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Crítica: Elvis e Nixon

Diante de tudo isso, podemos concluir que "Elvis e Nixon" é uma das gratas surpresas do ano. A direção de Liza Johnson é precisa por focar na história que queria contar e saber construir uma trama crescente que tem seu ápice no encontro entre os dois protagonistas, de semelhante forma ao que Ron Howard fez com seu "Frost/Nixon (2008)".
Crítica: Elvis e Nixon

No dia 21 de dezembro de 1970, houve um encontro inusitado entre o Rei do Rock Elvis Presley e o polêmico presidente norte-americano Richard Nixon. O que eles discutiram nesse encontro? Esse é o tema de "Elvis e Nixon", filme dirigido pela "desconhecida" Liza Johnson. No filme, Elvis (Michael Shannon) já está com a idade um tanto avançada e chegou a um ponto em que apenas o carinho dos fãs não era o suficiente.

Com toda mudança cultural passando pelo país, criminalidade aumentando, abuso de drogas e envolvimento em guerras, o cantor teve a "brilhante" ideia de encontrar o presidente para apresentar uma proposta inusitada. A verdade é que Nixon (Kevin Spacey) sempre foi um presidente controverso e autoritário, e essa diferença de personalidade entre os dois é o que torna esse encontro tão interessante quanto improvável.

"Elvis e Nixon" é um filme de orçamento bem modesto, aliás, sua própria narrativa é toda construída em cima de um evento muito simples. O humor do filme é bastante preciso e seu sucesso se deve à boa direção de Liza Johnson, que soube construir o mistério e aguçar a curiosidade do espectador de forma crescente até a chegada do clímax.

Outra coisa que contribui (e muito) é o carisma de elenco, contando com Colin Hanks, que cai muito bem neste tipo de papel, de alguém com responsabilidade, mas meio "atrapalhado" (já havia mostrado isso na primeira temporada de 'Fargo'). Alex Pettyfer, Evan Peters (o Mercúrio de X-Men, bastante em alta atualmente) e (quem diria!) Johnny Knoxville, também estão muito competentes nos seus papéis.

Mas é a dupla principal que se destaca mais. Michael Shannon - que herdou o papel de Eric Bana - apesar de diferenças físicas claras que a boa caracterização como Elvis não conseguiu resolver, e de causar aquele "choque" inicial no espectador quando aparece pela primeira vez, capricha na interpretação como um astro que devido ao seu sucesso colossal é colocado pelas pessoas acima de um ser humano normal (e realmente acredita nisso, por isso pensa que pode andar armado até os dentes).

Crítica: Elvis e Nixon


O ator - que é de Kentucky, região até próxima do Mississipi, estado onde nasceu Elvis - entrega uma atuação bastante acima da média, logo fazendo o espectador acreditar que aquele cara excêntrico na tela poderia tranquilamente ser o Rei em pessoa. Já Spacey, como Nixon, capricha muito mais na presença física meio corcunda do presidente, além do gestual e trejeitos, mas principalmente a entonação de voz, realmente um trabalho impressionante, elogio que chega a ser redundante na carreira do ator.

"Elvis e Nixon" acerta muito no tom do humor, por seguir alguns elementos da comédia que funcionam muito bem no cinema. Além de mostrar os bastidores do gabinete presidencial de forma bem inusitada, o que já é cômico por si só, outro elemento bem explorado é a pureza de intenção do personagem de Elvis. Por mais que o espectador - e talvez todos os outros personagens do filme, exceto ele - saibam que a ideia de se tornar um Agente Federal é um absurdo, sem treinamento ou o perfil ideal para isso, mesmo assim ele acredita de coração que realmente pode fazer algo pelo seu país. Quando erra ou prejudica alguém, não é intencional, portanto não soa artificial, deixando para o público escolher quando rir, sem ser forçado a nada. Esse é o segredo das boas comédias, a naturalidade.

Quanto à probabilidade de um encontro entre os dois, convenhamos que o apoio de alguém tão popular como Elvis seria muito bem-vindo a qualquer candidato, especialmente um com a imagem muito conservadora como Nixon. Pois a popularidade e imagem do cantor poderiam ser muito bem exploradas junto aos jovens, ao público feminino e aos sulistas também. A trilha do filme é cheia de canções dos anos 70, usadas para ambientar a época, incluindo o clássico Susie Q. O filme também é cheio de imagens de arquivo ou envelhecidas para fortalecer a imersão do espectador à época em que a história se passa, e ainda remetem aos seriados antigos exibidos na época.

Diante de tudo isso, podemos concluir que "Elvis e Nixon" é uma das gratas surpresas do ano. A direção de Liza Johnson é precisa por focar na história que queria contar e saber construir uma trama crescente que tem seu ápice no encontro entre os dois protagonistas, de semelhante forma ao que Ron Howard fez com seu "Frost/Nixon (2008)".  O filme é curto, mas o ritmo do corte é muito bom (as cenas duram o necessário para conseguir geras algumas risadas), portanto o timing do humor é cirúrgico. A reação dos personagens às inusitadas situações que ocorrem durante todo o filme também são muito interessantes, além do show de interpretações da dupla principal, que é determinante para o sucesso do filme como um todo. Ótima dica para quem procura uma comédia simples e realmente engraçada.

Divulgaí

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