Loucos por Filmes

Loucos por Filmes

Destaques

Últimas

Navegação

Crítica: Pegando Fogo

Crítica: Pegando Fogo

Parece exagero colocar o personagem de Bradley Cooper nesse patamar, mas é assim que ele é descrito e vão além quando o comparam ao Mestre Yoda. Pegando Fogo trata de contar a história desse jovem rapaz, misturando elementos de vários reality shows de comida. Um chef gritando com os seus subordinados como em Hell’s Kitchen e mostrando pouca comida e muito drama, como em Master Chef.

Bradley Cooper estampa o cartaz, mostrando que está de volta para um novo filme, buscando o Oscar que não conseguiu por Sniper Americano e pronto para fazer um sucesso de bilheteria. Com essa onda de realitys e com a consultoria do chef Mario Batali (uma celebridade nos EUA) e um elenco de peso que trás britânicos, americanos, franceses e italianos, não podia se esperar nada mais do que um ótimo filme.

Na prática, a questão é outra. Com uma trilha sonora que combina com cada cena e o caos de uma cozinha profissional, Pegando Fogo é mais um filme de comida, que falha quando se trata de comida. A história segue Adam Jones, que viu o seu talento decair devido à drogas e mulheres. Após cumprir sua penitência abrindo um milhão de ostras decide sair em busca das três estrelas para o seu novo restaurante e antiga equipe.

O grande problema do filme é não conseguir trabalhar com os elementos que cria. Mesmo com uma cena memorável interpretada por Bradley, onde o personagem se encontra drogado e sem esperanças do futuro de seu restaurante, o enredo do longa não consegue tratar do problema das drogas. Diversas questões são postas na mesa, como o funcionamento de um restaurante, um personagem viciado, vingança, homossexualidade, entre outros. Mas no final, mostra que faltava foco.

Sem contar a direção que não permite mostrar o que deveria ser o foco, a comida. Os pratos bem organizados e limpos, a comida sendo cortada, o vapor subindo da panela, todos os detalhes que poderiam fazer o telespectador sair da sala de cinema e correr para um restaurante desaparecem entre os dramas dos personagens. Dramas que cada um sofre, mas nenhum deles consegue desenvolver de verdade.

Mesmo com esses problemas, os atores conseguem se destacar com o que têm, principalmente a tríade principal formada por Bradley Cooper, Sienna Miller e Daniel Bruhl. A atuação do americano, principalmente, consegue passar as nuances do personagem. Do chef aborrecido à procura de sua terceira estrela e o homem desesperado por se redimir com sua antiga equipe.

Mas quem fica sem nuances é a historia. Acaba se tornando previsível, até mesmo o seu plot final não deixa surpresas, apenas uma expectativa constante do "tudo bem, mas e aquilo, vai acontecer ou não?". E as cenas finais que poderiam deixar uma lição, se conclui sem mistério e com cortes até estranhos e "jogados", como se roteirista e diretor, juntos, não soubessem mais para onde levar os personagens.

Tão insosso e pouco dourado quanto o primeiro peixe que a personagem de Sienna Miller, Hélene, cozinha durante o filme, Pegando Fogo é mais do mesmo com menos do que devia ter. O chef Adam Jones diversas vezes deixa claro que “bom não significa nada” e que não está fazendo nada mais do que buscando a perfeição, mas infelizmente, o longa não conseguiu ser bom, apenas uma entretenimento para as tardes de sábado sem nada para fazer.

Divulgaí

Deixe sua opinião:)