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Crítica: O Predador

Em suma, a Fox trouxe pelas mãos de um realizador muito competente um acordar necessariamente nostálgico a um dos maiores ícones da cultura pop, algo potencialmente interessante para a atualidade.
O Predador

Na constância da evolução humana, vários passos foram dados por transformações pessoais e coletivas que guiaram para uma forma de vivência cada vez mais facilitada. Trazendo cada vez uma sensação de conforto onde não haja mais, de forma pujante, a questão mais predominante da chegada da civilização contemporânea ao seu estágio atual: a sobrevivência. Desde a evolução na pré-história chegando ao advento de novas tecnologias, a humanidade lida com estar sempre precisando buscar meios de perpetuar suas gerações por anos pelo planeta, em meio a diversas ameaças que vão de ataques por animais à criação de armamentos nucleares.

O cinema em sua essência tem o papel de mostrar diversas facetas do homem por inúmeros períodos históricos, incluindo sempre narrativas que conectam ao espectador sentimentos que vão além do simples ver, mas de sentir o que está ocorrendo na grande tela. Assim sendo, o gênero de ação é um dos mais eficientes em passar essas visões de adrenalina e tensão por meio do risco eminente proporcionado pelos atores e seus tão úteis dublês na transparência da sobrevivência. Nos anos 80, Hollywood explodiu com um leva atroz de longas ambientados em grandes cidades que invadiam os olhos do público com explosões elevadas a histórias engajantes com o papel normativo de introduzir um motivo para todos os desastres, exemplificados pelos clássicos O Exterminador do Futuro (1984), Robocop – O Policial do Futuro (1987) e Duro de Matar (1988). Porém, um longa trouxe algo diferente, saboroso à época abordada: O Predador (1987).

Dirigido pelo saudoso John McTiernan, também responsável por Duro de Matar, com o roteiro de Jim e John Thomas, estrelado por Arnold Schwarzenegger e Carl Weathers, a mistura de uma ficção científica de ação com elementos de horror contando a história de um ser desconhecido que começa a caçar um grupo de soldados nas selvas da América Central, entregou uma mostra muito peculiar de divertimento escapista, enaltecida pela ótima trilha sonora do grande Alan Silvestri e da participação do gênio Stan Winston no design do alienígena. Consequentemente com o sucesso alcançado, sequências foram lançadas ocasionando em resultados muito abaixo média, isto é, sem prezar pela qualidade apresentada do percursor desta nova franquia. Enfim, em 1990 foi lançado o desnecessário Predador 2 – A Caçada Continua (com Danny Glover como protagonista, uma escolha muito inusitada), dois crossovers com o Alien, o ruim (mas divertido) Alien vs. Predador (2004) e o execrável Alien vs. Predador 2 (2007) e um bom spin-off chamado Predadores (2010). Em 2014, foi anunciada uma nova sequência pela FOX, detentora dos direitos, levando a questionamentos do que sairia dessa empreitada, levando ao lançamento de O Predador (2018).

Servindo como uma espécie de continuação com cara de atualização do filme original, um grupo de ex-soldados é colocado à prova para proteger uma cidade interiorana da ameaça de um alienígena que deseja tomar conta da raça humana. Nessa estrutura, é possível perceber um esforço do diretor Shane Black, conhecido pelos ótimos Beijos e Tiros (2005) e Dois Caras Legais (2016) e do duvidoso Homem de Ferro 3 (2013), em quebrar a ideia de assistir novamente o longa de 87, o próprio atuou como um dos soldados na produção, em todo o seu cerne mesmo havendo semelhanças latentes nos bem fluidos 107 minutos de duração. Um elemento que se torna presente aos montes é o humor imaturo, nada politicamente correto, adicionado por Black e pelo roteirista Fred Dekker nas interações entre a “Unidade 2”, criando uma leveza imoral pelas piadas certeiras, em grande parte, entre os estereótipos dos integrantes destacando o bromance entre as atuações de Keegan-Michael Key (Coyle) e Thomas Jane (Baxley) totalmente irreverentes. Também pode ser dito de Boyd Holbrook (McKenna), interpretando o típico herói de ação sarcástico, com Trevante Rhodes (Nebraska) que geram mais personalidade ao grupo, mesmo que os personagens de Augusto Aguilera (Nettles) e Alfie Allen (Lynch) sejam pouco explorados.

Quando a atenção é tirada do grupo para o elenco de apoio, não há muito de interessante alternando em uma cientista (Olivia Munn disposta), que inexplicavelmente parece ter tido treinamento militar pesado de nível SEALS, um menino socialmente disfuncional e inteligente (na atuação sincera do jovem Jacob Tremblay) e um quase antagonista simpático (em Sterling K. Brown se divertindo). Deixando de lado a parte humana, Black é muito perspicaz na ação divertidíssima de cunho gore entregue ao espectador nas aparições muito bem colocadas do Predador em cena, muito imponente e ainda assustador. Há um uso muito técnico do CGI, na criação de sequências espaciais e áreas, com efeitos práticos tanto na cidade quanto nas florestas ao redor, destaque nas cenas noturnas, pelo corte preciso sem câmera tremida das lutas e da construção muito cuidadosa dos interiores das naves alienígenas. Infelizmente, a atenção ao roteiro não possa ser chamada de uma das melhoras.

Tendo uma história simples até demais, o desenrolar da trama revela problemas atuais de muitas produções, isto é, questões da inteligência com o espectador. Nos dois últimos atos, é existente uma preocupação inadequada de explicar vários pontos chave com diálogos expositivos ao extremo, lotados de referências biológicas que se tornam incongruentes com o universo da franquia aos poucos ficando muito incongruentes com informações passadas anteriormente relacionadas a suspeitas da vinda dos alienígenas em objetivos que são proporcionalmente válidos, mas carentes de entendimento pleno para possível percepção do público sobre o papel da humanidade com os predadores. Um ponto indiretamente influenciado pelo estúdio em querer remodelar conceitos antes estabelecidos para transmutar em algo maior, muito recorrente atualmente, desejando algo normal demais que poderá não ser totalmente gratificante de acompanhar futuramente.

Em suma, a Fox trouxe pelas mãos de um realizador muito competente um acordar necessariamente nostálgico a um dos maiores ícones da cultura pop, algo potencialmente interessante para a atualidade. O Predador (2018) não possui inovação, nem grandes competências que serão espalhadas pelo seu gênero feroz escapista, mas possui divertimento o bastante para relembrar sem medo que ver um bando de lunáticos contra uma criatura camuflada e altamente evoluída é tão ridículo de bom para apreciar por um certo tempo.


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