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Crítica: Não Pare na Pista - A Melhor História de Paulo Coelho

Crítica: NÃO PARE NA PISTA - A MELHOR HISTÓRIA DE PAULO COELHO
Cinebiografias são geralmente marcadas por controvérsias, uma vez que para condensar a vida de um ser humano notório que realmente existiu, é necessário fazer uma seleção de fatos, os quais supostamente foram importantes, do ponto de vista dramático. A bola da vez é Paulo Coelho, escritor brasileiro internacionalmente conhecido, e figura notoriamente controversa. Seria um prato cheio para um filme do gênero, caso o resultado não fosse morno, artificial e pouco empolgante.

O filme dedica-se a representar a biografia Paulo Coelho (Júlio Andrade), tendo como base depoimentos do próprio escritor sobre fatos marcantes, como os problemas com os pais, as drogas, a religião e sua conturbada relação com Raul Seixas (Lucci Ferreira). Para isso alterna entre três momentos distintos da vida do escritor. São sua conturbada juventude quanto enfrentava problemas familiares devido a sua vontade de tornar-se escritor; as dificuldades encontradas em sua fase adulta para escrever e conseguir publicar suas obras; e os dias atuais quando já estabelecido como escritor, decide retornar a um local que lhe foi importante no passado após problemas de saúde.

A produção do longa merece elogios, a recriação de época é notável, os figurinos, os cenários, tudo parece muito realista e nos devidos lugares. A fotografia inclusive confere um ar místico as paisagens em momentos mais introspectivos, algo fundamental na trajetória do autor. O elenco é também um ponto forte no longa, no qual Júlio Andrade faz naturalmente um excelente trabalho interpretando Paulo Coelho, e consegue ser expressivo mesmo na sua fase mais velha, quando está coberto de maquiagem. O destaque porém fica por conta de Lucci Ferreira, que interpreta de tal maneira Raul Seixas que é de se considerar se não estamos diante de um caso de incorporação de espíritos.

O longa possui um problema particularmente em sua estrutura, que é desnecessariamente complexa, que acrescenta muito pouco a história contada. Ele trabalha a principio com três linhas do tempo distintas, porém a divisão é de tal maneira confusa para o espectador, que é necessária legenda toda a vez que há uma alternância de época. Além disso, a certa altura, o filme começa a acompanhar Paulo Coelho, saindo da adolescência e tornando-se adulto, adotando uma abordagem linear, denotando indecisão, ou até falta de cuidado quanto a montagem adotada.

Na verdade não se pode dizer por exemplo, que a biografia não seja fonte de material interessante para trazer ao cinema, mas a seleção dos fatos e a forma com a qual é apresentada neste filme é equivocada. Frequentemente, ao invés de humanizar o protagonista, torna-o antipático e até aborrecido. Passagens específicas, como sua relação com o pai e posteriormente com Raul Seixas, soam infinitamente mais excitantes que o filme no todo. No quadro geral a impressão que fica, é que a despeito do subtítulo do filme, essa definitivamente não é a melhor história de Paulo Coelho.
Divulgaí

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