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Crítica: Doutor Estranho

Se há dez anos atrás perguntassem sobre o personagem menos provável para fazer parte do universo cinematográfico da Marvel, a resposta seria simples: Doutor Estranho. Sua popularidade, as roupas coloridas, a habilidade de atravessar mundos são apenas alguns dos motivos do porquê Stephen Strange não era o doutor para esse universo.
Crítica: Doutor Estranho

Se há dez anos atrás perguntassem sobre o personagem menos provável para fazer parte do universo cinematográfico da Marvel, a resposta seria simples: Doutor Estranho. Sua popularidade, as roupas coloridas, a habilidade de atravessar mundos são apenas alguns dos motivos do porquê Stephen Strange não era o doutor para esse universo. Então veio o Thor, os irmãos Maximoff e com as luzes vermelhas que dão nome a Feiticeira Escarlate, se tornou apenas questão de tempo vê-lo nas telonas.

Tempo que não durou tanto. A Marvel precisava expandir o seu universo e não teria forma mais fácil do que com magia? Rapidamente o elenco foi sendo formado por grandes nomes, a equipe técnica ficou enorme e as locações apenas aumentavam. Nova York e Nepal são alguns dos lugares que fazem parte da produção.

Com um visual gráfico que lembra a viagem repleta de LSD criada por Stan Lee e Steve Ditko, Benedict Cumberbatch lidera uma viagem entre mundos, batalhas com bastões luminosos  e um vilão meia boca que esconde mais uma grande ameaça do MCU (Marcel Cinematic Universe).

Assim como todos os filmes de super heróis do ano, Doutor Estranho tem furos. Erros como o seu vilão que em tese, não precisava ser criado, até porque Barão Mordo estava ali, pronto para ser usado. Mas diferente dos demais, o novo filme da Marvel se destaca por um visual de tirar o fôlego, atores que personificam seus personagens, às vezes em personalidade como foi o caso de Chiwetel Ejiofor e Tilda Swinton; as vezes com caracterização, e nisso Benedict se destaca.

Com as imagens de divulgação, não havia dúvida que o britânico era a personificação de Stephen, mas vê-lo com o jeito arrogante já visto em Sherlock, mas atualizado com um o ar sedutor e "mágico", apenas confirmou que não havia escolha melhor. Outro ponto que define isso é a química do elenco. Benedict Wong, por exemplo, têm pouco tempo de tela, mas já se consegue sentir a amizade que irá crescer entre seu personagem, também chamado Wong, e Stephen.

Amizade essa que é marcada por piadas e risos (de pelo menos uma das partes). Esse tom cômico não poderia faltar, não apenas por ser da Marvel Studios, mas também por servir de alívio para uma das histórias de origem mais pesadas contadas até agora no cinema. Com um acidente de carro muito bem produzido e uma consequência de eventos tristes, o roteiro cativa e prende o público, fazendo-o se emocionar e torcer pelo "cara arrogante".

E se está parecendo que apenas houve protagonismo nessa história, é um engano. Todos tem seu momento, seja Mads Mikkelsen com um ótimo discurso ou Tilda que, mesmo depois da polêmica sobre interpretar o que era para ser um homem oriental, em nenhum momento deixa dúvidas que ela é a Anciã. Até mesmo Rachel McAdams que é um interesse romântico de poucas cenas. Todos com drama ou comédia o suficiente para serem lembrados. E isso não se dá apenas aos "objetos" animados. Terem dado vida e personalidade ao Manto da Levitação é mais um ponto alto.

Esse novo mundo mágico com objetos luminosos e repletos de vida dão um leque de possibilidades para a Marvel começar a investir em vilões e heróis que não precisem de grandes explicações ou de uma conexão com Thor. Além disso, prova que com a Disney ao seu lado, eles possuem dinheiro e equipe o suficiente para não decepcionar nos efeitos especiais. Os lugares inóspitos e repletos de cores; os prédios se movendo como em A Origem são apenas alguns exemplos.

Mas por outro lado, não estão prontos para dar um foco. Luta e filosofia se misturam e formam dois lados da mesma moeda, mas os saltos e armas que lembram a animação Doutor Estranho de 2007, tomam maior lugar que os discursos e confrontos éticos dos quadrinhos. Essa característica não é ruim, traz ritmo, mas fica a pergunta se um dia tentarão uma adaptação mais literária, ou se "Shamballa" ficará apenas na referência.

Com tantos pontos positivos, não é difícil dizer que Doutor Estranho foi um dos filmes que cumpriu o que prometeu, se consagrando como um dos melhores do ano no gênero. Seu gancho e duas cenas pós créditos prometem que Stephen Strange continuará conquistando o público por bastante tempo.

9
Divulgaí

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