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Crítica: Bohemian Rhapsody

O filme não trará aos fãs uma visão diferente daquela que já possuímos da banda, mas essa não é, de fato, sua intenção. É deixado claro que a obra pretende ser inteiramente uma homenagem e não uma história original.
Bohemian Rhapsody

Um grande hino musical para arrebatar os fãs com nostalgia. Esta é a melhor forma de definirmos Bohemian Rhapsody, filme que busca contar a história de Freddie Mercury, abordando o surgimento e sucesso da banda Queen, assim como decaídas na carreira do artista e momentos marcantes de sua história.

Antes de mais nada, é preciso entender o propósito e essência do filme. Ele é, antes de mais nada, uma história musical inspirada na vida de Mercury com notável licença poética. Apesar de não criar mentiras ou fatos que destoem absurdamente da vida do cantor, diversos acontecimentos de sua história foram deixados de lado, e a ordem cronológica de muitos eventos foi alterada. Embora o filme por diversas vezes nos informe os anos nos quais se passam as cenas, a fidelidade às datas dos acontecimentos é completamente ignorada.

É na organização de seu roteiro que o filme entrega alguns pontos negativos. O primeiro ato do enredo é acelerado em demasia, pulando diversos momentos do início da carreira da banda que, caso o longa não fosse uma cinebiografia, nos causariam dificuldade em acreditar no sucesso repentino do grupo com verossimilhança. Ainda assim, entende-se que o longa preferiu aceitar o fato de que o público já conhece a base da história do Queen, preferindo gastar mais tempo de tela com sequências empolgantes acompanhadas pela trilha musical.

As músicas estão impecáveis e pode-se dizer que sãos elas que fazem o filme. As versões das canções são originais da banda, mas remasterizadas em estúdio, com algumas versões inéditas que antes haviam sido disponibilizadas apenas em vídeos de shows. É possível dizer, inclusive, que quem ouvir ao álbum lançado do filme em plataformas como Spotify e iTunes em sua integralidade, já terá 70% da experiência do filme já que ele é, basicamente, um clipe musical de duas horas de duração (o que não é algo negativo, pois isso funciona bem).

A fotografia do filme é vibrante, e a direção de cena nos entrega takes extremamente visuais e bem planejados, como um pequeno tour de poucos segundos pelo interior do trailer da banda quando este é mostrado na estrada, que percorre todo o interior do veículo até abrir a imagem da janela do fundo diretamente para um dos shows do grupo. A direção de arte e a edição trabalham em conjunto em diversos momentos, buscando recriar com fidelidade não apenas cenários, mas também momentos icônicos de apresentações.

O maior exemplo de tal fidelidade em recriações ocorre na sequência do show do Live Aid, considerado até hoje como uma das mais memoráveis apresentações de rock da história. A cena no filme é longa e bem planejada, reproduzindo em detalhes os itens espalhados pelo palco, as reações da plateia e os movimentos e expressões dos membros da banda durante a performance.

Mas a obra realmente ganha destaque e merece reconhecimento pelas atuações, acompanhadas das incríveis maquiagens e caracterizações dos personagens. Os atores Ben Hardy (Roger Taylor), Allen Leech (Paul Prenter), e Gwilym Lee (Brian May) representam com maestria os integrantes da banda, construindo uma relação de amizade e família que realmente nos convence no longa. Tal clima de união em equipe é, por diversas vezes, colocado em contraste com a excelente atuação expansiva e excêntrica de Rami Malek no papel de Freddire. Embora o ator, por muitas vezes, beire os limites de uma caricatura, percebe-se que o mesmo se entregou verdadeiramente ao papel, pesquisando a fundo os trejeitos, os olhares e a personalidade do ícone.

O filme não trará aos fãs uma visão diferente daquela que já possuímos da banda, mas essa não é, de fato, sua intenção. É deixado claro que a obra pretende ser inteiramente uma homenagem e não uma história original.

A questão é que, apesar de apresentar diversas falhas técnicas, Bohemian Rhapsody sabe certeiramente como acertar o coração dos fãs e dos críticos (que deixam de ser tão críticos pelo seu lado fã): Ignorando certos aspectos importantes na produção de um filme, e lançando todo o foco e energia em entregar uma obra nostálgica, completamente musical, resultando num tributo memorável a uma lenda do rock.


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