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Revisitando a jornada de Alice pelo universo apocalíptico de “Resident Evil”

Independente de seus (inúmeros) erros, a saga arquitetada por Paul W. S. Anderson sempre teve a vantagem de trazer personagens femininas fortes que lideram as situações e que não precisam de um herói para pegá-las pela mão e sair correndo
Revisitando a jornada de Alice pelo universo apocalíptico de “Resident Evil”

No final de janeiro, estreará nos cinemas mundiais o “Capítulo Final” da franquia cinematográfica de Resident Evil. Infelizmente, o longa já chegará envolvido em várias polêmicas trágicas, como a morte de um membro da equipe por falta de segurança no local (incluindo a possível tentativa de encobrimento dos fatos pelos produtores); e até o acidente grave de uma das dublês que resultou na amputação de um de seus braços (também causado por falta de segurança no set).

Novamente comandado por Paul W. S. Anderson (não confundir com Paul Thomas Anderson de Magnólia e Sangue Negro), o filme alega encerrar uma lucrativa série de seis longas-metragens protagonizados pela personagem Alice (Milla Jovovich) em um universo apocalíptico dominado por zumbis mutantes e por uma maquiavélica corporação (Umbrella Corporation) que insiste em perseguir Alice por onde ela for, afinal, ela é resultado de um experimento bem-sucedido.

A verdade é que a série pode ser considerada como a mais bem-sucedida, pelo menos financeiramente, franquia de jogos a ser adaptada para o cinema. Apesar de Mortal Kombat (também de Paul W. S. Anderson) ter angariado boa bilheteria, foi massacrado pela crítica e teve péssimas sequências. Outros filmes, como Super Mario Bros, Street Fighter, Doom – A Porta do Inferno, D.O.A. – Vivo ou Morto, O Príncipe da Pérsia – As Areias do Tempo, Warcraft – O Primeiro Encontro de Dois Mundos e até o recente Assassin's Creed, também seguiram o mesmo exemplo, falhando tanto em crítica quanto em receptividade de público. Isso sem contar as infames obras “cometidas” pelo alemão Uwe Boll, que fez o desserviço de adaptar jogos antológicos como House of the Dead e o seminal jogo de survival horror Alone in the Dark, com uma incapacidade vergonhosa de esmero artístico.

Talvez o filme adaptado de jogos mais bem-sucedido, considerando público e crítica, tenha sido o excelente Terror em Silent Hill, apesar de sua fraca sequência, Silent Hill – Revelações. Mas o mais interessante é que filmes que não foram adaptados de jogos prévios, mas que possuem uma estética e narrativa semelhante à de games, foram mais bem executados que a grande maioria das adaptações. Scott Pilgrim Contra o Mundo é um belo exemplo, não há como discutir, foi uma unanimidade extremamente positiva.

Apesar de render muito ao estúdio, os filmes de Resident Evil sempre foram muito criticados por especialistas e até mesmo por fãs dos jogos. Estes últimos, aliás, sempre reclamaram da falta de coerência do universo dos filmes com a ambientação e clima dos games de inspiração. No entanto, a série conseguiu conquistar um público cativo nas salas de cinema, muito por conta da personagem Alice.

Alice é uma figura que, se beneficiou do carisma e do talento de Milla Jovovich em cenas de ação e combate. A personagem ficou tão marcante na cultura pop que acabou entrando para o panteão de personagens femininas poderosas do cinema fantástico. Embora não esteja no nível de uma Ellen Ripley ou da Sarah Connor de Linda Hamilton, Alice ganhou seu espaço assim como a recente Selene (Kate Beckinsale) da franquia Anjos da Noite.

Independente de seus (inúmeros) erros, a saga arquitetada por Paul W. S. Anderson sempre teve a vantagem de trazer personagens femininas fortes que lideram as situações e que não precisam de um herói para pegá-las pela mão e sair correndo. E Alice, enfim, simboliza todas elas; seja em amnésia ao adentrar a Umbrella Corporation após uma chacina, ou ao disparar suas metralhadoras contra helicópteros sobre um imenso navio cargueiro.

Para comemorarmos a estreia do novo Resident Evil, nós preparamos uma revisão especial da jornada de Alice pelo mundo apocalíptico de Resident Evil; relembrando seus melhores momentos, as possíveis referências e dando dicas sobre filmes com elementos semelhantes que possam interessar aos Loucos por Filmes.

