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Especial “Coming of Age”: 7 Filmes Marcantes que Utilizam a Fantasia

Um tipo específico de “coming-of-age” geralmente sempre chama a atenção dos amantes de cinema pelas possibilidades de símbolos narrativos e visuais: os filmes de FANTASIA...
Especial  7 Filmes “Coming of Age” que Utilizam a Fantasia

Na primeira semana de 2017, chegou aos cinemas brasileiros Sete Minutos Depois da Meia-Noite, um filme de drama e fantasia do excelente diretor Juan Antonio Bayona. O filme encerra uma trilogia pessoal da obra do diretor acerca da forte influência do poderoso amor de uma mãe sobre o filho; precedido pelo excelente terror O Orfanato (2007) e o drama O Impossível (2012).

O longa estrelado por atores como Felicity Jones e Liam Neeson é tradicionalmente um filme “coming-of-age”. Livros ou filmes com essa temática possuem histórias que acompanham um ou mais personagens que atravessam a fase de infância e/ou juventude. Mas mais importante que isso, os personagens passam por situações e vivências que os forçam a amadurecer e modificar suas visões do mundo e de si mesmos.

Talvez a mais famosa película recente sobre o assunto seja o premiado Boyhood – Da Infância à Juventude. Porém, há vários outros filmes recentes que trabalharam esse tipo de narrativa, como os ótimos Juno, As Vantagens de Ser Invisível e Amor Bandido.

Durante a história do cinema, as histórias “coming-of-age” se adaptaram a vários estilos vigentes de acordo com a época. Já fomos presenteados com dramas melancólicos clássicos da Europa como Ladrões de Bicicleta, e da Nova Hollywood como A Última Sessão de Cinema e A Primeira Noite de um Homem; comédias juvenis dos anos 80 com Negócio Arriscado, A Lenda de Billie Jean e Picardias Estudantis; e até musicais como Dirty Dancing – Ritmo Quente e o recente Sing Street – Sonho e Música. Já os dramas podem ir desde exemplares épicos como O Império do Sol, até obras mais doces como Conta Comigo e Cinema Paradiso; passando por longas com histórias verdadeiramente deprimentes, como Preciosa e até o brasileiro Cidade de Deus. E como não citar toda a filmografia do querido John Hughes?

Talvez o tipo mais comum de filme “coming-of-age” sejam as animações. Se pegarmos clássicos da Disney como Dumbo e Bambi, até os filmes de Hayao Miyazaki, como A Viagem de Chihiro, nós sempre acompanharemos o amadurecimento de determinado personagem. Talvez o mais literal, e igualmente inteligente, seja o recente Divertida Mente, um novo clássico da Pixar.

Porém, um tipo específico de “coming-of-age” geralmente sempre chama a atenção dos amantes de cinema pelas possibilidades de símbolos narrativos e visuais: os filmes de FANTASIA. Afinal de contas, em fábulas e contos de fadas sempre podemos tirar mensagens e reflexões ocultas.

Portanto, realizamos uma lista especial para nossos leitores Loucos por Filmes celebrar o retorno do gênero às telonas em: Sete Filmes “Coming of Age” que Utilizam a Fantasia.

Para os sete escolhidos da lista foram consideradas obras que, assim como Sete Minutos Depois da Meia-Noite, tivessem protagonistas humanos e que transcorressem no “mundo real”; introduzindo, posteriormente, seus personagens a um universo de paralelo, imaginário ou não, ou personagens fantásticos. É importante que esses elementos contenham metáforas para o amadurecimento do personagem.

No entanto, após a lista vocês poderão conferir outras citações de filmes que não se adequaram a este estilo, mas que são igualmente interessantes.

Os filmes da lista estão organizados em ordem de lançamento.

