Loucos por Filmes

Loucos por Filmes

Destaques

Últimas

Navegação

Lista Interativa – Os 15 Melhores Filmes de Zumbis

Peguem suas escopetas, metralhadoras, machados, facões, cortadores de gramas e pás (!); cubram a maior parte do corpo para evitar mordidas e arranhões; coloquem a aeróbica em dia; encontrem um helicóptero ou vão a um shopping mais próximo para se protegerem.
Lista Interativa #1 – Os 15 Melhores Filmes de Zumbis

Você cinéfilo, amante da sétima arte, nerd, geek, louco por filme ou que simplesmente gosta de passar um tempo se divertindo assistindo a alguma película, nós do “Loucos por Filmes”, assim como você, adoramos uma lista temática de cinema. Afinal de contas, qual louco por filmes nunca se pegou às duas da manhã em frente a um computador lendo uma lista de cinema sobre os temas mais malucos possíveis como “As 10 cenas mais insanas de Nicolas Cage” ou até “Os 10 crossovers de personagens de Johnny Depp que poderiam acontecer em um filme de terror” (!)?

Não somente ranquear os filmes em listas temáticas, nós também gostamos de ouvir a opinião dos nossos leitores. Portanto, criamos uma nova coluna no site chamada “Lista Interativa”; onde vocês poderão escolher, por meio de uma votação, a posição de cada filme listado; sendo que, ao final da votação, será produzido um texto especial anunciando os resultados obtidos e pequenas resenhas sobre cada um dos filmes.

Novas enquetes serão lançadas mensalmente, com temas pertinentes a novos filmes que serão lançados no Brasil no respectivo mês ou em comemoração a algum filme memorável aniversariando naquela data. A escolha dos filmes participantes da votação será feita por listagens pré-estabelecidas por portais de cinema renomados como “Rotten Tomatoes” ou “IMDb”; mas quem decidirá o ranking será você, nosso leitor louco por filmes!

Para estreia dessa nova coluna, resolvemos comemorar o lançamento do esperado Resident Evil 6 – O Capítulo Final e chamamos vocês, nossos leitores, para ranquear “Os 15 Melhores Filmes de Zumbi do Cinema”.

Para a escolha desses 15 filmes, nos baseamos no banco de dados do portal “Rotten Tomatoes”. O determinado site é o mais antigo e famoso site de coleta de opiniões online de críticos de cinema de importantes jornais/revistas/websites do mundo inteiro; além de também coletar notas e reviews de usuários.

Os filmes considerados para a enquete não foram apenas os longas que possuem zumbis de acordo com o que o MESTRE George A. Romero estabeleceu a partir do clássico A Noite dos Mortos-Vivos em 1968: mortos-vivos canibais e sanguinários que transformam outras pessoas em zumbis através da mordida. Também foram considerados os filmes de mortos vivos assassinos envolvendo magia negra e feitiçaria (como nos clássicos Zumbi, a Legião dos Mortos de 1932 ou no posterior A Maldição dos Mortos Vivos de 1988); experimentos científicos (Re-Animator – A Hora dos Mortos Vivos de 1985) e também filmes que apresentam criaturas zumbis possuídas por demônios, como na clássica e divertida trilogia Evil Dead de Sam Raimi; além de zumbis parasitados por outras criaturas (como em Calafrios de 1975 e A Noite dos Calafrios em 1986).

Apesar de ter ficado decidido por um tradicional “Top 15”, isso não quer dizer que não gostamos, ou consideramos, vários outros excelentes filmes de zumbis. Os parâmetros para decisão dos 15 filmes listados foram: 1 – nota do filme no “Rotten Tomatoes”; 2 – importância do filme para o cinema de terror; 3 - relevância para a época em que foi lançado e 4 - popularidade. Aproveitem o espaço dos comentários para citarem outras preferências que não estão listadas na matéria.

A enquete contou com 3891 votos dos frequentadores do site. Para o desempate de filmes que receberam a mesma quantidade de votos, foi utilizada uma média das notas do “Rotten Tomatoes” e do “IMDb”.

Como vocês conferirão, muitos filmes mais antigos da lista (alguns, clássicos) foram pouco votados; o que é natural, já que os jovens loucos por filmes possuem maior conhecimento sobre os filmes mais recentes. No entanto, é uma ótima oportunidade para procurar e assistir aos filmes mais clássicos, já que foram eles que nortearam os padrões e referências que as películas mais atuais utilizam.

Sem mais delongas, peguem suas escopetas, metralhadoras, machados, facões, cortadores de gramas e pás (!); cubram a maior parte do corpo para evitar mordidas e arranhões; coloquem a aeróbica em dia; encontrem um helicóptero ou vão a um shopping mais próximo para se protegerem; evitem cemitérios onde haja uma festa de punk rockers; não leiam o Necronomicon e preparem-se para revisitar universos apocalípticos de mortos-vivos pútridos comedores de carne humana com várias mensagens e simbolismo acerca de nossa sociedade.

15º Dia dos Mortos (Day of the Dead, 1985) de George A. Romero

0% dos votos

Dia dos Mortos é a conclusão da trilogia clássica de George A. Romero sobre zumbis, que mais tarde seria expandida em uma série que ainda conta com o excelente Terra dos Mortos e os controversos Diário dos Mortos e Ilha dos Mortos.

Nunca entendi porque o filme não é tão querido pelos fãs quanto os dois filmes anteriores, pois Romero entrega uma direção extremamente acurada e a tradicional inteligência em suas mensagens sociológicas. Desta vez, o diretor critica a natureza belicosa do ser humano através do militarismo (o filme se passa em uma base militar subterrânea); além de também tecer um comentário interessante sobre a ética envolvida em pesquisas científicas.

