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Crítica: A Rota Selvagem

Rota Selvagem conta com ótimas atuações e com uma fotografia estonteante, é bem verdade que comete alguns deslizes na narrativa, mas de modo geral apresenta uma jornada de esperança e determinação capaz de emocionar.
A Rota Selvagem

Não importa o quanto forte você bate, mas sim o quanto você consegue apanhar e seguir em frente” – Rocky Balboa, 2005.

A frase acima é de outro filme, mas se encaixa aqui perfeitamente, pois Rota Selvagem eleva o sofrimento de um garoto que já possui uma vida difícil, para no fim te entregar o sentimento de esperança que só o cinema é capaz de dar em um mundo cheio de dúvidas.

Andrew Haigh é dono de uma sutileza ímpar que e possível ser observada em seus trabalhos anteriores, como Looking (2016) e principalmente em 45 Anos (2015). Haigh repete o bom desempenho que demonstrou em seu longa mais bem recebidos, mas claro, com um pequeno declive, afinal, era natural que o resultado não fosse tão superior.

Rota Selvagem é adaptação do livro homônimo de Willy Vlautin, e conta a história de Charley um adolescente vivendo com seu pai em Portland. Precisando de dinheiro, o jovem consegue um emprego de verão cuidando de cavalos de corrida e acaba se tornando amigo de um deles. Diversas circunstâncias acabam transformando a vida do jovem em uma espiral de infortúnios e ele decide partir para encontrar uma tia em outro estado.

O paralelo entre a vida do cavalo Lean on Pete com a de Charley é bonito, e a conexão do garoto com o equino deixa de lado aquele sentimentalismo básico de filmes sobre a amizade entre humanos e animais. A história dos dois se entrelaçam, Lean on Pete é um cavalo de corrida que nunca passa do terceiro lugar, enquanto Charley é um aspirante a velocista.

Charlie Plummer tem em mãos a missão de encarnar um personagem que o drama é inimaginável, e que a cada minuto se torna mais insuportável se manter esperançoso, sua jornada é tocante e embora por alguns instantes se pareça arrastada, na verdade se mostra o tipo de narrativa que toma o tempo necessário para se fazer compreender e absorver as informações sem se tornar maçante ou piégas. Plummer responde aos estímulos do personagem e sua atuação é segura na medida que se espera de um personagem tão carregado, Plummer consegue fazer Charley ser amado e doce, mesmo diante de situações claras de reprovação. Se existia alguma dúvida sobre o futuro do ator, Rota Selvagem pode sanar diversos questionamentos sobre a qualidade de interpretação do jovem.

Steve Buscemi está perfeito no papel, seu personagem serve de mentor para o garoto, mesmo que ele já tenha um certo talento natural no trato com os equinos, mas aos poucos as atitudes reprovatórias de Del o transforma em vilão no ponto de vista de Charley.

Travis Fimmel não possui muito tempo de tela, entretanto a caracterização de seu personagem e o jeito desleixado de Ray, demonstram ao público que embora não seja o melhor pai do mundo, ainda existe um senso de companheirismo e preocupação com Charley, o roteiro contribui nessa percepção, como quando Ray pergunta como foi a corrida do garoto pela manhã.

A cinematografia é o ponto alto do longa, o tom naturalista encontrado pelo Dinamarquês Magnus Nodenhof Jonk mistura beleza e melancolia na medida certa, repleta de pequenos quadros para se pôr na parede do quarto ou da sala de sua casa, vemos muito uso de amarelo, acentuado pelo takes de ambientação com belos poentes do sol, ao mesmo tempo que as ambientações se tornam lindas, mostram o quanto é desolador e amedrontador o caminho para o protagonista. Por diversas vezes vemos Charley isolado diante de uma paisagem sem fim.

O maior dos problemas do longa paira sobre o roteiro. Diante de uma história sobre amadurecimento e com diversas características dos filmes indies norte-americanos, a película esbarra numa narrativa episódica que fragmenta as ações em pequenos recortes da jornada de Charley. Temos o episódio com cavalos, o episódio da corrida, da fazenda, do trailer e por aí vai, porém, mesmo com a direção se esforçando para dar coesão entre os eventos, a ausência de fechamento para os acontecimentos soa como um descuido, é compreensível que o roteiro trate a história na perspectiva do jovem, mas deixa um aspecto confuso ao público. O formato episódico também contribuí para a percepção de um filme “lento”.

Rota Selvagem conta com ótimas atuações e com uma fotografia estonteante, é bem verdade que comete alguns deslizes na narrativa, mas de modo geral apresenta uma jornada de esperança e determinação capaz de emocionar.


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