1 - E.T. – O Extraterrestre (E.T., 1982) de Steven Spielberg

OK. Nós sabemos que trapaceamos um pouquinho nessa escolha, afinal E.T. não é um filme de fantasia tradicional. Porém, devemos considerar que esse clássico possui dois aspectos interessantíssimos, e que o faz necessário nessa lista: 1 – Elliot (Henry Thomas, do recente Ouija – A Origem do Mal) passa por uma jornada emocional com um personagem fora da nossa realidade; 2 – o aspecto “coming-of-age” do filme se dá, na verdade, pelas experiências de E.T. em um planeta que não é seu.

E.T. – O Extraterrestre dispensa apresentações (se você ainda não assistiu, pare de ler esse texto e corrija esse erro AGORA)! Porém, nunca é demais enaltecer o ponto de vista encantador e esperançoso adotado pela direção de Spielberg (repare como os adultos são geralmente focados da cintura para baixo, o mesmo campo de visão do E.T.). Sem contar os efeitos especiais fantásticos e a união MÁGICA entre a narrativa e a marcante trilha-sonora de John Williams; fazendo história logo após Os Caçadores da Arca Perdida.

A icônica sequência do voo das bicicletas é um dos momentos mais genuinamente emocionantes do cinema; não há como negar. E isso é consequência da química dos atores mirins com E.T., e a delicadeza respeitosa ao tema do filme.

Uma obra-prima que merece uma revisão a cada ano. Pelo menos.



2 - A História sem Fim (The Neverending Story, 1984) de Wolfgang Petersen

Um dos filmes que marcou a infância de toda a geração dos anos 80 e 90, A História sem Fim acompanha dois personagens: Bastian (Barret Oliver, do curta Frankenweenie) e Atreyu (Noah Hathaway, do trash Troll). O primeiro é um garoto que vive no mundo real, ama literatura e sofre a ação de vários bullys do colégio. Já o segundo é fruto da imaginação de Bastian; despertado por um livro intitulado, justamente, A História sem Fim.

O longa é, inicialmente uma aventura despretensiosa passada num reino mágico chamado de “Fantasia” (sugestivo não!?). Porém, o longa se conclui como uma linda metáfora sobre como a imaginação fértil das crianças e jovens deve ser enaltecida, e como elas são parte importante de seu desenvolvimento. Paralelamente, temos a oportunidade de acompanhar a saga de Atreyu para tentar salvar seu reino, enquanto Bastian adquire autoconfiança e amadurecimento para enfrentar seus desafios.

O filme possui aspectos técnicos excelentes (principalmente os efeitos de maquiagem e mecatrônicos das criaturas mágicas). A direção de Petersen (famoso por blockbusters como Tróia e Força Aérea Um) sabe dosar com talento passagens de humor e diversão com outros momentos mais dramáticos, e até assustadores. Uma das cenas mais memoráveis do filme é o momento em que Atreyu se despede tragicamente de seu cavalo.

A História sem Fim também é um filme muito lembrado por sua trilha sonora (do renomado Giorgio Moroder, vencedor do Oscar por O Expresso da Meia-Noite) e a antológica música-tema homônima creditada ao cantor “oitentista” Limahl.



3 - Labirinto – A Magia do Tempo (Labyrinth, 1986) de Jim Henson

Outro filme clássico dos anos 80, Labirinto – A Magia do Tempo. O filme é estrelado pelo “camaleão do rock” David Bowie, produzido pelo querido George Lucas e dirigido por Jim Henson, ninguém menos que o criador dos Muppets...precisa de mais?

Com tons de Alice no País das Maravilhas, a película acompanha uma jovem Jennifer Connely (atualmente meio sumida do mainstream) interpretando uma pré-adolescente que adentra um mundo mágico, e macabro, liderado pelo Rei dos Gnomos (Bowie, no ápice de sua androgenia) após o mesmo ter raptado seu irmão mais novo. Como forma de recuperá-lo, ela é obrigada a descobrir a saída de um labirinto cheio de ameaças e personagens tão mágicos quanto dúbios.