Ainda melhor é ver como Romero aproveita as situações e personagens para, além de realizar seus comentários sociopolíticos, expandir a natureza das icônicas criaturas que ele criou: o zumbi Bub é trabalhado de uma forma EXTREMAMENTE bem desenvolvida, coerente e delicada. O resultado é que Romero consegue nos fazer desenvolver empatia pelos vilões improváveis (!) e criar um dos mais emblemáticos personagens do cinema de terror mundial.

O trabalho de maquiagem realizado aqui é ainda melhor que nos filmes anteriores, demonstrando uma coerência inteligente com o realizado anteriormente: se em Despertar dos Mortos as criaturas recém-transformadas estão cianóticas e pálidas, em Dia dos Mortos (anos após Despertar) os zumbis já estão putrefatos e com extensas lesões necróticas e purulentas.

Em harmonia a uma ótima trilha sonora que mescla a melancolia à urgência da situação (com os toques de sintetizadores nostálgicos dos anos 80), a direção de Romero se mostra cheia de energia e parece não dar um sopro de tranquilidade do início ao fim (a montagem dinâmica, e a movimentação dos atores pelos ambientes, ajuda muito nesse quesito). Aliás, Romero dirige seus atores com maestria para todos demonstrarem o mesmo tom de agressividade e tensão após tanto tempo vivendo naquele local tão sufocante.

Além disso, Romero continua, como ninguém, a explorar os momentos de morte e gore. A catarse do diretor é um verdadeiro banquete para sua horda de zumbis.

Dia dos Mortos fecha uma trilogia clássica com chave de ouro. Uma obra que merece ainda mais revisões e reconhecimento do que possui.

IMDb: 7,2/10. Rotten Tomatoes: 82%.



14º Re-Animator – A Hora dos Mortos Vivos (Re-Animator, 1985) de Stuart Gordon

0% dos votos

1985 foi um ano muito especial para a expansão dos filmes de zumbis. Além do pai das criaturas retornar ao seu universo em Dia dos Mortos, e Dan O’Bannon cria uma homenagem divertida às criações de Romero em A Volta dos Mortos Vivos, ainda tivemos o italiano metalinguístico Demons – Filhos das Trevas e o satírico A Coisa (aquele das pessoas que comiam um marshmallow e viravam zumbis ocos!).

Porém, um dos maiores sucessos do gênero da época, e que se mantém na memória dos fãs até hoje, é Re-Animator – A Hora dos Mortos Vivos, criativa adaptação de uma história de H.P. Lovecraft.

O diretor Stuart Gordon (que posteriormente dirigiu o igualmente bacana Do Além), é inteligente ao não levar sua absurda premissa (que envolve um soro capaz de reanimar tecidos mortos) a sério demais a ponto de soar tolo. Hábil ao criar um paralelo com Frankenstein (claro), Gordon confere muita personalidade aos seus vilões para criar momentos de humor negro (o Dr. Hill é idealmente odiável); além de incitar surrealismo por elementos de cena (reparem no verde florescente supersaturado do soro) e até a apoteótica sequência final.

Além de evocar Psicose em sua atmosférica trilha sonora, o filme ainda apresenta efeitos especiais e maquiagem que fazem justiça à incrível (e bizarra) imaginação de H.P. Lovecraft ao personificar as horrendas criaturas.

E se os atores do filme não demonstram muita expressividade, ao menos seus exageros são usados a favor do tom quase paródico do filme. O próprio Jeffrey Combs (que esteve também em Do Além e Necronomicon: O Livro Proibido dos Mortos) faz de Herbert West uma caricatura que combina perfeitamente com o clima da história.

Muito reprisado na televisão brasileira na época do “Cine Trash”, Re-Animator – A Hora dos Mortos Vivos é um filme de terror que diverte muito pela despretensão e criatividade.

IMDb: 7,2/10. Rotten Tomatoes: 94%.



13º A Noite dos Mortos Vivos (Night of the Living Dead, 1990) de Tom Savini

3% dos votos

Um dos poucos exemplos de refilmagens que honram a qualidade e valor do filme original, esta versão de 1990 foi o primeiro trabalho de direção de longa-metragem do mestre da maquiagem Tom Savini; além de ser roteirizado pelo próprio George A. Romero.

O roteiro de Romero utiliza o mesmo princípio básico do filme original. Desta vez, o filme não foca exatamente na tensão racial que fez o filme de 1968 tão pungente, mas sim, no âmago selvagem, egoísta e frio da natureza humana em situações extremas. Devemos lembrar que nos 22 anos de diferença entre os dois filmes, o mundo teve a oportunidade de testemunhar os registros fotográficos e de vídeo dos maiores horrores da vergonhosa Guerra do Vietnã.

Além desta temática sempre atual, o filme também demonstra muita inteligência ao evoluir a personagem Barbara (Patricia Tallman, Comando Assassino) de mulher passiva e catatônica para uma mulher decidida que toma as rédeas da situação e vira dona do próprio destino. Tony Todd (o eterno Candyman de O Mistério de Candyman) e Tom Towles (Um Dia de Cão) também apresentam excelentes interpretações, demonstrando uma química rivalidade que pulsa na tela.

