amar e Viver Intensamente

A emoção, certamente, cairia muito bem a este exercício intelectual pontualmente divertido de Christophe Honoré.
Conquistar, Amar e Viver Intensamente

O título deste novo filme dirigido pelo francês Christophe Honoré é constituído por verbos de forte carga semântica e emocional – seja para o leitor/espectador quanto para quem o concebeu -, recebendo um realce pelo advérbio com que se encerra. Não é uma escolha aleatória, uma vez que o diretor é conhecido por tratar de histórias amorosas intensas e disjuntivas em relação ao status quo hollywoodiano.

Assim sendo, de início, Conquistar, Amar e Viver Intensamente (Plaire, Aimer et Courir Vite, 2018) indica que fará jus ao nome: os créditos são apresentados rapidamente e em letras garrafais, em meio a uma montagem acelerada na qual vemos a interação entre o protagonista, o escritor Jacques (Pierre Deladonchamps, de Um Estranho no Lago), e outros personagens, ao som de uma animada canção francesa. Entretanto, essa vitalidade raramente é reencontrada ao longo das duas horas e onze minutos que se seguem.

Acompanhamos a história de Jacques Tondelli, um romancista parisiense conceituado que foi diagnosticado recentemente com AIDS. Um dia, em visita a um teatro de interior, ele conhece e flerta com Arthur (Vincent Lacoste), um jovem estudante bretão, aspirante à cineasta e que está explorando sua bissexualidade.

O cineasta habilmente propõe algumas brincadeiras visuais em alguns de seus palavrórios, destacando-se a conversa telefônica entre Jacques e Arthur, que, por meio de um jogo de câmera e edição, reduz (aparentemente) os dois ambientes a um único, ressaltando a substantiva conexão emocional dos personagens, surpreendendo também o espectador que esperava estar diante de uma elipse. Igualmente eficiente, o design de produção de Stéphane Taillasson usa o azul e seus derivados para referir-se à melancolia subjacente de Jacques, uma lógica aplicada tanto na cena em que ele e o ex-namorado aidético (Thomas Gonzalez) estão na banheira quanto nos segundos finais da projeção.

No entanto, esses momentos de respiro representam exceções aqui, não regras. O problema mais notável dá-se pela junção entre o casal central: preliminarmente, o roteiro parece não saber qual direção Jacques deverá seguir, se o fará relacionar-se com outros homens ou apenas com Arthur; no segundo ato, quando, teoricamente, a relação dos dois deveria ganhar aprofundamento, vemos o núcleo narrativo ficar ainda mais disperso, com personagens entrando e saindo de cena abruptamente, com pouca ou nenhuma expressividade dramática; e então, assim que Honoré decide finalmente estreitar os laços entre Jacques e Arthur, já estamos no terceiro ato e continuamos sem qualquer ímpeto de torcida organizada para a concretização do romance improvável.

Essa retardação na progressão dos acontecimentos causa um inchaço incontestável no ritmo, que se arrasta e não consegue justificar sua extensão. Ao menos, as excelentes atuações de Lacoste (uma revelação), Deladonchamps e Denis Podalydès amenizam o consequente efeito soporífero suscitado por esta empreitada.

Aliás, como um longa-metragem intitulado Conquistar, Amar e Viver Intensamente procura embasar sua tese ao trazer um relacionamento em que, de todos os verbos que o constituem, apenas a conquista é exitosa, mas o amor e a vida parecem estanques, repletos de enfado e sem qualquer recompensa para os envolvidos (incluindo aí a própria plateia)? A emoção, certamente, cairia muito bem a este exercício intelectual pontualmente divertido de Christophe Honoré.



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