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Crítica: Todos os Paulos do Mundo

Todos os Paulos do Mundo é uma bela e merecida homenagem a um artista excepcional, e também a toda a história do cinema
Todos os Paulos do Mundo

Dirigido por Gustavo Ribeiro e Rodrigo de Oliveira, Todos os Paulos do Mundo é uma bela e emocionante homenagem ao artista Paulo José, um dos maiores nomes do audiovisual brasileiro com colaborações em diversos filmes, novelas e peças.

Em seus primeiros cinco minutos, os diretores tratam de situar o seu espectador de como será com exatidão o tom do longa, uma trilha forte, a voz inconfundível do ator, e imagens, imagens que não são apenas do homenageado, imagens de toda uma história, história que também é a de Paulo, mas não só de Paulo, mas de todo o cinema nacional. Apesar do filme tratar sobre a vida de uma pessoa, ele também é sobre o cinema, lugar, que como o próprio Paulo diz em uma de suas mil vozes no filme “No cinema eu me sentia ator”.

Por ser alguém de tamanha importância para os palcos e telas deste país, sua história transita entre os diversos momentos do cinema, dá época em que guardava “restos” de películas descartadas pelos cinemas do Rio Grande do Sul, passando pelo realismo do cinema novo, dos filmes de Sérgio Person, até os dias atuais, com O Palhaço (2011) ou seu próprio documentário.

A edição e montagem são feitas para exercitar a cinefilia mostrando vários trechos do ator em cena, mas sem identificar quais são as produções mostradas, serve para aguçar a curiosidade do público, que provavelmente vai procurar um ou outro filme que não tenha conseguido se lembrar o nome. A edição também mantém o filme bem dinâmico a maior parte do tempo, embora depois de uma hora seu ritmo comece a parecer menos dinâmico e deixa a impressão de que o melhor já foi contado.

Outro grande acerto da direção é o de trazer diversos atores e atrizes para lerem trechos escritos por Paulo, a escolha instiga o espectador a desvendar de quem são as vozes, e também tira do ator o fardo de incansavelmente falar sobre si. A mesma decisão emociona quando as imagens se misturam com as vozes e percebemos que além da leitura, todos que emprestam suas vozes ao filme, também admiram a história que está sendo contada.

Mesmo que durante o longa seja dito que o homenageado era bom em interpretar a si mesmo, é mostrado algo quase mágico de como os diálogos pareciam terem sido escritos sob medida para Paulo, de como ele conseguia dar emoções a cada uma das palavras de seus personagens.

Por fim, Todos os Paulos do Mundo é uma bela e merecida homenagem a um artista excepcional, e também a toda a história do cinema, mesmo perdendo o gás durante o processo, o conjunto é satisfatório e emocionante.

Me sinto filmado.

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