O diretor Savini demonstra incrível segurança neste seu primeiro longa. Aproveitando uma fotografia de cores fortes e quentes que tornam a situação ainda mais sufocante (Frank Prinzi), Tom Savini trabalha a ambientação do filme com excelência, explorando as panorâmicas e planos gerais das matas e campos ao redor da casa de modo melancólico e enervante ao mesmo tempo; sendo que a atmosfera bucólica destes locais, banhados por uma intensa lua cheia durante a noite, se torna cada vez mais aterradora à medida que, gradualmente, chegam novas hordas de zumbis.

Já o interior da casa é filmado por Savini sempre com planos mais fechados, nos passando a sensação de claustrofobia necessária; ainda intensificado pela montagem que privilegia a movimentação dos personagens pelo ambiente e, consequentemente, a urgência da situação. Destaque também para o trabalho de som realizado no filme, que nunca deixa de manter ao fundo os rosnados, grunhidos e batidas dos zumbis por todo o redor da casa, mesmo quando há diálogos em primeiro plano.

Divertido ainda pela exploração imaginativa da caracterização dos zumbis (das mais variadas possíveis) e pelas intensas cenas de gore (maquiagem e efeitos práticos EXEMPLARES), A Noite dos Mortos Vivos de 1990 modifica o final do filme original, mas mantém o mesmo tom amargo e irônico do primeiro.

Um dos GRANDES destaques do terror dos anos 1990.

IMDb: 6,9/10. Rotten Tomatoes: 68%.



12º Fome Animal (Dead Alive/Brain Dead, 1992) de Peter Jackson

3% dos votos

Considerado um dos melhores filmes trash gore de todos os tempos, Fome Animal fez por Peter Jackson o mesmo que The Evil Dead – A Morte do Demônio fez por Sam Raimi. Provou que um diretor talentoso pode “nascer” em qualquer gênero e independente de orçamento; o que realmente vale é a criatividade.

E Jackson prova que possui criatividade de sobra em Fome Animal, já que aproveita todas as oportunidades de um universo cartunesco digno de Tex Avery e Freakazoid. Desta forma, o cineasta filma suas situações cada vez mais surtadas com uma câmera ágil que sabe fazer os closes e planos detalhes dramáticos para inspirar humor (como ao enaltecer as reações horrorizadas do protagonista Lionel); abusa de uma trilha sonora maniqueísta que pontua cada passagem com o exagero divertido para o clima debochado (reparem no tema romântico da personagem Paquita); e ainda uma montagem vigorosa que imprime um clima de desenho animado que não nos deixa nunca levar aquelas situações absurdas a sério (o passeio do bebê-zumbi no parque é HILÁRIA).

Unido aos efeitos especiais e a maquiagem que se tornam um verdadeiro festival de sangue, vísceras, carne, secreções, gosmas e nojeiras das mais variadas possíveis (o final com o cortador de grama é uma verdadeira catarse splatter), Jackson ainda usa sua invencionice ilimitada para nos apresentar a personagens insanos. A galeria é tão extensa, e maluca, que vai desde um padre caçador de zumbis que luta Kung-Fu (!) até um bizarro veterinário ex-nazista (!!). Mas como não se divertir desde o início do filme com a descoberta do horrendo macaco-rato de Sumatra (!!!)?

Engraçado, exagerado, intenso e com surpresas cada vez mais nojentas e insanas a cada novo minuto de projeção, Fome Animal é o ápice de um filme de zumbis em um universo de imaginação ilimitada de desenho animado.

Um dos melhores filmes de Peter Jackson e um marco inesquecível do cinema de terror.

IMDb: 7,6/10. Rotten Tomatoes: 88%.



11º Uma Noite Alucinante 2 (Evil Dead 2 – Dead by Dawn, 1987) de Sam Raimi

3% dos votos

Basicamente uma refilmagem do filme original, Uma Noite Alucinante 2 retoma toda a direção virtuosa e imaginativa de Sam Raimi do primeiro filme, com maior disponibilidade de recursos (o orçamento foi consideravelmente maior) e ainda mais humor negro (deliciosamente despudorado!).

Com uma câmera voadora que faria o Peter Jackson de O Senhor dos Anéis ficar com inveja, além de um trabalho de montagem cheio de timming, Raimi cria um exponencial da fluidez de movimentos de câmera já explorados no primeiro filme para denotar um ritmo realmente “alucinante”. Prestem atenção em como o filme transmite energia e entusiasmo inebriantes somente com um personagem, sozinho em uma floresta, durante todos os 40 primeiros minutos do filme.

Além disso, Raimi cria um tom de horror cartunesco muito caro ao estilo do filme e que se tornaria uma marca pessoal, assim como para Joe Dante (Grito de Horror, Gremlins). Reparem nas angulações sugestivas (por exemplo, no momento que Ash encontra o Necronomicon); nos closes dramáticos (principalmente nos olhos expressivos dos personagens em momentos de horror); e nos quadros bem arquitetados (como na cena de Ash durante o pôr-do-sol).

A maquiagem e efeitos práticos do filme também são muito bem realizados, explorando desmembramentos, sangue e gosmas das mais diversas formas e cores. Destaque para a mão amputada e possuída de Ash (que inspirou o engraçado A Mão Assassina, posteriormente), e os zumbis-demônios que se transformam em criaturas cada vez mais bizarras com o passar do tempo (o stop-motion é fantasticamente executado).

O filme ainda traz de volta um INSANO Bruce Campbell; utilizando mais ainda de sua canastrice para criar uma caricatura proposital do “herói comum americano”. Campbell é responsável por momentos de humor físico impagáveis que referenciam Os Três Patetas, como em sua luta com a mão possuída. Já sua caracterização com um braço de motosserra e uma espingarda se tornou uma imagem icônica do cool para todos os fãs do gênero; tornando Ash um herói do cinema B assim como Snake Plissken, por exemplo.

