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Crítica #2: O Predador

O filme se apresenta como uma continuação fácil e equivocada que merecia ter recebido um foco narrativo mais nítido para entregar algo mais do que uma investida superficial na nostalgia do filme original dos anos 1980.
O Predador

Depois de cinco filmes ao longo de 30 anos, os espectadores ainda sabem pouco sobre as espécies alienígenas chamadas “Predadores”. Eles são feios, grandes, durões e caçam humanos por esporte. Apesar de uma aposta comercialmente arriscada e difícil de se transformar numa narrativa bem-sucedida e que fuja do tosco, esses ingredientes bastam para criar uma fusão de terror e ficção científica. Mas os tempos mudaram, e o público atual ama a mitologia dos personagens. Em O Predador, o filme revela o que jamais soubemos sobre esses vilões espaciais icônicos do cinema. Os fãs dos filmes já ficaram bastante decepcionados com as sequências de Alien vs Predator, que limitou uma estimulante história de monstros a uma narrativa absurda e boba, destinada ao público sessão da tarde. No geral, a franquia tem uma história de altos e baixos. O original é idolatrado, a sequência traz ideias interessantes, os filmes Alien vs. Predator (dependendo das preferências) podem ser divertidos ou ofensivos e Predadores (2010) tentou um reinício, mas não funcionou. Nenhuma das sequências pegou o que tornou o primeiro filme tão subversivo. Foi feito em uma época de heróis de ação, na era de homens grandes e fortes que se desconsertavam mentalmente enquanto enfrentavam um inimigo.

No sexto filme na franquia, Shane Black, roteirista e diretor (Homem de Ferro 3 e Dois Caras Legais), postula que os Predadores estão indo e vindo para a Terra há algum tempo e não são exatamente o segredo que costumavam parecer. Após os eventos dos dois primeiros filmes, a humanidade ainda está sendo caçada e o governo estabeleceu uma agência de defesa dedicada exclusivamente a proteger os humanos dos caçadores intergalácticos. Depois de capturar uma das criaturas, eles ficam assombrados ao descobrir que ela tem DNA humano e está sendo caçada por outro Predador, maior e uma ameaça ainda mais desagradável.

A história se inicia em uma selva (como o primeiro filme) e se move rapidamente para a cidade (como o segundo). E as correlações param por aí. Black desconstrói as intenções da premissa básica do caçador de troféus e coloca uma nova motivação da criatura que não é mais simplesmente matar humanos por esporte. Há agora bons predadores e maus predadores (sim, no plural). Predadores com aspirações utópicas, Predadores desonestos que resistem a essas aspirações utópicas e que agora têm objetivos maiores e de longo prazo. Com isso, ele nos leva à tentativa de dar ao caçador mais perigoso da galáxia uma nova chance e produz um filme que soa claramente como uma expansão de universo. Mas as razões pelas quais os Predadores vêm à Terra para caçar, o que eles planejam para o nosso planeta ficam em segundo plano e, uma vez que a verdade é revelada, centra-se em contar a história de uma equipe de desajustados que se uniram para enfrentar não apenas um Predador, mas um novo híbrido que é mais casca grossa que todos os anteriores. É o foco do filme fica sobre essa equipe de assassinos dispensáveis ​​(que a franquia já tinha usado em Predadores, de 2010), uma bióloga séria que tem habilidades de um soldado, um governo bélico e um garoto com síndrome de Asperger (que o roteiro trata como uma superpotência) e que tem a chave para derrotar o vilão. Junte-se a isso uma subtrama longa e estranha sobre cães alienígenas que estão soltos na narrativa.

O predador também é um filme engraçado, mas seu humor está mais a serviço de si mesmo. Há muitas piadas e elas acontecem todo o tempo, mesmo que sejam apenas esporadicamente engraçadas e ainda que nos momentos mais sérios do filme. É colocada tanta ênfase na comédia e tão pouco na história real que a estrutura geral acaba ganhando um tom de descuido com o gênero. Os risos fáceis são concentrados no grupo de malucos que atuam como protagonistas, tentando transformá-los num bando divertido e simpático através da exploração demasiada e caricata de suas várias doenças mentais. Mas isso rapidamente se torna cansativo até que o filme finalmente sugere que a partir de um momento eles podem superar todos os seus problemas matando soldados e monstros. O Predador original (de John McTiernan) é um filme que tem seus momentos engraçados, mas o humor serve a um propósito útil de apresentar os personagens. Além disso, parece um pouco de anacronismo em um cinema contemporâneo se utilizar de uma variedade de distúrbios como um caminho para definir personagens e direcionar pontos do enredo. Um tratamento um pouco mais sério no tom do humor, utilizando-o no sentido de pontuar a ação e a tensão, poderia ter beneficiado mais o filme.

Boyd Holbrook (Logan) é sólido como protagonista do filme. Dentro da proposta de roteiro e direção, o ator faz um bom trabalho de manter o equilíbrio da comédia e do horror com sua entrega e tem constantemente um milhão de outras coisas acontecendo ao seu redor. Pode-se dizer o mesmo sobre Olivia Munn (X-Men: Apocalipse), que trabalha bem ao lado de Holbrook, e também do elenco de apoio, embora seja difícil levar o grupo dos desajustados a sério.

Por melhor que seja o talento do elenco, eles não compensam o quanto o roteiro é uma bagunça. Black mostra ser um especialista em misturar tipos durões com piadas fáceis e confusas linhas narrativas. Os acontecimentos são editados de forma frenética, os personagens vão de um lado para o outro e a maneira como alguns chegam do ponto A ao ponto B é obscura. Ao longo do filme inclusive, parece haver algum conflito sobre se o objetivo é matar os predadores ou tentar entendê-los. O filme é cheio de barulho e energia, mas com pouca coerência e tudo na tela recebe o mesmo peso. Em um momento alguém está contando uma piada e no seguinte um cara está com os membros arrancados. E a confusão se torna mais cansativa e visualmente caótica à medida que se aproxima da sua conclusão frenética e apressada, que tenta desesperadamente ser como o filme original. Pontos de trama imprecisos e personagens que tropeçam uns nos outros se juntam a efeitos visuais saídos direto de um videogame dos anos 1990.

O filme se apresenta como uma continuação fácil e equivocada que merecia ter recebido um foco narrativo mais nítido para entregar algo mais do que uma investida superficial na nostalgia do filme original dos anos 1980. Sem dúvida irá agradar alguns fãs e deixa uma grande provocação para um próximo filme, mas talvez não tenha a capacidade de alavancar a franquia com força e recrutar novos públicos.

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