IMPORTANTE: a matéria tratará apenas do universo cinemático da franquia Resident Evil relacionado à personagem Alice. Não serão feitas análises comparativas dos filmes com os jogos, ou mesmos das animações lançadas direta em home video.

1º Resident Evil – O Hóspede Maldito (Resident Evil, 2002) de Paul W. S. Anderson

O Hóspede Maldito é o primeiro e melhor (pessoalmente) filme da saga Resident Evil, principalmente por apostar em uma aura maior de horror e suspense.

Claramente inspirado pelo clássico Alien – O Oitavo Passageiro, o roteirista Paul W. S. Anderson nos faz acompanhar uma misteriosa e ingênua Alice (Ripley) adentrando uma isolada base subterrânea (nave Nostromo) de uma gigante corporação chamada Umbrella (Weyland), com uma equipe de elite, após uma misteriosa chacina ter ocorrido no local (nave alienígena caída num planeta desconhecido). Porém, não demora muito para que os mortos (Alien) retornem para atacar os personagens.

Além de não ter demonstrado muita inspiração na história (como vocês puderam ver, as semelhanças são óbvias), Anderson também utiliza uma muleta de roteiro clichê para criar uma reviravolta no terceiro ato: a amnésia temporária de Alice. Sem contar que o filme nunca abre espaço para grande desenvolvimento de personagens, mesmo de sua protagonista.

No entanto, Anderson se mostra um pouco melhor como diretor que como roteiristas. O cineasta consegue criar uma boa sensação de apreensão e suspense no início do filme, além de criar um dinamismo envolvente em alguns momentos de ação (como a sequência do corredor de lasers, que já se tornou icônica). Infelizmente, a trilha sonora pesada que insiste em pontuar as cenas de ação chega a ser incômoda em muitos momentos. Sem contar o mau uso de efeitos em CGI, que ficam ainda piores quando comparados com os efeitos práticos utilizados em alguns momentos (o contraste entre o “Licker” digital e o prostético é um belo exemplo disso).

O filme foi lançado no mesmo ano do ótimo Extermínio. São dois filmes de zumbis com propostas opostas (um é ação/terror e o outro é drama/terror). Porém não há como não enaltecer a maior efetividade do filme de Danny Boyle. A verdade é que Anderson parece se preocupar mais com a estética cool do filme, principalmente pelo figurino e elementos de direção popularizados por Matrix; embora o filme não consiga trazer todo o estilo de Blade II, também lançado no mesmo ano. Portanto, se você gosta do cinema de Michael Bay, se encontrará à vontade com Paul W.S. Anderson.

Como ponto positivo, a presença carismática de Milla Jovovich segura o filme TODO. Embora a atriz não seja muito expressiva, Jovovich consegue um desempenho muito bom em cenas de ação, já que há uma certa credibilidade em seu trabalho corporal. A verdade é que a atriz não teme perder o glamour em prol da intensidade do momento.

Além disso, a situação pela qual Alice passa por esse filme consegue gerar uma empatia no espectador, principalmente à medida que ela começa a tomar controle da situação, incialmente por não ter escolha, depois por seu instinto de líder. Há um certo empoderamento gradual da personagem. E o fato de ser uma mulher torna tudo ainda mais interessante.

Porém, nunca deixo de pensar em que Resident Evil poderia ter se tornado se tivesse caído nas mãos de George A. Romero, como foi considerado pelos produtores na época.

IMDb: 6,7/10. Rotten Tomatoes: 34%

Melhor momento de Alice: Após relembrar o passado e encarar uma traição de seu, então, companheiro Spence, Alice não faz cerimônia em matá-lo com um machado após ele se tornar um zumbi.

Dica do Zumbi Encurralado (filmes de ação com personagens presos em uma edificação): Operação: Invasão (2011) e Dredd – O Juiz do Apocalipse (2012)


2º Resident Evil 2 - Apocalipse (Resident Evil - Apocalipse, 2004) de Alexander Witt

Se no primeiro filme o roteiro de Paul W. S. Anderson “chupa” elementos fundamentais de Alien, nessa sequência ele cria um microuniverso que lembra bastante Fuga de Nova York (uma das melhores ideias de filme de ação do cinema dos anos 80) e Aliens, o Resgate.

Em relação ao cult que John Carpenter dirigiu em 1981, Anderson lança mão da ambientação solitária e ameaçadora de uma cidade dizimada (Raccon City/Nova York) para situar a heroína Alice em uma missão de resgate da filha de um importante profissional da corporação (assim como Snake Plissken precisa resgatar o presidente no longa de Carpenter).