Igualmente engraçado e horripilante, Uma Noite Alucinante 2 é a obra-prima de Sam Raimi. Um triunfo do gênero no pico de sua criatividade e talento.

IMDb: 7,8/10. Rotten Tomatoes: 98%.



10º A Noite dos Mortos Vivos (Night of the Living Dead, 1968) de George A. Romero

3% dos votos

Simplesmente o filme que criou os “mortos vivos” da forma como os conhecemos hoje.

Lançado no panorama contestador da contracultura americana, A Noite dos Mortos-Vivos se tornou o filme independente seminal que contribuiu para a queda da indústria controlada pelos grandes estúdios e se tornou um dos símbolos da Nova Hollywood. Afinal, como disse John Carpenter: “Todo cineasta independente foi influenciado de alguma forma por A Noite dos Mortos Vivos”.

George A. Romero (pausa para reverência) utiliza seu, até então inédito, universo de apocalipse zumbi para criar um “filme de câmara” (vários personagens confinados em um espaço fechado, sob muito estresse). O filme se beneficia MUITO da evocativa fotografia em preto-e-branco (fuja da versão colorizada) e da ambientação soturna em uma cabana rural próxima a um cemitério.

Além disso, essa obra-prima trouxe alguns elementos aos filmes de horror que eram, até então, inéditos no cinema de gênero, como gore explícito, cenas de canibalismo (muito controversas na época) e, claro, a caracterização do zumbi moderno. Além disso, teve a coragem de trazer um protagonista negro em um inteligente comentário sobre a intolerância do ser humano às diferenças, mesmo frente a situações de desespero que demandam união e empatia.

A contextualização sociopolítica do filme de Romero foi tão marcante que se tornou quase uma regra em todos os filmes de zumbi posteriores.

Um grande clássico do cinema que provou, assim como o anterior “Vampiros de Almas”, que o cinema de terror consegue criar obras que funcionem tanto como exercício de gênero, quanto metáfora social.

IMDb: 8/10. Rotten Tomatoes: 96%.

Filme completo no YouTube (Domínio Público):


9º A Volta dos Mortos Vivos (The Return of the Living Dead, 1985) de Dan O’Bannon

5% dos votos

Oriundo da divertida parceria que fez com John Carpenter em Dark Star, e do sucesso absoluto de Alien – O Oitavo Passageiro (o qual roteirizou), Dan O’Bannon havia ensaiado um filme de zumbis em Os Mortos Vivos de 1980; mas foi com A Volta dos Mortos Vivos que ele marcou seu nome na história do gênero.

Criando seu universo ao partir do princípio que os acontecimentos do filme original de Romero realmente aconteceram, O’Bannon utiliza a metalinguagem a seu favor para explorar um ambiente macabro de mortuária e cemitério (um design de produção realmente atmosférico) para posicionar seus personagens. Além disso, o diretor é inteligente ao utilizar as limitações artísticas de seus atores a favor do humor do filme (o exagero de James Karen, por exemplo, é de chorar de rir).

Imensamente divertido, o filme ainda foi responsável, assim como A Hora do Espanto, por iniciar uma onda de filmes de comédia/terror, como os filmes de Freddy Krueger a partir de Os Guerreiros dos Sonhos, Os Garotos Perdidos, A Bolha Assassina e tantos outros.

O filme ainda inova ao trazer zumbis ágeis e rápidos (muito antes de Extermínio e Madrugada dos Mortos) e ao criar uma justificativa divertida em seu absurdo para a epidemia zumbi naquele local. Embora o trabalho de maquiagem seja mais modesto, o diretor é hábil ao utilizar o aspecto sujo e chuvoso do ambiente a seu favor, porém, deve-se destacar o antológico zumbi derretido, que traz um dublê com excelente trabalho corporal e visual com aspecto viscoso e liquefeito perfeito para a criatura.

Vale destacar ainda a participação da “musa” do cinema de terror B, Linnea Quigley (A Noite dos Demônios), que fez de Trash a personagem mais icônica do filme. Já o tema musical “oitentista”, que traz um ar de ficção científica B dos anos 50, combina maravilhosamente com seus letreiros propositalmente bregas. Tudo no filme inspira a cara do terror dos anos 80.

Recheado de canções de punk rock, A Volta dos Mortos Vivos possui um clima divertido de empolgação que se mantém até sua irônica e inesperada conclusão.

IMDb: 7,3/10. Rotten Tomatoes: 91%.



8º [REC] (Idem, 2007) de Jaume Balagueró e Paco Plaza

5% dos votos

Oriundo da Espanha, o found footage [REC] é praticamente uma versão mais extensa da violenta cena de invasão ao prédio do primeiro ato de Despertar dos Mortos com a estética de filmagem amadora, até então, não muito utilizada no cinema de terror após o sucesso de A Bruxa de Blair em 1999.

Na verdade, de amador o filme de Jaume Balagueró e Paco Plaza não tem nada. Primeiramente, a fotografia crua de Pablo Rosso é muito bem utilizada, tanto para criar uma atmosfera mais realista tradicional do found footage, como também recurso narrativo para criar mais tensão nas cenas de terror em ambientes escuros (já que a falta de mais pontos de luz, ou mesmo a visão noturna, possibilitam sugestões interessantes de ameaça mesmo dentro do campo de visão). Essa ameaça, aliás, também é enaltecida pelo excelente trabalho de som do filme, que, além de manter o espectador sempre TENSO pelo ambiente rodeado de helicópteros e sons externos que demonstram uma grande comoção externa nunca visualizada. Ademais, a sonoridade sinistra criada para os zumbis, acentuam muito o horror da situação.

