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Crítica: Ilha dos Cachorros

Ilha dos cachorros é uma bela homenagem ao cinema oriental com a assinatura de um dos melhores diretores de sua geração, o filme é doce, engraçado, e visualmente perfeito, mas pode deixar más impressões a um certo público.
Crítica: Ilha dos Cachorros

Hoje em dia assistir a um filme de Wes Anderson é quase ter certeza de ver uma obra que ao menos será divertida e de excelente qualidade.

Utilizando-se de temas abordados no cinema oriental como futuro distópico, uso de tecnologias avançadas e governo autoritário, a trama do longa trás Atari, um garoto que parte para a ilha dos cachorros para se reencontrar com seu animal de estimação. A ilha na verdade é um lixão da cidade de Megasaki, local em que todos os cachorros foram expulsos pelo Prefeito Kobayashi depois do surto mal explicado de uma doença que afetava os animais.

Ilha dos Cachorros é dirigido por um dos diretores de assinatura mais marcante dos tempos atuais do cinema, sua filmografia inclui os indicados ao Oscar O Grande Hotel Budapeste (2015) e Moonrise Kingdom (2012). Aos que já conhecem o trabalho de Wes Anderson, não vão se surpreender com a nova investida em uma animação em Stop Motion, além de inserções da estética nos filmes já citados, Anderson também dirigiu o longa animado O Fantástico Senhor Raposo (2009).

E como é divertido assistir filmes em stop motion, a animação é orgânica, você sente a textura dos animais, a sensação de ver que o que está em tela realmente existe é indescritível, mas é o mesmo sentimento que difere o CGI dos efeitos práticos. Mas o filme não se utiliza apenas desta estética, como uma espécie de uma homenagem a cultura japonesa também é visto a utilização de animações em 2D que se assemelham ao estilo de animes e mangás, como quando algum noticiário dá as caras em em televisor.

As características que tornam os filmes de Anderson tão reconhecidos, estão de volta em Ilha dos Cachorros, o uso de muitos enquadramentos simétricos, piadas visuais, um design de produção que salta aos olhos, mesmo diante de uma ilha que é menos colorida, colocando assim o ponto de vista dos próprios animais, composições e cores que parecem com obras vistas enquadradas em uma galeria de arte, e todos esses elementos se somam a uma trilha a base de uma percussão marcante de Taiko.

Se é possível enxergar Ilha dos Cachorros como uma homenagem ao cinema de Kurosawa, Miyazaki e outros nomes da terra do sol-nascente, também aos olhos de outras pessoas pode se parecer com uma apropriação cultural. E é muito difícil de entender a questão, pois mesmo diante da escolha de não legendar o idioma oriental para valorizá-lo, a decisão se torna estranha ao ter os animais e alguns personagens falando inglês, colocando assim o idioma como primeiro plano e outro com uma importância menor.

O trabalho de dublagem é excelente e todos os atores conseguem dar distintas personalidades para os cachorros, o maior destaque está por conta de Bryan Cranston que além de protagonizar a produção, também dá diversas camadas ao seu Chief, ao mesmo tempo que vemos um vira-lata durão líder de uma matilha, vemos um cachorro dócil e companheiro. Vale a pena assistir no idioma original.

Ilha dos cachorros é uma bela homenagem ao cinema oriental com a assinatura de um dos melhores diretores de sua geração, o filme é doce, engraçado, e visualmente perfeito, mas pode deixar más impressões a um certo público.

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