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Crítica: O Espelho

Crítica: O Espelho
Sabemos que não são poucas as reclamações quanto à falta de bons filmes de terror atualmente. Nos últimos 10 anos, poucos filmes conseguiram agradar tanto aos fãs quanto a crítica especializada, como “Jogos Mortais” (2004), “O Segredo da Cabana”(2012) e “Invocação do Mal” (2013). Para alguns, o excesso de clichês nas histórias, infinitos remakes e continuações, sustos forçados e personagens ingênuos e caricatos, são alguns dos principais motivos para tanta falta de qualidade no gênero. O jovem diretor Mike Flanagan e seu aliado roteirista Jeff Howard resolveram adaptar uma curta história escrita pelo próprio Flanagan para um longa-metragem, chamado O Espelho.

Na história, dois irmãos, Tim e Kaylie, ficam traumatizados pela trágica morte dos pais. Tim é enviado para um hospital psiquiátrico e após anos internado, é considerado reabilitado de seu trauma. Enquanto isso, sua irmã conduziu com seu noivo uma busca incessante a um antigo espelho, o qual acredita ser o responsável pela morte seus pais e fazer dezenas de vítimas que já o possuíram ao longo do tempo. Tentando provar que o objeto é o verdadeiro responsável pela sangrenta tragédia familiar, os dois retornam à casa e documentam sua experiência. Entretanto, fenômenos sobrenaturais ocorrem, causando ilusões aos dois e despertando demônios em suas mentes.

Mas se engana quem pensa que irá se deparar com um assustador filme de terror cheio de sustos e cenas fortes. O Espelho é um filme que se preocupa menos com esses choques simulados e tentativas em surpreender o espectador e, de forma gradativa, introduz e constrói os personagens e busca explicar para a plateia as motivações com uma abordagem relativamente sutil. Eu diria que o gênero que melhor se adéqua ao crescente clima tenso do filme é o suspense, com ênfase nas características dos personagens: seus medos, defeitos e alterações de personalidade à medida que os eventos sobrenaturais começam a importunar sua família.

Um dos pontos fortes do filme é a atuação de Rory Cochrane, o pai das crianças, que fica mais assustador gradativamente, lembrando (de longe, mas bem de longe mesmo) o personagem de Jack Nicholson em “O Iluminado”, sendo que aqui, ao invés da sensação de isolamento levar o pai de família à beira da loucura, o que causa isto é a influência do espelho amaldiçoado.  Flanagan parece ser um diretor habilidoso, pois apesar de ter um roteiro simples com uma história banal, para incrementar e tornar mais interessante a narrativa utiliza flashbacks, truques psicológicos e tomadas de câmera em locais atípicos, porém eficientes. O elenco, incluindo os atores mirins, é bom e sustenta a trama mesmo nos momentos mais eletrizantes.

"O Espelho” é na verdade mais um thriller psicológico do que um terror, com história bem desenvolvida e sustos na medida certa. Apesar de não chocar visualmente com monstros e tripas, impacta a medida que a sensação de medo começa a crescer na tela. Tem um final interessante e que divide opiniões, que parece também sugerir uma possível continuação. De forma inteligente e engenhosa Flanagan tira o famoso “leite de pedra”, extraindo o máximo que aquela produção permitia. Filme bastante recomendado para quem prefere se contorcer de medo e aflição do que simplesmente mergulhar em um balde de sangue e sustos, como a maioria dos filmes do gênero ultimamente nos forçou a fazer.

Divulgaí

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