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Crítica | A Garota do Livro


“A Alice cresceu, se casou e virou mãe”, mas nem todas as Alices seguem esse caminho. Dentre elas está a protagonista de Emily Vancamp em A Garota do Livro. Uma mulher tão independente e forte quanto a famosa personagem loira do País das Maravilhas, mas que carrega um trauma bem diferente do que o de uma rainha querendo lhe cortar a cabeça. 

Com um toque de feminismo, o filme dirigido por Marya Cohn tem uma história diferente da usual, onde não é necessário um príncipe encantado, mas mostra como o egoísmo e a visão da sociedade patriarcal sobre a mulher pode influenciar e acabar com a vida de alguém.

Por motivos como esse, A Garota do Livro necessitava de uma direção mais delicada e trabalhada nos detalhes, mas opta por um estilo mais “cru” de se contar a história e uma fotografia que passa despercebido. O que o filme falha em trilha, direção e fotografia, ele ganha em roteiro, que alterna de forma orgânica entre passado e futuro e aos poucos, o espectador começa a decifrar Alice.

A personagem não é apenas o ponto de foco que faz a história girar, mas também o que torna tudo são singular e real. Com problemas sobre crescer, lidar com as decepções da vida, amor e sexo, o filme emociona por ser fiel ao mundo em que vivemos e no fim, mesmo com indignação, dá para pensar: “Isso já pode ter acontecido”.

O longa vai muito além e também fala sobre sexualização de garotas adolescentes. Lança perguntas sobre como musas de escritores deveriam se sentir após “se lerem” em histórias escritas por homens. Dá até para se perguntar se existiu uma Lolita ou como reagiram as diversas mulheres que serviram de inspiração para Bukowski. Não apenas isso, mas terem que viver à sombra delas.

E para mostrar todas essas nuances, não é necessário apenas um bom roteiro com diálogos bem construídos, mas também um elenco. Emily Vancamp dá a vida a versão adulta de Alice, enquanto Ana Mulvoy Ten, a versão mais jovem. As atuações diferentes mostram bastante a quebra da inocência da garota e transformação em mulher.

Ambas as atrizes foram marcadas por papéis mais melodramáticos (Emily em Revenge e Ana na série teen O Místerio de Anubis), mas quebraram todo e qualquer preconceito que pudesse existir em cima das duas. E vai muito além delas. David Call que também possui um passado dramático com Gossip Girl, além da asiática Ali Ahn aparece poucas vezes, mas sempre para dar um show de talento e até tirar algumas risadas.

Dentre tantos atores com poucos anos de carreira, temos o veterano Michael Nyqvist da trilogia alemã de Millennium. Mostrando o típico escritor fracassado, mas com um toque especial que até mesmo irrita. Suas cenas com Ana trazem a dinâmica certa para a história e mesmo que pareça um crime admitir, uma química amorosa que assusta.

Diferente dos demais blockbusters do mês, A Garota do Livro é um longa simples e tocante. No começo, parece que irá traçar um caminho para terminar da mesma forma. E com uma historia já muito conhecida que em alguns momentos se perde no clichê, acaba surpreendendo por suas atuações, montagem e história tocante.
Divulgaí

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