A excelente Manuela Velasco protagoniza o filme com um carisma e INTENSIDADE que denota muita verossimilhança à situação; além de todo seu elenco de coadjuvantes estarem no mesmo tom de atuação realista.

Além disso, o filme é um dos found footage que melhor conseguem justificar a gravação dos assustadores eventos naquele prédio, já que realiza um bom comentário sobre a responsabilidade de denúncia da mídia.

Em relação aos momentos de terror, o filme consegue criar os momentos gore necessários para a história, além de organicamente alternar as situações de suspense e calmaria enervantes (como a visita ao apartamento da senhora enferma), com outros em que o desespero e ação tomam conta (como na fuga final até o andar superior). O mais interessante, e que demonstra o talento dos diretores, é que mesmo nas sequências mais movimentadas (com tremidos e chacoalhos característicos), a câmera é manejada de uma forma hábil ao nos situar exatamente no espaço e demonstrar as ações ao redor do cinegrafista.

Com um clímax VERDADEIRAMENTE aterrador e inesperado que inspira medo pela sugestão e interpretação individual dos espectadores, [REC] é um dos melhores exemplares de founf footage do cinema atual; bem como um grande filme do subgênero de zumbis.

IMDb: 7,5/10. Rotten Tomatoes: 90%.



7º Todo Mundo Quase Morto (Shaun of the Dead, 2004) de Edgard Wright

5% dos votos

Trazendo o humor inglês que tornou Um Lobisomem Americano em Londres tão memorável, a dupla Edgard Wright e Simon Pegg realizaram uma carta de amor a Trilogia dos Mortos embalada em um tom paródico inteligente que fez o próprio George A. Romero ficar surpreendido pela sua qualidade e referências.

Filme inicial da Trilogia Sangue e Sorvete (que ainda conta com Chumbo Grosso e Heróis de Ressaca), Todo Mundo Quase Morto não esquece dos comentários sociais que tornaram seus filmes de inspiração tão memoráveis. Aqui, Wright e Pegg denuncia a apatia da humanidade frente às adversidades; a falta de pulso firme e de vontade de mudança. Afinal, quando o apocalipse zumbi acontece, o único lugar que os sobreviventes se lembram de ir é.. o pub.

O diretor Wright canaliza toda sua paixão pelo cinema de terror em geral e adota um estilo de filmagem que faz pequenas homenagens a, não só Romero, como também Sam Raimi, John Carpenter, Peter Jackson e tantos outros. É importante dizer que essas homenagens não são gratuitas, ou apenas fan service, mas sim elementos importantes da narrativa. Tomem como exemplo a irônica montagem cheia de zoom in e planos detalhes para narrar o cotidiano de preparação de Shaun para o trabalho, assim como Ash se prepararia para combater os zumbis-demônios na franquia Evil Dead; ou mesmo a situação de “pub sitiado” que remete, claro, à Noite dos Mortos Vivos.

Recheado de piadas inteligentes e com um timming vigoroso (o “talento nato” de Barbara como zumbi é HILÁRIO), o roteiro criado por Pegg e Wright pode ser descrito como uma mistura do humor satírico de John Landis em The Kentucky Fried Movie e as piadas visuais e físicas inspiradas do trio ZAZ em Apertem os Cintos...O Piloto Sumiu no universo crítico e gore dos zumbis de Romero.

A dupla central, Simon Pegg e Nick Frost, é histericamente engraçada e exibem uma química que faria inveja aos Três Patetas e Aboot e Costello. Além disso, os dois pontuam com muito carisma e sensibilidade o amor fraternal que sente um pelo outro; dando o “ar” humano e delicado que faz o filme se torna muito mais que apenas uma homenagem bem humorada. Na verdade, todo o elenco está extremamente afiado, com destaque para a presença sempre magnética de Bill Nighy (o Davy Jones de Piratas do Caribe).

Com um ritmo envolvente que nunca te faz perder o interesse (talento nato de Edgard Wright), Todo Mundo Quase Morto é inteligente, sensível, divertido e engraçado ao mesmo tempo. Um jovem clássico do gênero.

IMDb: 8/10. Rotten Tomatoes: 92%.



6º Cemitério Maldito (Pet Sematary, 1989) de Mary Lambert

8% dos votos

Os anos 80 foram recheados de adaptações de histórias de Stephen King. Algumas entraram para história do cinema (O Iluminado, Conta Comigo), outras se tornaram excelentes exemplares do gênero (A Hora da Zona Morta, A Hora do Lobisomem) e outras nem tanto (Comboio do Terror, Colheita Maldita). Felizmente, Cemitério Maldito fica para a segunda categoria, já que, por mais que não seja um clássico, ainda assim, permanece como um filme de terror memorável.

A história de King (que roteirizou o filme) se pauta em uma história dramática e sentimental para elevar o terror a outro nível, assim como em longas posteriores como O Orfanato e Água Negra/Honogurai Mizu No Soko Kara. As situações pela qual a família Creed passa desde que se mudam para uma casa de campo na beira de uma movimentada rodovia, criam forte empatia nos espectadores (como não compreender os atos de Louis no terceiro ato?); mantenho o filme com um tom trágico que torna as situações de terror ainda mais mórbidas.