Quanto ao clássico de James Cameron, Anderson utiliza a questão de Alice criar um laço sentimental de sobrevivência mútua, e de instinto materno, com a indefesa garota resgatada (assim como Ripley e Newt no filme de 1986).

Apesar de as habilidades de Anderson como roteirista não melhorarem aqui, ao menos ele ainda tenta contar alguma história. Os novos personagens, inclusive dois icônicos rostos dos games (Carlos Oliveira e Jill Valentine), só estão no filme para fazerem pose de durões e atirar; o que é uma pena, já que não há nenhum envolvimento maior com eles. O espectador simplesmente não se importa com o destino dos personagens porque os mesmos não possuem desenvolvimento nenhum; embora houvesse muito potencial. Além disso, há outros que são completamente descartáveis, como o insuportável “alívio cômico” L.J. (Mike Epps de Cinquenta Tons de Preto).

No entanto, a direção de Alexander Witt consegue trazer alguns momentos inspirados como a cena de luta contra zumbis em um cemitério (criando alusão a filmes de zumbis clássicos), as batalhas contra o vilão Nêmesis (excelente trabalho de maquiagem, aliás) e uma determinada explosão ao fim do filme. Em outros, no entanto, Witt força um pouco a barra para tentar demonstrar muito estilo (a cena final da sequência da igreja, por exemplo, parece um videoclipe).

Embora a maquiagem dos zumbis (incluindo os cães), assim como a de Nêmesis, também seja boa, os efeitos visuais continuam decepcionando (os “Lickers” são tão ruins quanto no primeiro filme). Apesar disso, a atmosfera de desolação criado pelo design da cidade destruída é efetiva.

Mas o real destaque do filme, novamente, é mesmo nossa querida Alice. Despida de qualquer glamour (reparem nas roupas masculinizadas), Milla Jovovich finalmente finca a personalidade independente e impassível de Alice, com alguns pequenos momentos de emoção (o modo carinhoso como lida com Angela é um exemplo). Jovovich continua convencendo muito nas cenas de ação e tem uma evolução de personalidade confiante coerente com o que vinha acontecendo no primeiro filme.

Aliás, assim como em O Hóspede Maldito, Alice possui uma parceria com outra mulher poderosa que não precisa de homens para socorrê-la, a policial Jill Valentine (Sienna Guillory, Eragon). Vale ressaltar a má escolha de manter o figurino fetichista da personagem oriundo dos jogos; que chega a ser um pouco ofensivo para mulheres e BEM incoerente para a situação em que ela se encontra.

Apocalipse, ao final, se torna uma obra um pouco frustrante, pois, apesar de não ter essa pretensão, poderia ter criado boas discussões acerca da ética na pesquisa científica ou a influência de grandes corporações sobre a mídia. São várias boas oportunidades desperdiçadas.

IMDb: 6,2/10. Rotten Tomatoes: 21%

Melhor momento de Alice: Após se dar conta de seus poderes telepáticos, Alice explode a cabeça de um segurança da Corporação Umbrella apenas ao olhar a câmera de vigilância, no melhor estilo Scanners – Sua Mente Pode Destruir.

Dica do zumbi sitiado (filmes de ação de fuga de uma cidade sitiada): Fuga de Nova York (e sua sequência, Fuga de Los Angeles - 1996) e Juízo Final (2008).


3º Resident Evil 3 - Extinção (Resident Evil - Extinction, 2007) de Russell Mulcahy

A partir dessa terceira aventura, Paul W.S. Anderson desistiu de dar algum desenvolvimento à história e se dedicou mais a criar uma sucessão de situações de combate e luta no mundo pós-apocalíptico.

Infelizmente, a má qualidade do roteiro fica muito mais patente aqui. Os diálogos são incrivelmente ruins (a cena de introdução do grupo de comboio liberado por Claire, por exemplo, é difícil de assistir). O desenvolvimento de personagens continua a ser bem pobre, apesar de ele trazer mais dois personagens do filme anterior (Carlos e L.J.). Aliás, a caracterização dos personagens peca muito pela falta de verossimilhança, já que as mulheres do filme continuam a utilizar maquiagem, acessórios fashion e a ter cabelos bem tratados mesmo em um filme que se passa em um mundo APOCLÍPTICO e desértico (neste sentido, lembra até o ruim Acquaria, da dupla Sandy e Junior). Mas a lógica já tinha deixado de ser levada em consideração desde o início do filme, quando testemunhamos que, somente após alguns anos do início do apocalipse zumbi, os rios secaram e o mundo virou um deserto (?????).

