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Festival Varilux de Cinema Francês 2018 | Première do evento no Rio de Janeiro

O Festival Varilux de Cinema Francês 2018 acontece de 7 a 20 de junho em diversas cidades do Brasil.
Festival Varilux
Na noite desta quinta-feira, o Rio de Janeiro foi palco da abertura do Festival Varilux de Cinema Francês 2018, um dos festivais de cinema francês mais populares do mundo. A première aconteceu no Cine Odeon, um cinema histórico localizado na Cinelândia, no centro da cidade. Reuniram-se diretores, atores e atrizes da comitiva francesa com filmes em exibição no festival, bem como representantes dos órgãos responsáveis pela sua realização, para falar da importância da difusão de produções audiovisuais francesas em nosso país. E a equipe do Loucos por Filmes esteve presente para registrar o evento.

Após conquistar em 2017 o ranking de maior festival francês do mundo – com 180.000 espectadores em 56 cidades –, o Varilux pretende alcançar um público ainda maior este ano. Graças a uma parceria firmada com o SESC Nacional, o festival chegará em quase 90 cidades, entre elas, 30 cidades menores onde o cinema francês quase nunca encontra espaço – e detalhe: com sessões gratuitas nos cinemas participantes do SESC. A programação conta com 21 longas-metragens, entre os quais, Nos Vemos no Paraíso, de Albert Dupontel (em comemoração ao centenário do fim da Primeira Guerra Mundial), e o clássico Z, de Costa Gavras (comemorando os 50 anos do filme e também do “Maio de 68”). O festival também apresenta, pela primeira vez, uma seleção eclética de curtas; ademais, tendo em vista o grande sucesso na edição anterior, haverá a segunda edição da Mostra de Realidade Virtual, que apresentará 11 curtas que exploram o potencial da realidade virtual.

A delegação francesa que participou da première do evento foi integrada pelos seguintes nomes: o ator Jérémie Renier (O Amante Duplo), o diretor Yannick Renier e a atriz Zita Hanrot (Carnívoras); o diretor Fabien Gorgeart e a atriz Clotilde Hesme (O Poder de Diane); diretor Nabil Ayouch e a atriz e roteirista Maryam Touzani (Primavera em Casablanca); o ator Finnegan Oldfield (Marvin). Logo após a exibição do trailer de cada filme, seus representantes eram chamados ao palco para darem algumas palavras a respeito, que não se restringiam a comentários sobre os filmes em si, mas também a respeito da importância do festival e da satisfação por participar. Também discursaram representantes de órgãos apoiadores do evento, como das Alianças Francesas, da Air France, do SESC Nacional e da Varilux/Essilor. A cerimônia foi dirigida com muita empolgação e bom humor pelos atores Camila Pitanga e Gregório Duvivier.

Nossa equipe entrevistou o diretor francês Fabien Gorgeart, responsável pelo filme O Poder de Diane, seu primeiro longa-metragem, protagonizado pela atriz Clotilde Hesme. Após trabalhar anos com curtas-metragens, o diretor investiu em um longa que traz temas polêmicos, como “barriga de aluguel”, homoafetividade e novas estruturas de modelos familiares, sem cair em estereótipos ou na objetificação da mulher.

LOUCOS POR FILMES – O seu curta-metragem Um homem ao Mar (2009) possui um título que me remeteu quase que imediatamente ao célebre romance de Ernest Hemingway O velho e o mar – que garantiu ao autor o Pulitzer e o Nobel de Literatura. 

Esse trabalho realmente teve como inspiração ou tem alguma relação o romance de Hemingway ou é apenas uma coincidência?

FABIEN GORGEART – Não tem relação nenhuma, é uma coincidência. Mas eu espero ganhar um Prêmio Nobel também (risos).

LOUCOS POR FILMES – Então você pode me falar um pouco sobre esse curta?

FABIEN GORGEART – Na verdade, não é fácil para mim, porque é um dos curtas dos quais não tenho muito orgulho, pois acho que não deu tão certo. 

