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Crítica: Megatubarão

Megatubarão é um filme estapafúrdio, desprovido de qualquer profundidade (com o perdão do trocadilho) e de alma totalmente previsível. Entretanto, sua cota de absurdos não ofende e sua ação é competente o suficiente para que embarquemos na jornada.
Crítica: Megatubarão

Um tubarão megalodonte é descoberto por uma equipe de pesquisadores americanos e chineses a mais de 11 mil quilômetros de profundidade. Uma fenda é aberta, a criatura gigantesca escapa e uma caçada incessante para impedir uma catástrofe toma forma. Um predador pré-histórico, supostamente extinto há tempos imemoriais, de 25 metros, aterrorizando reles seres humanos? Sim, é isto mesmo o que você acabou de ler.

Megatubarão (The Meg, 2018) não pode e não deve ser encarado com sobriedade ou cinismo. O longa-metragem dirigido por Jon Turteltaub é uma bobagem completa: não bastasse o fato de trazer um tubarão como antagonista, a trama é simplória e previsível, os personagens têm a profundidade de um pires e a lógica científica é absurda. Entretanto, o bom sinal é que a obra está perfeitamente consciente de suas deficiências, e não procura se levar a sério.

Responsável pelas matinês simpaticíssimas que são os dois A Lenda do Tesouro Perdido (2004 e 2007), Turteltaub, apesar da personalidade ínfima como realizador, entende perfeitamente a escala e o tom de uma aventura despretensiosa: em aspectos de linguagem, aposta em planos gerais ou panorâmicas para conferir orientação geográfica, assim como a montagem é ágil, mas não incompreensível, e a trilha sonora é palpitante sem ser brega; já no jogo cênico, o diretor aplica uma dinâmica ligeira, com respiros cômicos e dramáticos bem definidos dentro das cenas. Na verdade, qualquer cineasta poderia executar tais características tão comuns ao cinema comercial (as maiores especificidades deste são a cinematografia azulada e o design de produção, que remete ao Avatar de James Cameron).

A diferença é que a impessoalidade de Turteltaub acaba sendo um ponto positivo aqui. Se caísse nas mãos de profissionais mais bombásticos como Zack Snyder ou Michael Bay, o resultado seria, certamente, uma tolice aborrecida; se parasse nas mãos de um Marc Forster, correria o risco de ficar sisudo, ainda que bem executado. Por mais que o roteiro de Dean Georgaris, Jon Hoeber e Erich Hoeber não seja impressionante (só o desleixado diálogo usado para caracterizar o personagem de Jason Statham é suficiente para perceber que os roteiristas não são nenhum Tennessee Williams), Turteltaub aposta sutilmente em cada uma das patacoadas, seja ao criar suspense em torno do clichê do cachorrinho no meio da destruição ou com um jump scare protagonizado pelo personagem-título devorando alguém e devastando todo o cenário ao redor.

Uma pena que Turteltaub não tenha percebido a artificialidade dos personagens, divididos em estereótipos ou tipos: o outsider que é recrutado por um amigo (Cliff Curtis) a retornar para salvar o dia (Statham), os analistas bonachões (Page Kennedy, Ólafur Darri Ólafsson, Masi Oka), os orientais amistosos (Li Bingbing, Winston Chao), a chefe de operações empoderada e alternativa (Ruby Rose), o milionário norte-americano ganancioso e prepotente (Rainn Wilson). Descartáveis, são colocados em situações periclitantes e/ou eliminados sem que haja qualquer palpitação. Ademais, as dinâmicas das relações não são exploradas como poderiam, já que os pontos referenciais inexistem na narrativa, anulando o impacto de cenas em que um personagem expressa tristeza e arrependimento por uma ação passada.

Também é igualmente relapsa e incoerente parte da premissa concebida pelos roteiristas: o protagonista Jonas é convencido pelo amigo Mac a participar de uma operação de resgate assim que o nome de sua ex-esposa, Lori (Jessica McNamee), é mencionado. Ao longo da história, contudo, o interesse amoroso de Jonas vem a ser Suying (Bingbing). Afinal, o que explica a existência de Lori, que desaparece da história sem qualquer cerimônia?

A afirmação já foi feita, mas é válido reiterá-la: Megatubarão é um filme estapafúrdio, desprovido de qualquer profundidade (com o perdão do trocadilho) e de alma totalmente previsível. Entretanto, sua cota de absurdos não ofende e sua ação é competente o suficiente para que embarquemos na jornada. É só mais uma bobagem hollywoodiana efêmera e inofensiva, mas com espírito e convicção.




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