Dirigido por Russel Mulcahy (o mesmo do ótimo cult Highlander – O Guerreiro Imortal), o filme apresenta um visual muito bem realizado: a fotografia arenosa de David Johnson, apesar de não fazer diferente de outros filmes em ambiente desértico, consegue evocar bem a secura e aridez do ambiente sem sacrificar as cores. A maquiagem dos zumbis continua a ser boa também, apesar de não ser tão icônica quanto dos filmes clássicos de George A. Romero (aliás, há um momento do filme que homenageia o zumbi Bub do clássico Dia dos Mortos).

Já as sequências de ação ficam só no burocrático mesmo, principalmente pelo modo como não aproveitam o potencial dos poderes de Alice. A protagonista se torna, praticamente, uma Fênix Negra ao fim do segundo filme. Enquanto isso, o roteiro simplesmente se esquece deste fato (é a mesma coisa que assistirmos Neo e Agente Smith simplesmente trocando socos e chutes no fim de Matrix Revolutions).

E se Milla Jovovich continua a ganhar nossa simpatia pela querida Alice, que se torna praticamente uma versão feminina de Max Rockatansky no universo zumbi (a referência à franquia Mad Max é óbvia), é bacana ver que a liderança de um grupo de resistência fica a cargo de uma mulher (Claire, interpretada por Ali Larter da franquia Premonição) a qual todos demonstram respeito.

Utilizando Las Vegas como uma boa metáfora para a dizimação da humanidade global (reparem nos monumentos), Extinção continua mantendo os mesmos erros e acertos da série até então. Infelizmente, a querida Alice continua sofrendo com roteiros que não aproveitam todo o seu potencial.

IMDb: 6,3/10. Rotten Tomatoes: 22%

Melhor momento de Alice: Alice salva o grupo de resistência liderado por Claire utilizando seus poderes para expandir um fogaréu e matar todos os corvos zumbis que fazem alusão ao clássico Os Pássaros.

Dica do zumbi ressecado (filmes de suspense/drama pós-apocalíptico em mundo desértico: The Rover – A Caçada (2014) e A Estrada (2009)


4º Resident Evil 4 - Recomeço (Resident Evil - Afterlife, 2010) de Paul W. S. Anderson

Após o terceiro filme, Paul W. S. Anderson novamente não evolui muito com a história. Mais uma vez iremos testemunhar Alice se juntando a um novo grupo de sobreviventes para resistir a um ataque de zumbis e a uma nova investida da Corporação Umbrella para raptá-la. A cada filme da franquia, vemos a mesma situação.

Anderson até consegue iniciar seu filme de uma forma interessante ao mostrar Alice solitária procurando um local de permanência, registrando seu cotidiano e emoções em um diário. O diretor oferece à franquia um tom de melancolia que lembra alguns momentos reflexivos de Exermínio. Porém, isso só dura uns 10 minutos do longa, e logo a ação “pauleira” volta a dominar a película.

Com uma estética diferenciada que parece ter um filtro gélido através das cores fortes do ambiente, Anderson soube criar planos que exploraram muito o potencial do 3D com que o filme foi lançado. A exploração das diversas camadas dos cenários e da profundidade de campo (reparem especialmente na pista com vários aviões abandonados) demonstra uma inteligência, até então, insuspeita do diretor. Sem contar que as coreografias das cenas de ação são muito bem realizadas, sem se tornarem confusas ou rápidas demais, e ainda aproveitando o 3D (a cena do combate no vestiário, com seus pingos d’água em slow-motion, é um destaque).

Em contrapartida, narrativamente o filme deixa muito a desejar. O roteiro não melhora os diálogos estúpidos do terceiro filme e ainda cria situações mais ridículas: por que a carne de Alice fará o vilão absorver seus poderes? E por que os heróis continuam adentrando locais que são obviamente uma cilada no terceiro ato? E qual o sentido de fazer Alice ser injetada com um composto que destruirá seus poderes se, daqui cinco minutos, isso será esquecido; já que ela luta como se fosse Neo em Matrix? Apesar de a direção ter melhorado um pouco, o talento de Anderson como roteirista continua nulo.

