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51º Festival de Brasília - Mostra Competitiva (16/09) | Liberdade, Sempre Vi Cores no Seu Cinza e New Life S.A.

Fechando o 1º fim de semana do 51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, tivemos novamente a Mostra Competitiva com dois curtas e um longa-metragem de Brasília.
51º Festival de Brasília
Foto: Assessoria de Imprensa/Junior Aragão

Fechando o 1º fim de semana do 51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, tivemos novamente a Mostra Competitiva com dois curtas e um longa-metragem de Brasília. Além da programação normal, foi exibido uma sessão especial restaurada e em 35mm do clássico nacional Lance Maior, dirigido por Sylvio Back em 1968.

Impressões do 3º dia

Daqui em diante não mudam muito as impressões gerais em relação aos dias anteriores. A única que chamou a atenção nesse domingo foi que a lotação atingiu o seu máximo, deixando parte do público tanto da área de imprensa como do público pagante sentado nos corredores.

Só para reforçar: sugiro não chegar em cima da hora, principalmente nos horários da Mostra Competitiva (depois das 18:00), já que existe uma porção da sala reservada para os veículos de imprensa. O estacionamento está em obras e a forma mais fácil de encontrar vagas é nos blocos residenciais das proximidades (Entrequadra Sul 106/107). O melhor conselho é optar pelo metrô e os aplicativos de transporte. 

*Há um desconto no Uber especial para o Festival de Brasília (cód: FESTIVALDEBRASILIA).

Os filmes

LIBERDADE (Pedro Nishi e Vinicius Silva, documentário, SP, 25 min)


O bairro da Liberdade tem como parte marcante de sua história a imigração japonesa iniciada no começo do século XX. Apesar de fazer essa menção, o curta tem como foco maior fazer um paralelo com a presença dos africanos. A rotina se divide entre Aboubacar Sidibe, guineense que vive numa pensão com outros imigrantes, e a iminente chegada do jovem Yaya Sow, também vindo da mesma região.

A proposta é refletir sobre a dificuldade de manter a identidade cultural em um lugar completamente diferente de suas origens. As imagens têm poder individual e os rostos na sombra enquanto a vida acontece em volta simbolizam a humanidade renegada. Parte da história de Liberdade ganha peso quando se aprende que a praça do bairro já foi usada para execuções pela forca de escravos e marginalizados.

Há um momento climático onde a dança e os batuques africanos finalmente resgatam a terra natal, seguido de um belo plano onde a imagem genérica finalmente se ilumina. Era o momento perfeito para encerrar a projeção, mas a narrativa continua sem propósito num tempo morto, prejudicando um pouco o resultado final.


SEMPRE VI CORES NO SEU CINZA (Anabela Roque, documentário, RJ, 18 min)


A estudante Matheusa Passareli, ativista LGBTQ, aparece caminhando por um corredor em certo momento deste curta, rodado quando um grupo de estudantes, funcionários e professores protestavam em prol da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Assassinada em abril desse ano, a imagem de Passareli ganha peso junto ao importante tema do qual trata a obra. As filmagens acompanham o grupo em atividades rotineiras que preparam mais um dia com o objetivo de espalhar suas reinvindicações.

Uma pena que apesar de um tema importante e uma lembrança mais do que válida, pouco o filme consegue extrair de seu material a não ser apontar a câmera e registrar os fatos – e note que essa definição, apesar de perfeita para o cunho jornalístico, não redime a falta de uma narrativa que explore mais profundamente as pessoas, os temas e as propostas. É um caso típico de arte que torna a intenção de gritar o tema muito maior do que a confecção do próprio cinema.


NEW LIFE S.A. (André Carvalheira, ficção, DF, 79 min)


A grande equipe de New Life S.A.


Finalmente o longa brasiliense ganha seu espaço para seu próprio público.

Na trama, André (Renan Rovida) é um arquiteto responsável pelo grandioso projeto de um condomínio que promete vender a vida perfeita. Erguida em uma área de preservação e “compartilhando” parte do terreno com barracões construídos por famílias pobres, a estrutura surge destoante com o restante da realidade social e marca uma das barreiras que se tornam um motivo constante na narrativa: o muro branco que se fecha na frente de uma moradora pobre, o portão que separa o trabalhador da mansão do arquiteto e a janela automática que isola sua família do mundo exterior.

O tema geral do filme é a busca pessimista do protagonista por algum sentido quando todo o ambiente à sua volta se comporta de forma segmentada, socialmente e humanamente. Cada núcleo (os pedreiros, o mestre de obra, os vendedores) busca seu objetivo enquanto jamais parece olhar um para o outro. A crítica mais pungente é a artificialidade vendida pela New Life através de uma abordagem interessante que coloca um apartamento habitado por atores de uma “família margarina”, que, inclusive, ganha uma rima temática com a decadência da relação de André com sua mulher e filho recém-nascido.

O diretor André Carvalheira tem um bom tino para dinamizar a ação através de movimentos suaves e reveladores, embora por vezes exagere um pouco quando chama demais a atenção para a técnica. Já o roteiro de Aurélio Aragão e Pablo Gonçalo é mais irregular, acertando num humor crítico, principalmente na figura do candidato a senador, e em transformar gradativamente os breves esforços de André em uma inevitável desesperança. Por outro lado, a quantidade de ideias acaba sendo diluída à medida que vão perdendo o foco rumo ao desfecho.


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