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Crítica: Djon África

Para fazer jus à uma de suas qualidades, vale ressaltar apenas que a cena final do longa é inteligente e bem construída, ainda que o percurso para se chegar até ela seja extremamente desgastante.
Djon África

Djon Africa é uma coprodução entre Brasil e Portugal, que teve sua estreia marcada em 2018 pela participação numa das mais renomadas vitrines do cinema independente - o prêmio Tiger no Festival de Roterdã – e também por ter sido vencedor do prêmio da Federação Internacional de Críticos. Com uma linguagem metalinguística, às vezes clara, às vezes nem tanto, o filme utiliza de recursos simples e um estilo realista cru para dar vida a uma história que tinha potencial para emocionar.

Tal emoção, entretanto, não chega a acontecer.

O enredo acompanha a história de John Tibars Africa Noventaz, também chamado de Miguel, ou Djon África, um rapaz que vive com a avó e é constantemente reconhecido por pessoas aleatórias na rua como filho de seu pai, devido a uma extrema semelhança física que ambos possuem. Contudo, Miguel jamais conheceu o pai, e tais comparações constantes passam a intriga-lo.

O personagem não possui uma rotina interessante, nem mesmo afazeres diários, não tem sonhos, objetivos, metas, aspirações, ou qualquer mero detalhe que faça sua vida parecer minimamente interessante para o espectador. Obviamente, o filme poderia se utilizar de tal vazio para representar um “buraco” no interior de Miguel o qual ele busca preencher com sua figura paterna. Mas o longa também não escolhe esse caminho.

Miguel faz questionamentos a avó sobre seu pai, e parte numa viagem em busca do homem desconhecido como quem parte até o ponto de ônibus (como se aquilo não significasse nada demais). Talvez a inexpressividade do protagonista deva-se a atuação de Miguel Moreira, que não passa muitos sentimentos em sua expressão de “garoto malandro” que não muda nunca.

Logo percebemos que o enredo constrói uma road trip que consolida o filme, deixando subentendido que era mais importante para o personagem realizar aquela viagem, do que de fato encontrar seu genitor. E aqui o filme até ganha alguns pontos, sabendo bem como trabalhar a questão do “desejo de pertencimento” do personagem a algum lugar. O segundo ato do longa apresenta diálogos interessantes, e montagens com paisagens variadas -desde desérticas até aquáticas – que são bonitas de se ver, mas não chegam a ser fascinantes.

Infelizmente, o enredo da história se perde em meio a própria confusão do personagem que parece não sabe o que fazer da própria vida, o que faz com que pareça que o próprio filme não sabe o que fazer de seu roteiro.

O trabalho de direção reforça claramente a experiência do diretor com documentários, mas o estilo optado em questão parece não se comunicar com o objetivo do filme.

Enjoativo e arrastado, Djon Africa desaponta por desperdiçar uma história com grande potencial emotivo e reflexivo, fazendo de si mesmo um filme desinteressante.

Para fazer jus à uma de suas qualidades, vale ressaltar apenas que a cena final do longa é inteligente e bem construída, ainda que o percurso para se chegar até ela seja extremamente desgastante.


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