Voltando a exibir uma galeria de personagens desinteressantes, e até irritantes, o filme ao menos continua empoderando Alice em cenas de luta e ação, sendo que Milla Jovovich continua demonstrando muito vigor em sequências físicas e faz seus companheiros masculinos passarem vergonha.

O momento que vemos vários clones da protagonista lutando é até divertido, embora o conceito dos clones seja uma cópia de Alien: A Ressurreição. Aliás, toda a situação dos sobreviventes encurralados em uma prisão lembra também outro filme da franquia de Ellen Ripley, o fraco Alien 3; além de remeter ao filme original de George A. Romero de 1968.

Mais uma vez, Alice é sabotada por um roteiro ruim. Embora nesse aqui ainda consigamos ter a presença dos zumbis que tornou o nome Resident Evil tão memorável; e foi algo esquecido na próxima sequência.

IMDb: 5,9. Rotten Tomatoes: 23%

Melhor momento de Alice: Alice e seus clones adentram uma edificação da Corporação Umbrella com a intenção de destruir o local.

Dica do zumbi encarcerado (filmes de suspense/ação de sítio em prisão): Assalto à 13ª DP (1976) e sua refilmagem (2005).


5º Resident Evil 5 - Retribuição (Resident Evil - Retribution, 2012) de Paul W. S. Anderson

Desta vez Paul W. S. Anderson resolveu abraçar de vez seu espírito de amante de jogos e criou um roteiro que é basicamente um jogo de fases mesmo: Alice entra em um local e luta até enfrentar um “chefão; ganhando a batalha, uma porta se abre e ela passa para outro ambiente para, novamente, lutar e vencer outro “chefão”. Ou seja, desta vez, ele nem tenta contar uma história. O filme é apenas uma colagem de diversas cenas de ação.

Não que eu tenha algo contra trazer esse tipo de narrativa par a linguagem do cinema, já que outros filmes conseguiram realizar isso maravilhosamente como Terror em Silent Hill e Scott Pilgrim Contra o Mundo. Infelizmente, Retribuição está mais para Sucker Punch – Mundo Surreal.

Ainda pior que isso, é ver como Anderson insiste em iniciar seu longa com uma nova recapitulação dos acontecimentos dos filmes anteriores (TODOS os filmes possuem essa passagem). Porém ele não parece entender que não há história nenhuma para recapitular.

Apesar de continuar montando algumas boas sequências de ação e a utilizar bem o 3D, Anderson continua a criar novos personagens descartáveis que não envolvem o espectador. Ademais, algumas situações ridículas continuam a ocorrer, como o improvável figurino de Ada Wong (Bing Bing Li) para combater os zumbis; a incoerência das artimanhas de segurança da Corporação Umbrella e até a “virada de casaca” de um vilão em determinado momento.

Todos os atores no filme estão bem ruins, já que parecem estar lendo suas falas de uma placa posicionada atrás da câmera (Sienna Guillory, em especial, retorna muito caricatural como Jill Valentine). Sem contar que os zumbis quase não aparecem aqui.

Até mesmo Milla Jovovich já parece um pouco cansada aqui, talvez por ver o potencial de sua personagem sempre sendo desperdiçado. Apesar de continuar boa nas cenas de ação, a atriz mantém sempre um tom monocórdico e sussurrante em suas falas que é apenas desinteressante.

Pessoalmente, Retribuição é o exemplar da franquia que menos gosto. Afinal de contas, qual a graça de ver um video-game e não poder jogá-lo? O diretor foi o único que conseguiu se divertir aqui.

IMDb: 5,4. Rotten Tomatoes: 31%

Melhor momento de Alice: Alice enfrenta seus parceiros e decide resgatar a garotinha que apadrinhou mesmo correndo grande risco de vida.

Dica do zumbi inteligente (filmes que desafiam os personagens e decifrar a saída de prisão não convencional): Trilogia Cubo (1997, 2002 e 2004)


Apesar de todos os filmes anteriores possuírem qualidade duvidosa torçamos para que Resident Evil 6: O Capítulo Final consiga trazer nossa poderosa Alice em uma trama mais digna do carinho que os fãs possuem por ela. Afinal de contas, por mais que os roteiros tentem sabotá-la, Alice sempre sobreviverá no final e estará pronta para detonar uma nova horda de zumbis ou explodir uma nova edificação da Corporação Umbrella.

Não percam a matéria especial da primeira edição da “Lista Interativa” inspirada pelo lançamento de Resident Evil: O Capítulo Final: Os 15 Melhores Filmes de Zumbis do Cinema.


Divulgaí

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