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Crítica: UMA AVENTURA LEGO

O mais novo filme de animação da Warner consegue reverenciar de forma digna e fiel uma das peças que construiu a infância de muita gente: o Lego. E ao juntar toda a sorte de personagens e objetos comuns e místicos numa salada mista de referências pops e blocos coloridos o filme é capaz de aproximar-se o máximo possível que um filme pode chegar de uma brincadeira de criança. E isso meus caros, é diversão garantida.

Emmet (Chris Pratt) é um comum e feliz operário que faz de tudo para fazer amigos e ser notado, mas ninguém parece disposto a lhe dar atenção. Porém tudo muda quando é acidentalmente confundido com um lendário Mestre Construtor: ‘O especial’, ao encontrar a ‘Peça da Resistência’ objeto que faz parte de uma incrível profecia. Ele parte então numa aventura com Mega Estilo (Elizabeth Banks), Vitruvius (Morgan Freeman) e Batman (Will Arnett), para fazer algo que somente ‘O especial’ seria capaz de fazer: impedir o plano de dominação mundial do Senhor Negócios (Will Ferrell).


O primeiro ponto a chamar atenção no filme é o visual, embora seja uma mistura de stop-motion com CGI, o resultado parece ser 100% em stop-motion, o que é bem impressionante. O ‘efeito lego’ é extraordinário, até mesmo o fogo e a água são feitos desse material, isso além de promover certo grau de nostalgia torna o filme esteticamente muito criativo, sendo que só observar a lógica visual deste universo, cuja base é a construção e a desconstrução de objetos, é um espetáculo engenhoso e divertido de se contemplar. E essa lógica visual da espaço para algumas das mais engraçadas piadas do filme, como por exemplo, a enorme torre do vilão cuja sala de comando fica no 'infinitésimo' andar.

Divertido mesmo é ver que assim como as mais extravagantes construções em lego o filme não se preocupa com regras e reúne alguns dos personagens (a maioria cujos direitos pertencem a Warner) que todo mundo sonha em ver  interagindo em cena, como Dumbledore e Gandalf por exemplo. Me arrisco, inclusive, a dizer que há chances de este ser o melhor encontro de personagens da Liga da Justiça que a Warner vai conseguir nos próximos anos, dado aos fatos recentes. Além disso, é liberada também a mistura de universos, temos velho oeste, piratas, naves espaciais, animais fofinhos psicodélicos, etc.Tudo que pode compor a fantasia de uma ente infantil, que não hesita em apropriar-se e transformar referências da cultura pop.


O roteiro  é particularmente interessante pois sua narrativa expõe uma rima com vários temas associados ao material do qual o filme é feito. No início temos uma atmosfera claramente baseada em 1984, e os conceito de encaixar-se e seguir as instruções em oposição ao de criar livremente, são ideias perfeitas tanto para um mundo Lego, quanto para a distopia Orwelliana. Mais tarde temos uma reviravolta a lá 'A Origem' que justifica e legitima esse universo, e ao mesmo tempo trás um peso dramático maior ao que foi visto até então na aventura, funcionando, entre outras coisas, como uma crítica a gradual perda de imaginação e do livre pensamento ao qual o homem é submetido a medida que se integra ao 'sistema'. Jogada que poderia ser complexa demais para um filme infantil, mas é feita de forma orgânica e  integrada com as lições de moral clássicas destinada as crianças, aquelas do tipo, 'você é especial, não importa o que digam'.

Apesar de arrastar-se demais em algumas piadas, Uma Aventura Lego é material de primeira, para os que amam ou já amaram Lego, e simplesmente para os que curtem uma boa e engraçada história, um filme que impressiona não apenas do ponto de vista técnico como também de conteúdo. Em tempos como esse em que esquecemos a capacidade imaginativa das crianças, e restringimos seus objetos de consumo a obras medíocres onde o maior reduto de criatividade são piadas de peido protagonizadas por bichinhos amarelos, esta é sem dúvida uma grata surpresa.


UMA AVENTURA LEGO CRITICA

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