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Crítica: Bling Ring: A Gangue de Hollywood

O mais novo filme da renomada diretora Sofia Coppola começa bem e consegue entreter até os últimos minutos. O filme peca em alguns momentos como muito apelativo, quase desesperado, uma coisa que não se vê nos outros filmes da Coppola, mas compensa com uma história (verídica) boa e atuações dignas.
O filme conta a história de um garoto inseguro, Marc (Israel Broussard), que vira amigo de uma garota da nova escola dele, Rebecca (Katie Chang). Essa amizade flui e se transforma em um pequeno grupo de amigos, sendo depois acrescentado por Nicki (Emma Watson), Chloe (Claire Julien) e Sam (Taissa Farmiga). O grupo de amigos tem uma obsessão em comum: fama. O glamour de Megan Fox e Lindsay Lohan, por menos glamurosas que estejam recentemente, cega-os e leva-os a esquecer e deixar para trás os princípios ensinados por seus pais - cada pai mais peculiar que o próximo. Eles descobrem numa tentativa de "sorte" que os famosos não trancam a porta de suas casas quando vão viajar e decidem entrar e roubar joias, roupas, acessórios e até dinheiro. O dinheiro sobe à cabeça dos cinco jovens e eles acabam entrando no mundo das drogas, roubando inclusive maconha e cocaína das celebridades. Cegos pelo luxo e pelo dinheiro, vivem uma vida totalmente diferente da inicialmente "planejada" como uma espécie de alternativa à realidade.
O crescimento de personagens é bem estruturado, e a atuação de Israel Broussard é boa. O personagem, Marc, tem problemas com a sua sexualidade e, por ser o único garoto do grupo, fica em situações um pouco constrangedoras em alguns momentos, que são muito bem transmitidas para o público pelo promissor ator mirim. Um dos pontos curiosos sobre o filme é a educação dada a Nicki e Sam pela mãe, Laurie (Leslie Mann) - ela "adotou" Sam e a criou como sua filha, por problemas na família de Sam. Laurie cria as garotas baseando os ensinamentos no livro O Segredo, ensinando as filhas os pontos positivos de celebridades como, por exemplo, Angelina Jolie. Laurie meio que cria um ambiente propício para o que acontece pelo resto do filme, e não é surpresa as garotas irem para esse lado. O filme afunda em si mesmo como uma onda quando crítica a futilidade e a idolatria, porém traz Paris Hilton como uma deusa.
A cinematografia é muito bem tratada e uma cena merece um olhar especial. Em um dos roubos, o grupo entra na casa e executa todo o procedimento mostrado repetidas vezes ao longo do filme, porém dessa vez, com uma camera fixa e a cena acontecendo a esquerda, quase fora do frame mostra-se também um contraste muito bom e a incrível sobreposição de luz.
Algumas coisas merecem ser observadas. O filme lembra muito, pelo menos nos dois primeiros terços, Spring Breakers: Garotas Perigosas (2012) do Harmony Korine, com uma visão mais madura sobre tudo, mas com tópicos tão semelhantes que seria praticamente impossível a Sofia conseguir fazer um filme que nem lembrasse o do Korine.
Obviamente não seria um filme da Sofia Coppola sem o rosto da Kirsten Dunst, que faz uma ponta de dez segundos como ela mesma. Emma Watson prova que a Hermione foi mesmo apenas um papel na carreira dela e que ela consegue fazer um sotaque americano quase perfeito. Quase. Em geral, o filme faz valer a pena o ingresso do cinema (rima não proposital). Por ter várias falhas no conceito, não é nem de perto o melhor filme da Sofia Coppola.


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