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Crítica: Quase 18

A jovem atriz está excelente no papel de Nadine, sobretudo por suas expressões, gestos e até mesmo pelas sutis manias
Crítica: Quase 18

"Você é jovem apenas uma vez... já acabou?" Começando a ser visto como a ressurreição da comédia adolescente, Quase 18 trata a adolescência - aquele período conturbado para todos - de maneira certeira, brilhante e hilária. A estreia de Kelly Fremon Craig (Recém-Formada) no cinema como diretora e roteirista se configura em um legítimo retrato dessa geração ao abordar uma parte complicada da vida de uma adolescente de 17 anos - e todos os seus dramas. Sendo uma bela surpresa, consegue resgatar aquele sentimento que havia sumido desde os filmes adolescentes de John Hughes nos anos 80. E sem precisar voltar no tempo.

Com uma narrativa agridoce, a dramédia Quase 18 conta a história de Nadine (Steinfeld), uma garota imersa em problemas, com dificuldades de se relacionar e que nasceu na geração errada - ao menos, é assim que ela se vê. Adotando uma visão dramática sobre o mundo, Nadine vê toda sua vida mudar ao perder seu pai e sua melhor amiga, quando esta começa a namorar seu irmão - quem ela odeia. A construção da personagem é excelente. Em poucos minutos e com uma narração em off da protagonista, conseguimos conhecê-la e começar a sentir empatia por ela. Adotando uma linguagem afiada e com muito sarcasmo, os diálogos são extremamente inteligentes e hilários - resultando em cenas significativas, cada uma com um toque especial próprio. Como a cena do pequeno monólogo desesperado de Nadine no espelho do banheiro de uma festa e a breve observação da protagonista ao dizer que as pessoas são divididas em duas categorias, as que conseguem se adaptar ao mundo e as que querem que uma bomba atômica caia destruindo tudo.

Assim como qualquer outro adolescente, Nadine está naquela complicada fase de amadurecimento, onde é preciso lidar com problemas inesperados, mudanças indesejáveis e as (confusas) consequências da vida. Difícil alguém não se identificar com as dramas da personagem, que consegue ser a perfeita personificação de grande parte dessa geração - seja por uma, duas ou mais características. E por meio de diálogos e até mesmo atos, Nadine levanta questões comuns entre os adolescentes - como não ter facilidade em se relacionar com quem não conhece, a obsessão por redes sociais e o excessivo uso de celulares - causando grandes reflexões em quem está assistindo. E fazendo tudo isso com um ótimo humor.

Longe de ser uma comédia forçada, tem uma forte carga dramática que funciona muito bem na narrativa. O roteiro é muito bem escrito por Kelly Fremon Craig, estruturando uma história simples com sutil genialidade por trás. A atuação de Hailee Steinfeld (Bravura Indômita e A Escolha Perfeita 2) é um dos melhores destaques de Quase 18. A jovem atriz está excelente no papel de Nadine, sobretudo por suas expressões, gestos e até mesmo pelas sutis manias. Conseguindo uma merecidíssma indicação à Melhor Atriz em Comédia ou Musical na última edição do Globo de Ouro, Steinfeld é responsável por boa parte da grandeza de sua personagem.

Woody Harrelson como o aparentemente desinteressado e irônico professor Bruner, também se destaca - apesar de aparecer menos do que o esperado. O ator está excelente como um personagem que vai muito além do que se vê. O restante do elenco acompanha Hailee e Woody, porém, sem grandes atuações. Haley Lu Richardson (Os Últimos Sobreviventes) como Krista (a melhor amiga de Nadine), Blake Jenner (Jovens, Loucos e Mais Rebeldes) como Darian (seu irmão) e Kyra Sedgwick (Nascido em 4 de Julho) como Mona (sua mãe) são os elos fracos do elenco, entregando atuações pouco convincentes expressivamente. No entanto, nada que influencie negativamente e chegue a interferir na trama.

Outro ponto interessante de Quase 18 é sua trilha sonora, repleta de músicas atuais, agitadas, tristes, ecléticas, alternativas e com ares oitentistas - o perfeito retrato dessa geração. Construindo uma atmosfera que harmoniza perfeitamente com a linguagem do filme. Com músicas de Two Door Cinema Club, Aimee Mann, The Pixies, Beck, Cage the Elephant, Birdy, The 1975 e outras bandas contemporâneas. Com o auxílio de uma cinematografia cuidadosa, a direção de Kelly Fremon Craig é dinâmica e inteligente, com takes engenhosos e alternativos. A cena inicial focada primeiramente nos passos e gestos apressados de Nadine na escola, ao som de Who I Thought You Were, é incrivelmente bem pensada.

Destacando as cores fortes dos cenários e figurinos, a fotografia de Doug Emmett (Alex of Venice e Complicações do Amor) cai perfeitamente nos moldes estruturados do longa. Desde o azul forte da jaqueta de Nadine às luzes brancas refletidas pelos aquários no petshop Petland, há um excelente trabalho nas palhetas de cores e nas luzes naturais. Os figurinos são outra excelente maneira de retratar essa geração, bem diferentes uns dos outros dependendo das personalidades de cada personagem.

Quase 18 narra os acontecimentos daquela parte "chata" de nossas vidas onde tudo parece o fim do mundo, de maneira divertida e inventiva, carregada de uma simplicidade realista e deliciosa. A história de amadurecimento de Nadine, serve como um grande espelho para essa geração - forçando-nos a refletir diversos assuntos ligados à adolescência e todos os seus afins. Mostrando que devemos aprender com nossos próprios erros. E ver que as soluções para aqueles problemas tão impossíveis de resolver aos nossos olhos estão logo na nossa frente, basta sermos capazes de abrir nossos olhos para perceber que eles estão ao nosso alcance. De modo genial, Quase 18 retoma um gênero já esquecido (e até mesmo, generalizado) no cinema. E se torna um dos melhores filmes dessa última década que capturam perfeitamente esse sentimento de ser um adolescente - com todas as suas "tragédias".


Divulgaí

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