Delicada no modo como nos apresenta o cotidiano daquela família, Mary Lambert (que nunca mais fez um bom filme) é inteligente ao não apressar a história daqueles personagens, nos fazendo afeiçoar por cada um e pontuar as complicações vividas por eles com momentos de horror (o retorno do gato Churchil, o destino da diarista e até o passado familiar de Rachel) como presságios tenebrosos sobre o que estaria por vir.

A diretora demonstra talento para as situações dramáticas (a montagem enervante da cena do atropelamento terminando com o plano detalhe de um sapatinho é BRILHANTE). No entanto, também sabe criar a atmosfera certa para o terror, lançando mão de uma ótima exploração de ambientes noturnos, focos de luz suspeitos, névoas, luares, sombras e planos subjetivos que nos deixam apreensivos pelo que está por vir (reparem no design inóspito do cemitério indígena em contraste com o ar bizarramente adorável do cemitério de animais).

Ademais, há dois elementos macabros do filme que marcaram o gênero de terror para sempre: Zelda (Andrew Hubatsek), a decrépita irmã de Rachel; e, claro, o inesquecível bebê Gage (Miko Hughes, também do excelente O Novo Pesadelo).

Com uma excelente trilha sonora de Elliot Goldenthal (que lembra momentos do tema de Amityville – A Cidade do Horror), o filme ainda contém uma música tema que marcou toda uma geração: “Pet Sematary” dos Ramones.

Talvez o filme mais trágico e emocional da lista, Cemitério Maldito contém uma conclusão irônica perfeita para o tom do que havia sido mostrado até então. Uma das melhores adaptações de terror do MESTRE Stephen King.

IMDb: 6,6/10. Rotten Tomatoes: 46%.



5º Extermínio (28 Days Later…, 2002) de Danny Boyle

8% dos votos

Desde A Noite dos Mortos Vivos de 1990 o cinema de zumbis andava meio...morto. Afinal, a primeira metade dos anos 90 foi um período ruim para o cinema desse gênero em geral; enquanto a segunda metade foi tomada pelo revival dos filmes slashers graças ao sucesso de Pânico. Foi somente em 2002 que os zumbis retornaram com força ao cinema, em parte pelo sucesso comercial de Resident Evil – O Hóspede Maldito; mas principalmente pelo bom desempenho de Extermínio.

Dirigido por Danny Boyle, após o irregular A Praia, Extermínio se beneficia de um excelente roteiro de Alex Garland (do EXCELENTE Ex_Machina), que, basicamente, cria uma confluência de ideias da Trilogia dos Mortos de George A. Romero. Nós testemunhamos as dúvidas e apreensão do início de um apocalipse zumbi (A Noite); vivenciamos as tentativas de sobrevivência de alguns humanos em centros desérticos (Despertar) e ainda acompanhamos a redundância do “espírito” militar frente a esse mundo destruído (Dia).

Apesar de abusar de uma câmera rápida e montagem acelerada em momentos de ação e tensão (que nunca nos deixa ver detalhes de seus monstros), ao menos Boyle consegue utilizar a caracterização ágil e animalesca dos zumbis para criar sensação de perigo e urgência quase palpáveis aos seus protagonistas. Além disso, as imagens de uma Londres desabitada, bem como os ambientes naturais extensos, evocam uma atmosfera opressora de tristeza e pessimismo que trazem uma carga dramática bem-vinda ao filme.

Encabeçado pelo excelente Cillian Murphy (parceiro habitual de Boyle e Cristopher Nolan), o elenco é homogeneamente competente. A fotografia de Anthony Dod Mantle imprime uma adequada paleta de cores dessaturada, que harmoniza com a mensagem de solidão do início do filme. Se tornando cada vez mais quente com o andar da projeção e a violência necessária. Enquanto isso, a trilha sonora aposta em um crescendo gradual que compõe, tanto os acontecimentos cada vez mais violentos do longa, quanto as mudanças drásticas de personalidade que os personagens são obrigados a passar.

Lembrado com muito carinho pelos fãs, tanto que está no Top 10 da lista, à frente de outros filmes clássicos, Extermínio não possui o pioneirismo dos filmes de Romero, mas é um belo “filhote” dos filmes do Mestre.

IMDb: 7,6/10. Rotten Tomatoes: 87%.



4º The Evil Dead – A Morte do Demônio (The Evil Dead, 1981) de Sam Raimi

8% dos votos

Alguns podem reclamar de esse clássico de Sam Raimi estar em uma lista sobre filmes de zumbis, porém, vale lembrar que The Evil Dead é justamente sobre o que diz no título: “mortos maléficos” ou “mortos demoníacos”; mortos vivos que retornaram à vida graças a possessões de demônios.

Produzido com uma quantidade de recursos inversamente proporcional à imaginação do diretor, esse longa “oitentista” talvez seja o filme de “cabana na floresta” mais icônico do cinema fantástico. Demonstrando que a simplicidade da trama não é empecilho para que mentes criativas exerçam um excelente exercício de gênero.

Raimi cria um senso de dinamismo que é difícil de superar, criando movimentações de câmera vigorosas tanto para acentuar a urgências das situações assustadoras em que se encontram os personagens (desde closes rápidos, até passeios por locais improváveis entre ripas de madeira e janelas); quanto para dar personalidade a vilões invisíveis através de câmeras subjetivas. Além disso, a utilização do design sonoro, e edição de som, é EXEMPLAR, explorando todas as possibilidades de ruídos oriundos de uma decrépita cabana de madeira e uma floresta densa que sugere ameaça a cada galho quebrado ou vetos através de árvores.

