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Crítica: As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras

Houve uma real tentativa em se aproximar mais da essência divertida dos personagens e isso precisa ser mencionado.
Crítica: As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras

Depois de uma reformulação, os novos Tartarugas Ninja causaram muita polêmica em 2014, pelo visual muito musculoso e pouco colorido que não agradou muito os fãs. Para piorar, o filme dirigido por Jonathan Liebesman foi duramente criticado por uma história muito desinteressante e sombria demais dos divertidos personagens. O primeiro filme não foi nada barato, mas o bom resultado nas bilheterias (doméstica e mundial) credenciou o universo para uma continuação (apesar de ela ter sido anunciada já pouco depois da estreia do primeiro filme). E por que não corrigir o que deu errado antes, certo?

Sob uma nova direção, com o jovem Dave Green (que chamou a atenção com a animação "Terra para Echo (2014)") no comando, a produção deste segundo filme buscou se conectar mais com o estilo descontraído e meio maluco que conhecemos das Tartarugas Ninja originais e também dos filmes da década de 90. Nesta continuação da história, o Destruidor (Brian Tee) - que estava preso - combina de ser resgatado por Baxter Stockman (Tyler Perry), um cientista maluco. Os dois descobrem a existência de um portal que dá acesso a Terra e mandam os capangas Bebop (Gary Anthony Williams) e Rocksteady (Sheamus) atrás das peças que ainda faltam, sem saber do perigoso vilão Krang que aguarda do outro lado. Então as Tartarugas, auxiliadas por April O'Neil (Megan Fox) e Vernon Fenwick (Will Arnett) vão impedir que esse plano seja concluído e tentar salvar a Terra com a ajuda de um novo integrante, o policial Casey Jones (Stephen Amell).

O maior acerto deste filme é que nele o clima é bem menos tenso do que no antecessor, as Tartarugas têm suas características pessoais bem melhor desenvolvidas. Também a interação entre eles como equipe funciona melhor quanto ao uso de suas habilidades em combate. Há também muitas referências para os fãs como a entrada elementos antigos, como o caminhão e Casey Jones, por exemplo. Além de serem elementos visuais muito atrativos para as crianças de hoje, isso consegue despertar uma resposta emocional nos fãs mais antigos do filme.

Outro grande acerto deste filme com relação ao antecessor é a presença dos engraçados Bebop e Rocksteady, pois eles são o tipo de personagem que tem liberdade para fazer piadas idiotas e escatológicas, de modo que não destoe do restante do filme por parecer piada de "mau gosto". E isso contribui muito para o clima bem mais descontraído e "despirocado" que faltou no anterior, pois torna a trama mais divertida. Há também algumas rápidas referências a outros filmes do estúdio, como Transformers e Indiana Jones, que duram apenas alguns segundos, mas o espectador mais atento e com uma bagagem cinéfila maior consegue identificar e isso acaba sendo um atrativo interessante, apesar de não contribuir para a história.



Mas só agradar aos fãs não é suficiente e como desenvolvimento de roteiro, o filme deixa bastante a desejar. Apesar de ser inevitável a utilização de alguns clichês que são 'momentos-chave' para filmes de certos tipos de gênero - como a ação, neste caso - o roteiro explora meios que qualquer cinéfilo, ou espectador que assista a filmes com frequência, já está cansado de ver. O vilão principal Krang é assustador, pelo seu visual grotesco e muito bem desenhado. Mas sua motivação não é bem clara e desenvolvida. E por que mais uma vez explorar um elemento muito manjado, como um portal aberto de forma "inocente" que acaba trazendo um mal extremamente perigoso para nossa realidade? Ou até a própria sequência de destruição apocalíptica final, que apesar de ser um daqueles 'momentos-chave' que eu mencionei, precisava ser tão parecida quanto centenas de outras cenas finais de filmes de ação que já vimos?

Outro problema é que, apesar do desenvolvimento de personagem não ser o objetivo do filme, isso não pode ser totalmente negligenciado na história. Todas as Tartarugas têm um mini-arco sobre aceitação interior, sobre liderança e a importância do trabalho em equipe, além de Casey Jones que teoricamente tem uma mudança comportamental interior mais dramática. Mas não há nada digno de nota, todos os personagens são bastante caricatos e unidimensionais. Logo nas suas primeiras cenas, Megan Fox tem aquele tradicional plano em câmera lenta que dá destaque apenas a sua deslumbrante beleza, e é triste ver que isso é o máximo que a direção consegue tirar dela até o restante do filme. Will Arnett está muito bem como aquele personagem meio 'malandro', mas de bom coração e Stephen Amell agrada mais quando está atuando com a máscara de hockey. Os personagens em CGI não incomodam, com exceção do Mestre Splinter e o ponto negativo do elenco vai para o subaproveitado Destruidor, além da versão "malvada" do 'Professor Aloprado' de Tyler Perry, dois personagens sem muitos atrativos para a história como um todo.

Tecnicamente, o filme volta a acertar. O visual dos personagens em CGI está muito bem feito, assim como toda a renderização do filme e seus efeitos visuais explosivos. Apenas a aparência do Mestre Splinter ainda soa - não dá pra dizer artificial, por que olha o filme do qual estou falando, não é mesmo? - como um personagem de vídeo-game, ou seja, muito esquisito quando colocado em comparação ao restante do filme. A montagem do filme é competente porque sustenta e combina bem as cenas mais enérgicas com os momentos de humor. O ritmo é forte, a ação é intensa e não deixa a manjada trama monótona demais. Convenhamos, filmes de ação e aventura neste estilo não podem perder muito tempo se levando tão a sério, pois correm um grande risco de se tornarem filmes maçantes. Até pela própria classificação indicativa (10 anos), os sermões e a mensagem de subtexto precisam ser básicas para uma maior absorção do público-alvo. Até porque, nem todo mundo é como a Pixar, que encontra o equilíbrio perfeito nesse sentido (tocam crianças e adultos), não acham?

Portanto, "As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras" demonstra uma boa melhora com relação ao antecessor. Em termos de coesão narrativa é muito fraco, mas colocando em termos de entretenimento, é um filme que vale a pena levar os filhos para conhecer o universo das Tartarugas. Houve uma real tentativa em se aproximar mais da essência divertida dos personagens e isso precisa ser mencionado. Não é um grande filme, mas sejamos honestos, em um universo onde quatro tartarugas mutantes que são treinadas por um rato gigante e adoram pizza combatem o crime pelas ruas à noite, porque ainda há pessoas que esperam uma obra-prima saindo dali? Poderia ser melhor (assim como tudo na vida), mas não chega a ser a catástrofe que alguns insistem em afirmar.


Divulgaí

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