Um homem ao mar é a história de um homem que tem dúvidas sobre o amor da mulher. Enquanto está na casa do pai, de férias, ele está tão obcecado pela ideia de que a mulher não mais o ama que ele não consegue ver que o pai está morrendo na sua frente; na verdade, ele nem consegue ver isso.

LOUCOS POR FILMES – Em 2012, você dirigiu o curta-metragem O sentido da orientação, que, inclusive, foi premiado. Ele traz dois amigos (Martin, de 40 anos, e Eliott, de 30) em uma alegre fuga da vida cotidiana que acaba os levando a uma reflexão acerca de seus papéis como homens e também de suas vidas amorosas. Martin, assombrado por sua masculinidade "corrompida", embarca em uma jornada de autoconhecimento e autoaceitação do homem que ele é.

Esse mergulho do personagem em si mesmo assemelha-se ao que acontece com Tristan, no curta Um homem ao mar (2009). 

Eu gostaria que você falasse se há uma relação entre os dois curtas?

FABIEN GORGEART – Sim, absolutamente. Justamente O sentido da orientação é um curta no qual eu acredito ter conseguido ser mais coerente em relação à minha pesquisa. São filmes que questionam a virilidade: O que é ser um homem?

LOUCOS POR FILMES – No curta O diabo está nos detalhes (2012), também premiado, você nos apresentou Alexina, uma professora aprendiz que, após um exame médico, descobre ser hermafrodita. Segundo o doutor, o masculino sempre vence, portanto Alexina seria homem. Diante dessa situação, ela não vê outra alternativa que não seja abandonar a escola o quanto antes – e, consequentemente, sua querida amiga Henriette.

Podemos notar que nessa história também há uma fuga de um personagem em prol do autoconhecimento, em uma busca pela construção da própria identidade. 

Você pode discorrer sobre as peculiaridades desse processo no caso da Alexina (que lida não só com a questão da sexualidade, mas também a respeito do próprio corpo)?

FABIEN GORGEART – A história de Alexina é baseada em uma história real: de uma professora do século XIX que foi educada e cresceu com as meninas, até que disseram para ela: “Você não é uma mulher, você é um homem!”. E, para mim, é apaixonante essa questão, porque o fato de dizerem isso a ela vem perturbar a relação que ela tem com ela mesma, com a sua própria identidade. São questões que eu continuei a trabalhar nos curtas-metragens.

LOUCOS POR FILMES – Agora, vamos falar do seu mais novo trabalho: O poder de Diane é o seu primeiro longa-metragem. 

Antes de abordarmos a trama, gostaria de te perguntar: como foi a experiência de dirigir um longa-metragem após anos produzindo curtas?

FABIEN GORGEART – Para mim, foi uma consequência lógica. Faz muito tempo que eu tinha vontade de disso (de dirigir um longa), porque o que sempre me frustrou nos curtas foi que não passamos tempo suficiente com os personagens. Eu faço um cinema de personagem. Antes de descobrir a realidade do que eles são, queremos passar um certo tempo com eles. No longa, enfim, eu tenho essa oportunidade.

LOUCOS POR FILMESO poder de Diane traz à cena uma jovem que mantém relacionamentos amorosos não muito duradouros, e que aceita gerar o filho de um casal de amigos gays (Thomas e Jacques). Durante a gestação, ela se muda para a casa dos avós, no campo, a fim de encontrar tranquilidade. Mas, então, ela conhece o eletricista Fabrizio, por quem se apaixona. 

Como surgiu a proposta do longa?

FABIEN GORGEART – Diversas coisas. Primeiro, eu queria escrever uma personagem para a Clotilde. E também são histórias de vida de pessoas que vieram alimentar essa temática.

O Festival Varilux de Cinema Francês 2018 acontece de 7 a 20 de junho em diversas cidades do Brasil. Para conferir a programação completa, basta acessar o site do festival



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