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Crítica: Mudbound - Lágrimas Sobre o Mississípi

Mudbound – Lágrimas Sobre o Mississipi traz o peso de uma época difícil para alguns e muito difícil para outros.
Crítica: Mudbound - Lágrimas Sobre o Mississípi

Uma adaptação geralmente tem suas divergências da obra original. Fazê-las acontecer na tela do cinema exige muita competência da produção. No âmbito “fazer acontecer” se refere à linha de pensamento que o diretor escolher seguir, o que pode ser ou não tão aparente à obra mãe. Agora quando podemos apreciar uma adaptação tão bem produzida, que revira a cabeça e permanece conosco dias após a assistida, é gratificante ter essa imersão no filme. Mudbound é um bom exemplo disso. Ações, atuações e situações incríveis, exploradas e direcionadas no momento certo, num tiro só.

A história gira em torno de duas famílias. A moça Laura sonha em ter sua família quando encontra Henry McAllan, um homem interessado nela. Eles, juntos, se mudam para uma fazenda no chuvoso delta do Rio Mississípi após o casório. Enquanto isso, uma família negra, os Jackson, responsáveis por ajudar no plantio e na colheita, vivem ali uma luta de direitos ao passo que o filho mais velho do casal sai para servir ao exército na Segunda Guerra Mundial. Esta história carrega o encontro de duas posições e ambições muito diferentes, a relação entre brancos e negros num contexto totalmente racista e o questionamento do que cada um pode fazer estando na mesma condição, vivendo no mesmo local. O tempo todo há conflito de etnias, gêneros e classes sociais entre as duas famílias e outros personagens da trama.

Os atores são excepcionais. No papel de Laura, Carey Mulligan (O Grande Gatsby/Drive) rouba a atenção em muitas cenas junto ao personagem de Jason Clarke (Evereste/O Exterminador do Futuro: Gênesis), Henry McAllan. Outro personagem muito interessante é Jamie McAllan, o irmão de Henry, interpretado por Garrett Hedlund (Tron: O Legado/Peter Pan). O rapaz volta de uma batalha na Segunda Guerra assim como Ronsel Jackson, da família mais pobre. É mais um momento que o encontro dos dois lados das famílias onde se questionam as conturbações sociais. O jovem sonhador é interpretado por Jason Mitchell (Kong: A Ilha da Caverna/Detroit em Rebelião). Além dessas atuações memoráveis, há ainda a belíssima participação de Mary J. Blige, que faz Florence, a mãe de Ronsel, e está deslumbrante. A cantora e atriz é uma forte candidata ao prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no Oscar deste ano. Uma menção aqui para enaltecer Rob Morgan (Pária/A série da Netflix Stranger Things), que faz Hap Jackson, o pai de Ronsel. Este personagem merecia uma atenção ao Oscar, porque o que esse ator fez é indescritível.

Tecnicamente, é difícil achar um erro em toda a produção. Os envolvidos foram muito cautelosos e detalhistas com tudo. O roteiro é convincente; a fotografia (também com indicação ao Oscar e feita por uma mulher) é incrível devido ao seu uso muito bem pensado de cores e nos movimentos de câmera. Cada cena transmite uma sensação e o modo como foi gravada fez total diferença; A montagem e edição segue a mesma linha de qualidade; A direção geral de Dee Rees e direção de atores foram incríveis e muito eficazes. Basicamente, o filme acerta em grande escala nos quesitos técnicos.

Mudbound – Lágrimas Sobre o Mississipi traz o peso de uma época difícil para alguns e muito difícil para outros. Cada família tem a sua luta e o conflito de interesses se faz no enredo o ponto chave que move toda a história. Grande atuação, grande adaptação, grande produção. É um filme grandioso, em todos os sentidos, que será difícil de esquecer, felizmente.


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