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Crítica #2: Bumblebee

Esqueça Michael Bay, acredite em Travis Knight e Christina Hodson, Bumblebee é de longe o melhor filme da franquia Transformers, é emocionante, carismático e finalmente tem uma história sendo contada, algo que vá além das explosões e lutas entre Autobots e Decepticons.
Bumblebee

No ano de 2007 Michael Bay deu o pontapé inicial para franquia de brinquedos da Hasbro no cinema. Dono de um estilo megalomaníaco cheio de explosões e barulhos ensurdecedores, Transformers serviu o propósito de trazer para as telas dos cinemas o popular desenho de carros robôs que fez sucesso nos anos 80/90. Onze anos e cinco filmes depois, a franquia de longas está nas mãos de outro diretor, menos barulhento e mais preocupado com a história do que com os efeitos visuais.

Com a direção de Travis Knight (Kubo e as Cordas Mágicas), o novo longa da franquia Transformers dribla os maneirismo de direção de Michael Bay e entrega ao público uma história focada no emocional e amizade. O diretor opta por cenas de ação mais raras, menos barulhentas e visualmente mais atraentes. A luta entre veículos robôs está lá, as explosões, o senso de humor, tudo está presente, mas de uma maneira mais emocional e limpa.

Na trama de Bumblebee, Charlie (Hailee Steinfeld) é uma jovem em constante conflito com sua mãe e seu padrasto (qual jovem não é assim?), no dia de seu aniversário de 18 anos ela ganha de presente de seu tio um fusca amarelo que está literalmente caindo os pedaços. Charlie tem como hobbie concertar carros, algo que ela fazia com seu pai, então dar um jeito no fusca não seria um problema, até descobrir que ele na verdade é um robô alienígena. Em paralelo a trama de Charlie, se desenvolve a jornada do herói do personagem título que é enviado a Terra em meio a guerra em Cybertron a mando de Optimus Prime para criar um refúgio dos Autobots.

Ao iniciar com as cenas de guerra dignas de Michael Bay o longa parece não trazer nenhuma inovação, mas essa percepção muda ao avançar dos minutos onde somos apresentados a um drama pessoal de Charlie, que ao contrário de seus antecessores, é o foco das atenções.

O roteiro de Christina Hodson (Refém do Medo) subverte a ideia do amor do “homem” pelo seu veículo, algo que fazia muito sentido nos anos em que o desenho foi criado, e transforma a história do longa sobre a amizade, entre dois seres pensantes, e até mesmo de um humano com o seu animal de estimação, uma amizade até mais forte e de maior identificação. Hodson faz o mais difícil de uma adaptação, ela compreende a essência e dá algo novo, uma nova roupagem a franquia.

O trabalho de roteiro é tão cuidadoso que não deixa de lado os fãs da franquia Transformers trazendo explicações para diversos questionamentos dos personagens, passando por momentos da guerra em Cybertron, explicando como B-127 perdeu a voz, como ele mudou desse nome para Bumblebee e como ele aprendeu a se comunicar.

Por se passar no fim dos ano 80, mais precisamente em 1987, o longa tem a trilha sonora recheada de hits da época, entretanto vai além da playlist do spotify e serve a história positivamente sendo utilizada até como piada já que Bumblebee utiliza músicas para se comunicar. Não só a trilha sonora ajuda na imersão à época, como também as referências a seriados populares, a direção de arte é outro aspecto que faz um belo trabalho de ambientação.

A escolha do elenco é mais um ponto positivo da direção, a atriz e cantora Hailee Steinfeld (Bravura Indômita e Quase 18) é cada vez mais magnetizante, é impossível não vê-la como uma das mais promissoras da nova geração, sua personagem tem carisma suficiente para conduzir a trama, sua interpretação nos momentos de drama são convincente e mesmo em alguns diálogos mais fracos, a atriz entrega uma performance emocional e carismática.

O maior êxito da produção está no belo casamento entre roteiro e direção, foi necessário unir os talentos e sensibilidade de Travis Knight e Christina Hodson para enfim entregar um filme de Transformers para o fã do desenho dos ano 80, para a garota de gosta de carros, e para o garoto que vê filmes de ação, é um filme para diversos públicos e um acerto a data de lançamento.

Esqueça Michael Bay, acredite em Travis Knight e Christina Hodson, Bumblebee é de longe o melhor filme da franquia Transformers, é emocionante, carismático e finalmente tem uma história sendo contada, algo que vá além das explosões e lutas entre Autobots e Decepticons.



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