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Crítica: AMANTES ETERNOS


A temática da vida eterna é motivo de imenso fascínio para o ser humano, que diante da impossibilidade de alcançá-la, tenta explorar suas possibilidades através da arte, principalmente no tocante a criação de histórias. Quais seriam os efeitos da longevidade? Valerá a pena viver para sempre? Como aproveitar o tempo infinito? São questões comumente abordadas quando o assunto é a eternidade. Nesse viés, Amantes Eternos oferece respostas para tais perguntas, utilizando a perspectiva dos que talvez sejam os seres mais venerados da cultura pop contemporânea: vampiros.

Vivendo em uma Detroit decadente, o vampiro Adam (Tom Hiddleston) é um melancólico músico recluso que encontra-se as voltas com a depressão e passa a nutrir ideias suicidas,  ao saber disso, sua a esposa Eve (Tilda Swinton) que encontra-se atualmente vivendo do outro lado do oceano, na companhia de seu ilustre amigo Marlowe (John Hurt), decide reunir-se com ele depois de um longo hiato. Após o reencontro, os amantes no entanto precisam preocupar-se com outro contratempo, a indesejada visita da  irmã de Eve, Ava (Mia Wasikowska) que consegue perturbar o estado de coisas com sua personalidade inconsequente.

Através dos personagens, os altos e baixos da longevidade são abordados. Entre os altos está a densidade cultural que os vampiros possuem, por poderem testemunhar o surgimento e o desaparecimento de tendências artísticas, científicas e sociais, são capazes de facilmente identificar seus produtos, sejam antiguidades, como os instrumentos musicais de Adam, ou mesmo padrões do comportamento humano, como sua inclinação para a guerra. Desta forma, o filme sugere ainda que os grandes nomes da história, pessoas que introduziram a renovação em suas linhas de atuação, compunham a raça dos vampiros, algo compreensivo quando se leva em conta que muitas vezes para romper com o tradicional é necessário profundo conhecimento das regras vigentes.
 
No que diz respeito aos baixos, em épocas ociosas como a corrente de pouca efervescência, na qual tem-se a impressão que nada está sendo verdadeiramente criado, apenas reciclado,  tais seres sentem-se entediados, este é o ponto onde entra a situação de Adam. Os indivíduos notáveis com os quais conviveu outrora, já algum tempo deixaram este mundo, isso aliado ao fato de que ele mantém um total desinteresse pelos acontecimentos do mundo humano, torna a vida eterna mais uma tortura do que uma dádiva. No entanto, o estado melancólico em que se encontra o personagem, não é um fato novo, como sugere Eve em dado momento, é algo que vai e volta de tempos em tempos, algo que reforça a ideia de circularidade do tempo.

Ideia essa defendida de maneira eficiente pelo trabalho do diretor Jim Jarmusch que apresenta transições e cortes elegantes, que conferem um ritmo lento, apropriado a proposta do filme, além de adotar planos longos e significativos, que possibilitam conhecer o ambiente e também os personagens. Personagens esses que são encarnados de maneira mais que competente pelos atores. John Hurt e Mia Wasikowska surgem com menos tempo em tela porém, cumprem de maneira exemplar seus papeis. A dupla de protagonistas composta por Tom Hiddleston e Tilda Swinton, não apenas possuem química extraordinária como tem naturalmente uma aura singular, enigmática que os tornam perfeitos para o papel de vampiros.

Por fim, é necessário apontar, que o ritmo compassado de Amantes Eternos faz senti-lo por vezes arrastado, o que em conjunto com o minimalismo da trama de Jim Jarmusch pode torná-lo não muito atrativo para aqueles que preferem mais movimento. De maneira geral, a obra destaca-se primeiro por trazer sempre bem vindas reflexões filosóficas sobre a existência, e segundo por oferecer a visão de um grupo de artistas talentosos dos elementos clássicos da mitologia vampírico, sem deixar de imprimir-lhes um frescor gratificante.


Divulgaí

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