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Crítica: INVOCAÇÃO DO MAL

INVOCAÇÃO DO MAL
De todos os gêneros cinematográficos o terror talvez seja o menos respeitado como arte graças à eterna repetição de fórmulas que faz com que os filmes falhem em seu principal objetivo: dar medo.  Invocação do Mal, mesmo com um roteiro apenas eficiente, cumpre esse objetivo brilhantemente desnorteando um espectador já tão educado a antecipar os momentos de susto com exatidão e relembra que o problema não é o gênero mais a falta de respeito com que os realizadores e consumidores o têm tratado.

Uma família vende tudo o que tem na cidade e se muda para uma casa do campo, a partir daí, coisas estranhas começam a acontecer, fazendo com que a família contate o famoso casal de caçadores de fantasmas Lorraine (Vera Farmiga) e Ed Warren (Patrick Wilson), na esperança de que estes consigam desvendar e exterminar as misteriosas forças que perturbam essa família.
James Wan responsável pelo bom Jogos Mortais (2004) se saí muito bem trabalhando o clássico plot da casa mal assombrada, pois embora já se espere barulhos, sons estranhos e sustos, ele brinca constantemente com os clichês, e não se rende aos sustos fáceis, o que aumenta e muito a ansiedade do espectador, esta reversão de expectativa – o susto nunca está onde você imagina – cria um grau de desconforto interessante e esse é um dos grandes méritos da obra.



 O diretor é extremamente feliz também, no que diz respeito à construção da tensão no filme, temos um começo com planos mais longos, com a câmera acompanhando personagens em travelings, parecendo de fato ser um espírito observador da família. Ele intercala dois arcos dramáticos, a família e o casal Warren, e isso é enriquecedor para o filme ao contrapor um ambiente mais acolhedor e racional (?) dos caçadores de fantasmas, ao clima opressivo da casa da família Perron. Quando os dois arcos finalmente se cruzam, já houve tempo para criar laços com os personagens e isso é fundamental numa obra de terror.
Falando em personagens, o elenco é um destaque particular em Invocação do Mal, embora as garotas da família Perron não sejam particularmente marcantes (são cinco, não dá!), são simpáticas o suficiente para que nos importemos com seus destinos. Ron Livingston e Lili Collins estão muito bem, consegue passar o desespero tão bem quanto o bom clima familiar. Já Patrick Wilson entrega um Ed Warren bastante equilibrado e profissional ao mesmo tempo em que é um pai e marido amoroso. Vera Farmiga tem a melhor atuação do longa, contida e ao mesmo tempo misteriosa, suas explosões de terror são contagiantes.
Em relação à fotografia o filme faz uso de temas azulados para indicar a presença de forças sobrenaturais, e também há uma larga utilização da cor vermelha, frequentemente em companhia do azul, às vezes até como um contraponto. A recriação de época também é bastante interessante.



No mais, apesar de ter derrapado em alguns momentos, (como quando insiste em mostrar um flashback para explicar uma sutil expressão da personagem de Vera Farmiga ao entrar na casa dos Perron), James Wan, que recentemente anunciou sua despedida do terror demonstrou imenso respeito pelo gênero (inclui até uma referência nada sútil a Os Pássaros), ao criar um excelente filme que merece todos os adjetivos derivados do medo, mas é principalmente aterrorizante.

Mais: Trailers, imagens, noticias, vídeos e mais sobre Invocação do Mal.


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