A estética lisérgica do filme, que lembra O Cristal Encantado (filme anterior de Henson), exibem uma criatividade sem limites; como se cada elemento dos quadros tivesse vida própria e interagisse sensorialmente com o espectador.

Utilizando uma fotografia forte que nos ambienta no conto de fadas, Henson ainda é capaz de criar todo seu universo com cenários verdadeiros e efeitos especiais práticos. Mas o que realmente torna aquele mundo tão palpável é a habilidade de Henson dar vida aos personagens com muitos detalhes e energia.

Como amadurecimento, a personagem de Connely encara a necessidade de dar valor às coisas que realmente importam, sem precisar perder sua própria essência no caminho.

Não deixem de prestar atenção na ótima trilha sonora composta por Bowie, com destaque para “As The World Falls Down”.



4 – Quero Ser Grande (Big, 1988) de Penny Marshall

Esse querido filme roteirizado pela irmã de Steven Spielberg é praticamente uma unanimidade; não há quem não se encante pela história do personagem de Tom Hanks aqui.

Aliás, esse filme pode ser considerado o ponto alto da fase de filmes de comédia de Hanks durante os anos 80, sendo que o ator recebeu sua primeira indicação ao Oscar por seu desempenho nesse filme. Na época, Hanks ainda atuou nos divertidos Meus Vizinhos São um Terror, Um Dia a Casa Cai e Splash – Uma Sereia em Minha Vida.

Responsável por trazer novamente a leveza e a magia da infância para os adultos que o assistem, o filme segue um garoto que realiza o sonho de se “transformar” em adulto do dia para noite. A inteligência do filme reside no fato de o roteiro aproveitar todas as oportunidades possíveis para mostrar, de dentro, o inexplicavelmente complicado mundo dos adultos pela ótica objetiva e simples de uma criança (a questão de inveja no ambiente corporativo é trabalhada de forma genial).

O mais irônico é que a questão da mudança de idade do protagonista serve para que ele passe por várias experiências de vida adultas, porém, quem realmente amadurece são personagens secundários que lidam com o personagem de Tom Hanks, justamente por retornarem a seus espíritos ingênuos e bondosos de criança.

E se você nunca viu o filme, com certeza você irá reconhecer a cena de Tom Hanks brincando em um teclado gigante com o personagem de Robert Loggia (Scarface).

Antológico!



5 – Almas Gêmeas (Heavenly Creatures, 1994) de Peter Jackson

Com certeza o filme mais perturbador da lista, principalmente por ser uma história real, Almas Gêmeas foi a estreia de Peter Jackson em um filme dramático (seus filmes anteriores incluem os clássicos trash Náusea Total e Fome Animal).

Baseado num chocante caso de morte envolvendo as neozelandesas Pauline Rieper e Juliet Hulme na década de 50, o roteiro do filme aprofunda sua narrativa de forma intensa na psicologia das personagens, nos narrando todos os fatos a partir de seus pontos de vistas. Desta forma, a fértil imaginação das protagonistas pontua as passagens do mundo real, expurgando suas frustrações e demônios interiores. No entanto, Jackson e seus roteiristas não maquiam os atos grotescos, mantendo a interpretação e o julgamento à subjetividade do espectador.

Assim como Guilhermo Del Toro realizou posteriormente em O Labirinto do Fauno, Jackson usa os efeitos especiais disponíveis com inteligência para engrandecer o desenvolvimento dos personagens (a passagem da perseguição de Orson Welles é um belo exemplo).

Sempre virtuoso em entrelaçar realismo e fantasia, o diretor sabe utilizar a inocência da fábula em alguns momentos e transitar para a violência e o drama impactante em outros; sem nunca perder a coerência e fluidez.

Almas Gêmeas ainda é responsável por demonstrar com maior repercussão o talento de Kate Winslet, antes do sucesso estrondoso de Titanic.