Além de criar quadros evocativos (como o de uma imensa lua amarela por trás da silhueta sombria da cabana), Raimi ainda nos diverte por aproveitar ao máximo seus momentos de horror para criar um festival de gore que se supera cada vez mais na criatividade. Sem contar a forma como a maquiagem caracteriza cada um dos zumbis demoníacos de acordo com sua personalidade (a visão Cheryl, com seus olhos brancos, é ATERRADORA).

Com pontuais momentos de humor negro, The Evil Dead ainda tem a honra de ter lançado Bruce Campbell ao mundo, que utiliza sua canastrice a favor de um dos personagens mais querido do cinema de terror B, o “surtado” Ash.

IMDb: 7,6/10. Rotten Tomatoes: 95%.



3º Despertar dos Mortos (Dawn of the Dead, 1978) de George A. Romero

8% dos votos

Despertar dos Mortos (ou Zombie – Despertar dos Mortos, como foi lançado em VHS no Brasil), está naquele seleto grupo de filmes que também conta com Aliens, o Resgate e O Poderoso Chefão – Parte II; o de sequências que superam o original pela coerência narrativa unida a expansão do escopo.

Se em “Noite” Romero nos faz testemunhar o início da dominação zumbi em um ambiente isolado, em Despertar ele já nos situa alguns dias após o início do apocalipse em um centro urbano. O dinamismo efervescente das relações na emissora de TV durante o início do filme é formidável para nos passar a sensação de desorientação daquelas pessoas. Da mesma forma, a (inesquecível) sequência de ação em um prédio é hábil em nos situar na violência animalesca que está tomando conta da humanidade em um ambiente extremo (que será ainda representado em um importante evento do terceiro ato).

Em acordo com a metáfora sociopolítica do filme anterior, Romero cria em Despertar uma ácida crítica ao consumismo desenfreado da sociedade ocidental. Afinal, o que é mais simbólico que ver uma horda de zumbis descerebrados lutando para adentrar um Shopping Mall?

Explorando muito bem as relações interpessoais dos personagens naquela situação de isolamento e apreensão, Romero ainda cria uma parceria BRILHANTE com Tom Savini para criar algumas das melhores e mais icônicas cenas de gore do cinema (a catarse ao fim do filme é surpreendente). Lembrando também que a produção foi uma parceria com Dario Argento.

Vale ressaltar também a antológica trilha sonora que a banda Goblin criou para o filme, além da imortal frase: “Quando não houver mais espaço no Inferno, os mortos caminharão sobre a Terra”.

Mais um clássico do terror que Romero nos presenteou.

IMDb: 8/10. Rotten Tomatoes: 92%.



2º Madrugada dos Mortos (Dawn of the Dead, 2004) de Zack Snyder

18% dos votos

Por mais que Madrugada dos Mortos seja uma refilmagem desnecessária (o longa de 1978 continua efetivo e contundente até hoje), e feita apenas por interesses mercadológicos, isso não quer dizer que seja um filme ruim. Muito pelo contrário, Madrugada dos Mortos é um dos melhores filmes de zumbi do século XXI.

O roteiro de James Gunn (o responsável pelo divertido Guardiões da Galáxia), não chega a realizar os interessantes comentários sociopolíticos do longa de Romero, porém, é hábil ao trabalhar o desenvolvimento dos personagens com realismo. Desta forma, vemos os personagens o casal protagonista lutando internamente para pensarem em alternativas lógicas para a desesperadora situação; enquanto vemos um coadjuvante utilizar a amizade à distância com outro sobrevivente como válvula de escape. São momentos que tornam os personagens mais humanos e ajudam a criar muita empatia no espectador; beneficiados ainda pela sensibilidade de Snyder interromper a narrativa e criar pequenos momentos de desabafo. Sem contar que o elenco conta com nomes talentosos e expressivos como Sarah Polley (Minha Vida sem Mim), Jake Weber (Amistad), Ving Rhames (Pulp Fiction – Tempo de Violência), Michael Kelly (House of Cards) e tantos outros.

Zack Snyder (em sua estreia no cinema) já nos entrega seu virtuosismo para cenas de ação que o tornaria tão famoso, porém, sem os floreios estilísticos exagerados que estragou obras como Sucker Punch – Mundo Surreal e 300. Passando de planos-sequência (como na fuga de Anna, logo no início do filme) até momentos com montagem mais dinâmica (como no apreensivo resgate de Andy); Snyder acerta o ritmo ideal do filme para privilegiar tanto a ação quanto o terror. O diretor ganha pontos por apostar mais em efeitos práticos e gore pesado (essencial para um filme do estilo), em acordo com a fotografia granulada que privilegia o vermelho, azul e o laranja amarelado (a violência e as cores do céu durante a madrugada).

Além disso, o uso dos zumbis “corredores” popularizados por Extermínio (mas presente desde 1985) também ajudam, como naquele filme, a intensificar a urgência.

Com alguns momentos memoráveis do subgênero (como uma aterradora cena de parto), Madrugada dos Mortos não se equivale ao valor do original, porém, é uma obra que merece consideração pelo respeito ao tema e o talento envolvido.

IMDb: 7,4. Rotten Tomatoes: 75%.



1º Zumbilândia (Zombieland, 2009) de Ruben Fleischer

18% dos votos

Cinco anos após o sucesso de Todo Mundo Quase Morto, Hollywood tratou de lançar uma versão “norte-americana” daquele longa de humor refinadamente britânico. E o resultado é Zumbilândia, uma comédia de situações que explora o mundo apocalíptico zumbi ancorado no ENORME carisma de seu elenco e na estética cheia de estilo despojado e rock’n’roll!

