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Na Netflix: Shimmer Lake

Com uma boa premissa e uma execução aquém do esperado, Shimmer Lake surge apenas como mais um título no catálogo da Netflix.
Na Netflix: Shimmer Lake

Um assalto a banco não é nenhuma novidade no cinema (as empreitadas grandiosas dos ilusionistas de Um Truque de Mestre são apenas um exemplo disso), assim como o formato de narrativa não linear também não é (citem-se os cultuados Amnésia e Pulp Fiction). É justamente com a união desses elementos que se constrói a trama de Shimmer Lake, um suspense com toques de humor negro que integra o catálogo de produções Originais Netflix.

Por meio de uma estrutura temporal invertida, o filme narra um assalto a banco que ocorre em uma pequena cidade dos EUA. A história começa alguns dias após o ocorrido e vai retrocedendo até o dia em que o crime aconteceu. Acompanha Zeke (Benjamin Wakler), o xerife da cidade, que recebe o apoio de um ajudante e de dois detetives do FBI, na tentativa de prender os criminosos. Com o desenrolar da trama, percebe-se que, como já era de se esperar ao se tratar de uma história que se passa em uma cidade pequena, todo mundo se conhece, logo, os suspeitos são conhecidos do xerife, sendo um deles, inclusive, seu irmão Andy (Rainn Wilson). Assim, começam a vir à tona não só os detalhes referentes ao assalto ao banco, mas também os segredos e dramas pessoais dos personagens.

Estreando como diretor, Oren Uziel (roteirista de Anjos da Lei 2) também assina o roteiro. Apesar de partir de uma ideia interessante e potencialmente promissora, Uziel não obtém muito sucesso por não conseguir encontrar o tom da narrativa. Com isso, vemos sua produção não entregar resultados efetivos, seja na tentativa de inserir humor em uma narrativa de suspense – o que acaba não funcionando, com a pretendida comicidade ficando no ar como rastros de sua falha –, seja na percepção de possíveis dramas que não impactam o expectador simplesmente por não serem desenvolvidos, mantendo-se na superficialidade e pertencendo a personagens surpreendentemente rasos.

Vale ressaltar a importância do plot twist do filme, que requer uma atenção aos detalhes para que seja sacado. Por se tratar de uma narrativa às avessas, é necessário absorver atentamente as informações desde o início da trama para ir juntando as peças desse quebra-cabeças. O fato de a narrativa se firmar justamente no plot twist (que se sustenta graças à estrutura invertida) e este poder ser descoberto com antecedência por pessoas alertas não desmerece por completo a proposta do longa, embora aponte mais uma aposta malsucedida do diretor.

Outro ponto que merece destaque é a fotografia. O tom amarelado transmite a sensação de monotonia e pacatez, características de cidades pequenas. Essa sensação alude à solidão e a possíveis segredos (que se relacionam à noção de coisas antigas  sugestionada pelo tom amarelado), também típicos de pequenas cidades, que, se não fossem a interpretação pouco marcante dos atores e a falta de profundidade dos personagens, reforçaria de modo sensorial o peso dos dramas não explorados.

Com uma boa premissa e uma execução aquém do esperado, Shimmer Lake surge apenas como mais um título no catálogo da Netflix. Apesar de não ser um grande filme, pode ser uma interessante opção de entretenimento dentre as opções da plataforma de streaming.


Divulgaí

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