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Crítica: Maze Runner: Prova de Fogo

Crítica: Maze Runner: Prova de Fogo

Quando Maze Runner estreou no ano passado, não houve tanta badalação como aconteceu com outras adaptações literárias adolescentes, como "Jogos Vorazes" e "Divergente", mas o filme alcançou um surpreendente sucesso de público e crítica ao apresentar uma história de ficção científica jovem e dinâmica de sobrevivência, com muito mistério e suspense sem apelar para o tentador romantismo desta faixa etária. Recomendo que quem ainda não viu, assista, mas de toda forma aqui vai uma breve sinopse para que possamos nos situar na análise que segue: Thomas (Dylan O'Brien) acorda em um vilarejo onde vivem apenas garotos. Mesmo com sua memória apagada, ele logo descobre que o lugar é na verdade um labirinto e que todos os dias uma equipe de garotos, os "runners" saem para mapear a região, na esperança de conseguirem escapar um dia, ou conhecer os perigos que existem lá fora. Então o valente Thomas se une ao grupo e após a chegada de uma misteriosa garota eles conseguem escapar, descobrindo que uma organização conhecida como C.R.U.E.L. está por trás de tudo aquilo. A história é baseada no primeiro livro da trilogia escrita por James Dashner e foi um frescor para o gênero na época de seu lançamento, com um roteiro bem desenvolvido e efeitos visuais muito caprichados.

A sequencia de Maze Runner será chamada por aqui de "Prova de Fogo" e mantém a mesma equipe que deu certo no primeiro filme. Na direção, volta o novato Wes Ball e com ele, um dos roteiristas que adaptaram o primeiro filme, T.S. Nowlin. Nesta etapa da história, Thomas e seus amigos, Minho (Ki Hong Lee), Teresa (Kaya Scodelario, que é filha de mãe brasileira), Newt (Thomas Brodie-Sangster) e os outros escaparam do labirinto e se depararam com um outro universo, um lugar desolado e sem esperança, onde a doença já debilitou a maior parte da população. Na busca de pistas para encontrar e acabar com a poderosa organização C.R.U.E.L., eles enfrentam vários obstáculos, conhecem novos aliados e inimigos e muitas revelações os aguardam. Juntam-se ao elenco bons nomes como Aidan Gillen (Game of Thrones) e Giancarlo Esposito (Breaking Bad).

Além de obviamente ser uma sequência, Maze Runner: Prova de Fogo é um filme de transição. O principal elemento original da franquia, o labirinto, não está mais presente e ao mesmo tempo que a produção pode explorar um universo muito mais amplo de possibilidades, surge a pressão de se fazer algo maior e melhor. Vamos tomar como exemplo a franquia Jurassic Park. O primeiro filme tem um tom sombrio e de realismo, flertando muito próximo de ser um filme de suspense/terror. O segundo filme bem que tentou manter o mesmo tom, mas na sua parte final - em uma decisão contestada de mostrar o T-Rex à solta pela cidade - acabou entrando, mesmo sem querer, em um campo de maior descontração, proporcionando algumas cenas bem bizarras. Restou no terceiro filme a escolha de um elenco mais acostumado a filmes leves e cômicos (como William H. Macy, Téa Leoni e até Sam Neill está bem mais descontraído...). Não foi por acaso que Spielberg se retirou da sequência, deixando-a nas mãos de Joe Johnston e do roteirista Alexander Payne. Contei esse exemplo para ilustrar que Maze Runner 2 sofre também uma grande transição inevitável, como veremos adiante.

Maze Runner 2 tem cenas de ação muito mais elaboradas e de qualidade que o primeiro, mas mantém o ritmo ágil que marcou seu antecessor e é trabalho de outra direção segura de Wes Ball. Também é um episódio que abandona boa parte do mistério e parte para explorar novos cenários, com muito mais violência e personagens de caráter ambíguo. Fica difícil confiar em alguém, mesmo que se apresente como um grande aliado. E Thomas sabe muito bem disso, em outra boa interpretação por parte de Dylan O'BrienMas mesmo toda essa ação, demonstrada através de sequências e cenas de alta qualidade  e violência, não são suficientes para encobrir o principal problema do filme: o desenvolvimento do roteiro e dos personagens. A história acaba indo rumo ao clichê e saídas fáceis, como o surgimento de uma doença que aniquilou grande parte da população, transformando muitos dos sobreviventes em uma espécie de "zumbi".  Se o primeiro filme se destacou pela sensação de claustrofobia e mistério, esta parte faz mais "jus" ao nome da franquia e foca muito mais na ideia de "correr ou morrer" (e como corre!). Já que o filme é longo (2 hs e 11 min) e no desenvolvimento do roteiro por vezes parece que não vai chegar a lugar algum, falta despertar mais a emoção no espectador, além daquele momento de clímax, que os filmes de ação e aventura costumam ter, já que a grande revelação ocorre bem tarde. Aliás, as revelações ao longo do filme são previsíveis e acabam diminuindo significativamente seu impacto.


O saldo final é que Maze Runner 2 é um filme visualmente muito bem caprichado. Ás vezes sombrio, violento e com um cenário muito maior e devastado, mas que acabou ampliando os problemas do filme na mesma proporção. Infelizmente, chega a um ponto onde o espectador para de contar as situações derivadas de outros filmes do gênero, porque elas acabam tirando o foco da história e estragando a experiência. A sensação que fica é que caso esta sequência mantivesse a mesma qualidade do seu antecessor, poderia chegar ao mesmo patamar das badaladas séries "Jogos Vorazes" e "Divergente", mas com este capítulo que pouco agregou, a franquia permanece à sombra das duas. Certamente é um filme imperdível para os fãs, que ficarão ainda mais ansiosos pelo capítulo final, previsto para 2017, mas é um tanto confuso e desinteressante para o público geral.
Divulgaí

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