O roteiro dos talentosos Paul Wernick e Rhett Resse (os mesmo de Deadpool) satiriza a sobrevivência em meio ao apocalipse zumbi como um manual de sobrevivência no melhor estilo de Ferris Bueller em Curtindo a Vida Adoidado. Sabiamente, eles ignoram o choque inicial do caos e tiram humor genuíno da forma natural como lidam com o ambiente caótico e a naturalidade com que os personagens tentam levar seu cotidiano adiante em meio à tragédia. Por exemplo, porque visitar uma Los Angeles dizimada e não aproveitar para se instalar na mansão de algum famoso ao invés de um mercado?

Desta forma, as regras criteriosas que o personagem de Jesse Eisenberg usa para sobrevivência são engraçadas pelo modo como são inusitadamente coerentes e constrangedoras (reparem no cuidado ao encontrar o local especial para fazer o nº 2!). Enquanto isso, o personagem de Woddy Harrelson usa o apocalipse como uma catarse para liberar seus instintos mais naturais. Já a dupla de irmãs de Emma Stone e Abigail Breslin utilizam com facilidade as mesmas artimanhas desonestas que utilizavam para sobreviver no mundo normal, sendo responsáveis pelos divertidos plot twists do filme.

Como puderam perceber, os personagens são bem definidos e possuem um arco dramático particular, sendo ainda mais vívidos graças a desenvoltura do elenco. Woddy Harrelson encarna o “surto” habitual (pensem numa versão Jack Sparrow “realista” do Mickey de Assassinos por Natureza), inspirando humor tanto pela sisudez quanto pelos momentos mais delicados do personagem (“Até mais, porco”). Já Jesse Eisenberg usa sua persona nerd com carisma e comédia suficiente para ser o guia do espectador naquelas bizarras situações (o sinal de “carona” ao confrontar Tallahassee pela primeira vez é HILÁRIO). Já Emma Stone consegue ganhar empatia mesmo trazendo seu tom de humor sarcástico marcante, enquanto Abigail Breslin é uma milleniall descobrindo o mundo.

O diretor Fleischer (em seu melhor filme) imprime MUITO estilo ao longa, desde o “super slow motion” dos créditos iniciais até o confronto imaginativo no brilhante e colorido parque de diversões ao final do filme (o símbolo máximo da diversão naquele universo). Além de fazer rir pelo modo divertido como caracteriza figuras do cotidiano como zumbis (de palhaços a go-go girls), Fleischer também cria letreiros extremamente inspirados, bem como timming cômico exemplar (a morte de determinado personagem numa mansão é uma verdadeira obra-prima do humor).

Apesar de não trazer toda a inteligência e refinamento de Todo Mundo Quase Morto, Zumbilândia ainda é muito lembrado pelos fãs como uma obra exemplar de comédia/terror que sabe rir de si mesmo sem ofender o subgênero.

IMDb: 7,7. Rotten Tomatoes: 89%.



8% dos leitores que participaram da enquete votaram em “outros”. Aproveitem o espaço de comentários para citarem seus filmes preferidos!

Outros filmes de zumbis que não entraram no ranking mas merecem menção honrosa. A lista abaixo está organizada por ordem de lançamento:

  • Zumbi, a Legião dos Mortos (White Zombie, 1932) de Victor Halperin
  • O Morto Vivo (The Walking Dead, 1936) de Michael Curtiz
  • A Morta Viva (I Walked with a Zombie, 1943) de Jacques Tourneur
  • Mortos que Matam (The Last Man on Earth, 1964) de Ubaldo B. Ragona e Sidney Salkow
  • A Última Esperança da Terra (The Omega Man, 1971) de Boris Sagal
  • Calafrios (Shivers, 1975) de David Cronenberg
  • Enraivecida na Fúria do Sexo (Rabid, 1977) de David Cronenberg
  • Zombie (Zumbi 2, 1979) de Lucio Fulci
  • Terror nas Trevas (... E tu vivrai nel terrore! L’adilà, 1981) de Lucio Fulci
  • A Casa do Cemitério (Quella villa accanto al cimitero, 1981) de Lucio Fulci
  • Os Mortos Vivos (Dead & Buried, 1981) de Gary A. Sherman
  • Coisa, A (The Stuff, 1985) de Larry Cohen
  • Demons – Filhos das Trevas (Demoni, 1985) de Lamberto Bava
  • A Noite dos Arrepios (Night of the Creeps, 1986) de Fred Dekker
  • A Maldição dos Mortos Vivos (The Serpent and the Rainbow, 1988) de Wes Craven
  • Uma Noite Alucinante 3 (Army of Darkness, 1992) de Sam Raimi
  • Pelo Amor e Pela Morte (Dellamorte, Dellamore, 1994) de Michele Soavi
  • Terra dos Mortos (Land of the Dead, 2005) de George A. Romero
  • Seres Rastejantes (Slither, 2006) de James Gunn
  • Diário dos Mortos (Diary of the Dead, 2007) de George A. Romero
  • Eu Sou a Lenda (I Am Legend, 2007) de Francis Lawrence
  • Extermínio 2 (28 Weeks Later, 2007) de Juan Carlos Fresnadillo
  • Planeta Terror (Planet Terror, 2007) de Robert Rodriguez
  • Mangue Negro (2008) de Rodrigo Aragão
  • Meu Namorado é um Zumbi (Warm Bodies, 2013) de Jonathan Levine
  • Guerra Mundial Z (World War Z, 2013) de Marc Forster
  • Invasão Zumbi (Busanhaenq, 2016) Sang-ho Yeon


Divulgaí

Deixe sua opinião:)