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Crítica: O Grande Hotel Budapeste

Crítica: O Grande Hotel Budapeste
Apesar de sua filmografia consistir basicamente em filmes de comédia com uma pitada de drama, Wes Anderson nunca esteve tão engraçado e divertido como em “O Grande Hotel Budapeste”. O diretor – Indicado a três Oscar - ficou mais conhecido após trabalhos como “Três é Demais (1998)”, “Os Excêntricos Tenenbaums (2001)” e o mais recente “Moonrise Kingdom (2012)” pelo seu senso de humor peculiar e pelo visual estiloso e colorido dos seus filmes, todos escritos por ele próprio. Porém, é aqui que Anderson desenvolve o seu melhor trabalho na carreira, provando ser um diretor capaz de contar histórias resgatando a nostalgia de filmes “pastelão”, como as memoráveis coletâneas de “Corra Que a Polícia Vem Aí” ou “Monty Python”, mas com uma inusitada e admirável história de amizade e fidelidade como pano de fundo.

O sucesso de “O Grande Hotel Budapeste” deve-se primordialmente ao seu protagonista. E não me refiro apenas a formidável atuação de Ralph Fiennes (e quem diria que ele ainda tinha o que mostrar a esta altura da carreira!) como M. Gustave, o prolixo e eloquente administrador do Hotel que nomeia o filme, mas também ao seu personagem brilhante e encantador. Quando conhece um jovem empregado  chamado Zero (apresentando Tony Revolori), os dois tornam-se grandes amigos e embarcam em aventuras que incluem o roubo de uma obra-prima, a batalha pela grande fortuna de uma família e as transformações históricas durante a primeira metade do século XX. Anderson resgatou um elenco de apoio maravilhoso e fundamental para que as atuações mantivessem o mais alto nível e que ficassem de acordo com a riqueza de detalhes estéticos do filme, marca registrada do diretor. Para um cinéfilo, é reconfortante ver F. Murray Abraham (Amadeus, 1984), Jeff Goldblum (A Mosca, 1986) e Harvey Keitel (Cães de Aluguel, 1992) atuando bem novamente, sem mencionar muitos outros que compõem o elenco.

Falando mais sobre a estética do filme, Anderson mais uma vez usa ambientes visuais ornamentados e elegantes, mas que funcionam bem melhor com o apoio de várias citações poéticas ajustadas perfeitamente para cada momento que vemos na tela, explorando melhor as ideias dos personagens e causando um impacto muito mais eficiente ao espectador. De maneira muito atraente e sutil, a triste realidade histórica daquela época (o filme se passa no período entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial), é retratada com suavidade e humor, mas que incomoda e sensibiliza quando paramos para pensar no significado mais profundo e triste que transparece nas entrelinhas, assim como no clássico de Roberto Benigni “A Vida é Bela (1997)”.

Wes Anderson parece finalmente sair do seu lúdico e abstrato mundo de fantasia para tentar algo diferente: não deixa de ser uma ilusão, mas para quem conhece os horrores da época da guerra, muito do filme retrata a realidade também. Deixando de ser apenas o prazer visual de costume, “O Grande Hotel Budapeste” consiste em uma narrativa simples e linear, dividida em cinco partes, contada através de um flashback. A Academia costuma gostar dos trabalhos de Anderson, e eu não me surpreenderia se mais uma vez ele figurasse entre os indicados esse ano. Como disse, estamos diante de uma história doce e amarga ao mesmo tempo, depende de como for apreciada, mas com o grande elenco e grandes atuações, este misto de cinema, teatro e literatura é um deleite para os amantes da sétima arte.
Divulgaí

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