6 – Donnie Darko (Idem, 2001) de Richard Kelly

Outro filme que pode gerar polêmica por estar nessa lista. Mas para explicar vou precisar entregar alguns pontos da trama. Portanto, se você é do tipo de pessoa que gosta de assistir a um filme sem nenhuma informação, pulem o próximo parágrafo.

Donnie (Jake Gyllenhaal em atuação impressionante) é um jovem, que está passando pela vida adulta e começa a experimentar devaneios (na realidade, não sabemos a real natureza) que o fazem questionar o mundo ao redor até um ato final que dará sentido a tudo, inclusive sua existência. Lembrem que no cinema em que Donnie leva sua namorada Gretchen (uma jovem Jenna Malone) em determinado momento, o letreiro expõe a exibição de A Última Tentação de Cristo, clássico de Martin Scorsese...isso já demonstra muita coisa não?

Cult máximo do século XXI, o longa ainda nos embala com uma trilha sonora escolhida a dedo (INXS, Tears for Fears, Duran Duran, Echo and the Bunnymen); excelentes atuações de um elenco peculiar (Beth Grant está perfeita para o papel) e uso inteligente de efeitos visuais. É incrível como o diretor é eficaz em transitar entre gêneros, nos emocionando profundamente mesmo em um universo sinistro (como não temer aquele coelho imaginário bizarro?).

Uma obra que já nasceu cult. Infelizmente, o único filme realmente bom Richard Kelly, que depois tropeçou na pretensão exagerada de Southland Tales – O Fim do Mundo e no mediano A Caixa.



7 – O Labirinto do Fauno (El Laberinto del Fauno, 2006) de Guilhermo Del Toro

Não há muito mais o que dizer sobre esse novo clássico do cinema, já que em comemoração a uma década do lançamento da obra nós fizemos um artigo especial sobre o filme.

O filme ecoa outras obras do universo macabro de Del Toro, como A Espinha do Diabo; porém, suas mensagens se aproximam muito do já citado Almas Gêmeas. O mundo real se une ao fantasiosa de forma sempre intrigante e apreensiva, já que a realidade pela qual a protagonista passa é impiedosa em ambos os universos (uma guerra civil e uma jornada contra seres assombrosos). Não à toa, Ofelia (Ivana Baquero, Romasanta) se veste com um vestido que remete à icônica Alice, personagem de Lewis Carroll.

Em um filme de Del Toro não há como não destacar o aspecto técnico impecável: a maquiagem das criaturas é impressionante, bem como a fotografia de cores saturadas e sugestivas. Sem contar o vilão central do filme encarnado com intensidade por Sergi López.

Considerado por muitos, inclusive por fãs do diretor, como seu melhor filme até então.



Para os curiosos que já viram todas as obras citadas, vai abaixo alguns outros exemplares de "coming-of-age” do gênero fantástico:

  • Para os Loucos por Filmes de fantasia: A Fantástica Fábrica de Chocolates (1971 e 2005), Série Harry Potter (2001-2011), As Crônicas de Siderwick (2008), Onde Vivem os Monstros (2009), Mogli – O Menino Lobo (2016)
  • Para os Loucos por Filmes de ficção científica: O Último Guerreiro das Estrelas (1984), Super 8 (2011)
  • Para os Loucos por Filmes de terror: Carrie – A Estranha (1976), O Iluminado (1980), Os Garotos Perdidos (1987), O Sexto Sentido (1999), Jovens Bruxas (1996), Deixa Ela Entrar (2008), Deixe-me Entrar (2010)
  • Para os Loucos por Filmes de aventura/comédia: O Garoto do Futuro (1985), Scott Pilgrim Contra O Mundo (2010)
  • Para Loucos por Filmes de drama: Contraponto (2005), Ponte para Terabítia (2007).

Esperamos que todos vocês tenham gostado dessa compilação especial. Aproveitem para escrever na área de comentários outros filmes do tema que vocês gostem.

Continuem a acompanhar nossas matérias especiais.

Divulgaí

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